06 de outubro, de 2008 | 00:00

Sua excelência, o eleitor!

IPATINGA – No dia da votação, mais do que os candidatos, o eleitor deve ser o alvo de todas as atenções. Afinal, é o somatório dos votos da maioria que garantirá aos candidatos alcançar os almejados cargos de vereador e de prefeito. Alguns eleitores, mais exaltados, deixam a emoção aflorar, e a tentativa de angariar votos de última hora quase sempre acaba em prisão. Em relação aos anos anteriores, foram poucas detenções em Ipatinga. Até o meio-dia, duas ocorrências, apenas. Ainda assim, a propaganda de “boca-de-urna” foi percebida ontem nas proximidades de diversos locais de votação. E até por outros meios. Às 11h40 o jornalista Danilo Emerich procurava informações sobre os detidos, no ginásio Ely Amâncio, quando recebeu em seu celular a mensagem: “Vote 15, vote 15, vote 15. Vote Quintão. Esse não é ladrão”. O jornalista disse que, como cidadão e independentemente do partido, não hesitaria em denunciar o autor do crime eleitoral. Como a mensagem foi enviada via internet, a identificação era impossível. Nas idas e vindas da cobertura eleitoral, procuramos, então, na diversidade, alguns casos de eleitores que foram às ruas ontem em Ipatinga.
Fotos: Wôlmer Ezequiel

A professora Isaura Aparecida Rodrigues Ferreira foi protestar em frente à Escola Estadual Manoel Izídio, Centro, contra a falta de assistência após acidente dentro de escola da rede municipal. “O caso foi no governo anterior, mas o atual não me assistiu”. Por causa do acidente, a professora diz que corre riscos de outros problemas na coluna e aguarda ajuda, enquanto permanece sob licença do INSS. Policial chega “armado até os dentes” para votar e assusta eleitores que estavam nas proximidades da Escola Estadual Márcio Cunha, no bairro Horto. Apressado para voltar ao trabalho, o policial encontrou a seção de votação sem fila e saiu tão rápido quanto entrou.  O caminhoneiro Wanderlei Silva de Jesus teve que justificar o voto em Ipatinga. Natural de Lages (SC), disse que gostaria de ajudar a eleger o novo prefeito de sua cidade. “Mas tive que vir buscar uma carga na Usiminas, para Caxias do Sul”, informou. Conhecedor da realidade de várias cidades, o caminhoneiro é contundente: “A classe política tem uma dívida enorme com o povo. Há coisas demais para serem feitas por aí, a começar pelas estradas”, afirmou.  Ex-vereador, Arcanjo Pascoal levou a mãe, Maria Augusta Gonçalves, 90 anos, para votar ontem de manhã no Iguaçu. Com muita história para contar, ela afirma que a política tem melhorado. Arcanjo conta que, apesar da facultatividade, Maria Augusta não abre mão do voto. “Ela faz sua própria escolha e insiste em vir. Para mim é um orgulho”, diz Arcanjo. Maria Augusta é viúva de João Valentim Pascoal, que dá nome a uma das principais avenidas do Centro. O próprio Arcanjo foi vereador de 1970 a 1988. “Afastei-me da política, mas acompanhamos tudo. Temos esse veio político”, explicou Arcanjo. Apesar da recomendação da Justiça Eleitoral, ruas amanheceram tomadas por material de proposta eleitoral. Limpeza urbana deverá gastar três dias para remover toneladas de papeis espalhadas. Ontem mesmo começou o trabalho, claro, pago pelos cofres públicos. O eletricista aposentado Edson Nascimento Mendes, 67 anos, diz estardesiludido com os políticos. “Os próprios homens para quem trabalheinão me ajudaram, quando precisei. A política precisa avançar muito”,afirma. Edson lembrou que, dentro de três anos, terá 70 anos e não terámais obrigação em votar. “Hoje, só voto porque sou obrigado. Após os 70nunca mais votarei. É um protesto”, concluiu. Alex Ferreira
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