12 de outubro, de 2008 | 00:00

Convívio com a deficiência física

Conheça exemplos de superação e otimismo com suporte do Unileste-MG

Fernando Carvalho


Audilar se orgulha de cada conquista do filho Hernani
IPATINGA – “Eu tenho que ser forte para que meu filho possa se desenvolver. Cada dia que passa, fico mais entusiasmada ao vê-lo progredir”. Audilar Silva, 35, mãe do pequeno Hernani Benedito, 5, conta que, apesar de ter feito pré-natal, foi surpreendida quando o filho nasceu. “Nenhuma mãe está preparada para ter o único filho com paralisia cerebral. Foi um susto. A gente fica meio sem reação”, confessa a moradora do bairro Amaro Lanari, em Coronel Fabriciano.Aos cinco meses de idade, a criança teve a coordenação motora comprometida. Hoje, a mãe é só felicidade ao perceber os avanços do filho, como por exemplo, movimentos que antes não fazia. O garoto Hernani é um dos pacientes que recebe atendimento fisioterapêutico e acompanhamento multidisciplinar no Centro de Reabilitação Geral (CRG) do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste-MG).Credenciado no Ministério da Saúde, o CRG atua em 33 municípios que integram as microrregiões de Coronel Fabriciano, Ipatinga e Caratinga. No local, pessoas com deficiências físicas contam com equipe multiprofissional (enfermeiro, fisioterapeuta, médico, psicólogo e terapeuta ocupacional), que desenvolve amplo atendimento individual e em grupo. Troca de experiências“Conviver com outras mães, compartilhar experiências, dificuldades, medos e alegrias tem sido muito bom para mim. Cada dia que passa, estou psicologicamente melhor, e sei que isto é essencial para que o Hernani também se sinta bem”, reconhece Audilar. Com o objetivo de tornar mais intenso o convívio social, para marcar o Dia Nacional de Deficiente Físico (11/10) e celebrar o primeiro aniversário do CRG, Hernani e outros pacientes participaram de uma tarde especial, com oficinas educativas, gincanas, atividades lúdicas e exposição de trabalhos artesanais desenvolvidos por eles próprios (Projeto Reabiliatarte).
Fernando Carvalho


Ingrid, 23, exala determinação e bom humor
Papel da família A forma encontrada por Audilar para lidar com a limitação física do filho é explicada pelo fisioterapeuta Deny Freitas, coordenador do CRG. Segundo ele, normalmente, a chegada de uma criança com deficiência não é encarada com naturalidade. Três fases acompanham esse processo: negação, adaptação e aceitação. “No início, é comum os pais não acreditarem no diagnóstico e procurarem negar a existência da deficiência. Nesta fase, que pode se prolongar por dias, meses ou anos, o pai demonstra dificuldade maior em lidar com a constatação”. Depois de superado esse momento, a família começa a perceber que o filho apresenta necessidades que precisam ser atendidas. “É a fase de adaptação, quando os pais tentam descobrir maneiras de se adequar ao novo momento. Buscam mais informações, não para negar a deficiência, mas para entendê-la. Saem do isolamento inicial e passam a estabelecer contatos com outras famílias, que compartilham a mesma situação”, pontua o fisioterapeuta.A próxima etapa é a chamada fase de aceitação. “Gradativamente, a evolução da criança passa a ser percebida pela família. Os pais estabelecem novos parâmetros de comparação e expressam satisfação com cada conquista do filho. Em geral, nesta fase ainda apresentam uma postura superprotetora, mas que tende a diminuir com o tempo”, pontua Deny Freitas.  Para o especialista, a maneira como cada família lida com o início da situação influenciará decisivamente na construção da identidade do grupo familiar e de seus membros. “Geralmente, adultos com deficiência, que tiveram sólida base familiar, na infância, são mais bem-resolvidos”.  
Landéia Ávila


Sirlene Gomes participa do Reabilitarte: o artesanato é uma ótima terapia
Convívio socialHernani freqüenta a E. M. Pastor Antônio Rosa, no Amaro Lanari, onde convive com colegas da mesma idade. “Meu filho encontrou ainda mais amor. Conviver, aprender, brincar com outras crianças sem deficiência e professores tem sido muito bom para ele. Quero que ele cresça em convívio com o mundo”.Na cadeira de rodas de Ingrid da Silva Batista, 23, a marca da sua vaidade: detalhes em rosa. Sem constrangimentos, ela conta que, aos dois anos de idade, andando na calçada com a mãe, foi vítima de uma bala perdida, que a deixou paraplégica. “Quando relato isso, a primeira pergunta que me fazem é essa mesmo: em que cidade eu morava. E levam um susto quando eu respondo que era aqui mesmo, em Ipatinga”. Moradora do Jardim Panorama, Ingrid, cuja vaidade pode ser percebida pelo rosto bem maquiado, foi de enorme receptividade com nossa reportagem. O bom humor, a alegria de viver, ela atribui também à maneira como foi criada. “Desde criança, meus pais me trataram da mesma forma que minhas irmãs. Não tinha essa coisa de coitadinha. Isso foi muito bom, porque cresci desenvolvendo minha autonomia”. Na opinião dela, muitas vezes, o excesso de cuidado acaba prejudicando. “Todos nós, independente de deficiência, somos capazes. Ao mesmo tempo, todo mundo também tem suas limitações”, frisa Ingrid, acrescentando que procura interagir com o mundo ao seu redor. “Gosto de sair, passear. É uma pena que, apesar das leis, nem todos estão adaptados”, ressalta.Atendimento no Vale do AçoDados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativos ao Censo de 2000, apontam que cerca de 24,5 milhões de brasileiros apresentavam algum tipo de deficiência (14,5% da população). Desse total, cerca de 9 milhões possuem deficiência física ou motora.As pessoas que necessitam de materiais ortopédicos (colete, botas, calçados e cadeira de rodas) e auxiliares de locomoção como andador, bengala e muletas devem procurar o posto de saúde mais próximo de sua residência. O posto encaminhará a avaliação médica para o departamento de tratamento fora do domicílio, que agendará o atendimento no CRG localizado na rua Bárbara Heliodora, 725, bairro Bom Retiro. Mais informações pelo (31) 3846-5586 ou www.unilestemg.br/crg.Landéia Ávila 
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário