10 de outubro, de 2008 | 00:00

De volta pra casa

Mineiros atingidos por crise nos EUA voltam à região

Wôlmer Ezequiel


Disparada do dólar beneficia imigrantes que voltam com algum dinheiro
IPATINGA – A crise econômica que assola os Estados Unidos leva milhares de imigrantes mineiros a fazerem o caminho inverso. Com a crise, ficou mais difícil encontrar emprego e muita gente não vê outra saída senão voltar ao Brasil. Em Governador Valadares, o coordenador geral do Centro de Informação, Apoio e Amparo para a Família e ao Trabalhador no Exterior (Ciaat), Antônio Carlos Linhares, afirma que as pesquisas apontam que o Vale do Aço também tem índice elevado de imigrantes nos Estados Unidos. “Como a maioria está em situação ilegal, não há números confiáveis. Uma estimativa antiga, que considero defasada, aponta que passam de 40 mil os valadarenses que foram trabalhar nos EUA. Ipatinga e outras cidades da região não devem ficar longe disso, não”, afirma.Na avaliação de Linhares, a imigração do Vale do Aço demonstra que nem sempre as pessoas estão em busca de trabalho, mas quase sempre de salários melhores. “Vocês mesmos divulgam sempre as oportunidades de emprego, a falta de mão-de-obra para diversos setores da indústria regional. No entanto, o ipatinguense, fabricianense e timotense imigram tanto quanto o valadarense”, afirma o coordenador.Quanto aos efeitos da crise, Antônio Carlos considera prematura a decisão de voltar ao Brasil a qualquer custo. Defende prudência e acredita que as pessoas deveriam esperar um pouco mais para ver o desenrolar da crise. “Por enquanto, com a alta do dólar, os imigrantes que continuaram empregados lá passaram a mandar um volume maior de dinheiro para as famílias”, explica. Linhares acrescenta que o pior erro foi acreditar que a emigração seria para sempre. “Agora ela demonstra ser um ciclo que pode chegar ao fim, e isso traz conseqüências”, analisa. O Ciaat foi criado para fornecer alternativas e orientar possíveis investimentos dos imigrantes e de suas famílias, que geralmente recebem as remessas no Brasil, mas sua atuação está restrita a municípios do Vale do Rio Doce. QuebradeiraO presidente em exercício da Associação dos Parentes e Amigos dos Emigrantes do Brasil (Aspaemig), Raimundo Santana, tem parentes em Danbury e em Connecticut e confirma que os efeitos da crise atingiram em cheio os imigrantes. Santana explica que a construção civil é a que mais gera empregos para imigrantes e, com a crise, as construções e reformas pararam.Há também casos de brasileiros que estavam há mais tempo nos Estados Unidos e que perderam casas compradas financiadas. “Como os estadunidenses, alguns não conseguiram quitar suas dívidas e perderam tudo. “Aqui em Valadares chega gente a todo momento, de volta para suas famílias. O jornal Brazilian Voice, que publica notícias em língua portuguesa, também já pesquisou nas agências de viagens de lá que há uma fila de reservas de vôos para o Brasil”, acrescenta.Santana, que também morou por quatro anos nos EUA, afirma que a população está assustada porque, após muitos anos de estabilidade, os preços dispararam. “Quando saí, há dois anos, a gasolina custava US$ 2,45 e hoje passa de US$ 5”, exemplifica.  A volta dos mineiros gera preocupações maiores ainda para cidades de menor população, como São Geraldo do Baixio, também no Vale do Rio Doce. A estimativa e que cerca de 25% da população do município migrou para os Estados Unidos. A remessa de dólares enviada mensalmente para a cidade chegou a superar a movimentação econômica da pecuária e o garimpo. Agora, com a volta dos mineiros, teme-se uma recessão na pequena cidade de 3.300 habitantes, que deixará de receber os dólares dos imigrantes. Alex Ferreira
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