09 de outubro, de 2008 | 00:00

Juro sobe e limita crédito

Crise econômica mundial está mais perto do que se pensa, diz contador

Alex Ferreira


Geraldo: venda de carros financiados despencou com a crise

IPATINGA - A crise mundial que desencadeou a quebradeira de grandes
bancos e a retração de investimentos globalizados, já “deságua“ no
bolso do cidadão comum. Em Ipatinga, o contador Rodrigo Pinto lembra
que, nas crises econômicas do México, em 1997, e da Rússia, em 1999, o
Brasil estava mais vulnerável e os impactos foram mais imediatos e mais
profundos para a população. Na atualidade, segundo ele, os impactos
estão menores até agora, “mas não menos preocupantes“.

O contador, com formação também em economia, não acredita em solução
rápida. Rodrigo afirma que o primeiro impacto foi no crédito. “Os
bancos elevaram as taxas. Exigem agora uma entrada maior para o
financiamento de bens como carros, por exemplo, e concedem prazos
menores nos financiamentos“, explica. Para quem já tem financiamento de
longo prazo, a orientação é manter as contas em dia, para equilibrar o
orçamento doméstico.

Retração
Por causa da crise, já está mais difícil financiar automóveis. Se antes
o consumidor conseguia alongar o financiamento em até 72 meses, agora
há limitações e os prazos são bem menores. Rodrigo acrescenta que o
mais indicado é que o consumidor faça e refaça as contas antes de
entrar em financiamentos de longo prazo. Mas a preocupação maior,
explica, deve ser com o crédito direto ao consumidor. “Os juros do
cheque especial, que já estão altos, agora ficarão mais proibitivos. No
caso do cartão de crédito, na casa dos 14% ao mês, precisa ser evitado
a qualquer custo o parcelamento rotativo. “Pagar o mínimo na fatura
significa pagar um juro muito alto na próxima conta“, alerta.

Por fim, Rodrigo avalia que, somente após 4 de novembro, quando será
confirmado quem vai assumir a presidência dos Estados Unidos e
ratificar a política que será adotada para reduzir a crise, é que será
possível uma avaliação mais segura sobre o futuro da economia.

Reflexos
Diretor de uma concessionária de veículos na avenida Minas Gerais, no
bairro Caçula, Geraldo Canuto confirma que já sentiu o reflexo da crise
internacional. Conta que, até julho, a média mensal era de 20 carros
vendidos. Em setembro, foram vendidos apenas 10 carros, e nestas duas
primeiras semanas de outubro a situação é ainda pior.

Incrédulo com os impactos da crise que começou longe, mas atingiu seu
negócio, o comerciante admite que a situação é preocupante. “Carros
abaixo do ano 2002, que a gente conseguia financiar em até 72 vezes,
agora só saem por 36 vezes. Como resultado, as vendas despencaram dessa
forma preocupante“ reclama o comerciante, que tem seis funcionários na
concessionária.
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