16 de outubro, de 2008 | 00:00

Usiminas faz audiência propositiva

Audiência esquenta debate sobre licenciamento de nova siderúrgica

Wôlmer Ezequiel


Teatro lota em audiência para tratar do licenciamento ambiental da Usiminas Santana do Paraíso
IPATINGA – Realizada a pedido do Ministério Público e Fundação Relictus, a audiência pública para discutir a implantação da nova usina siderúrgica da Usiminas em Santana do Paraíso, realizada ontem à noite no Teatro Zélia Olguin, no bairro Cariru, em Ipatinga, encerrou uma fase da discussão pública que deve preceder o licenciamento do empreendimento. Repetiram-se as apresentações técnicas já mostradas na noite de terça-feira em Paraíso, mas apareceram cobranças e propostas acirradas. Uma das etapas da audiência abre espaço para que a sociedade civil participe com sugestões e questionamentos. No total, 15 pessoas se inscreveram. Algumas se limitaram a fazer elogios à iniciativa, mas muitas aproveitaram o espaço para outras ações. Vicente Costa, representante do prefeito eleito em Ipatinga, Chico Ferramenta (PT), e da deputada estadual Cecília Ferramenta (PT), destacou que o pensamento do governo é manter o histórico de parcerias com a empresa frente aos novos desafios. Também defendeu a busca de “soluções metropolitanas” para a região. Presidente da Fiemg Regional Vale do Aço, Luciano Araújo destacou o empenho da entidade no funcionamento do Senai para a formação profissional e garantia da mão-de-obra local para o projeto de expansão.ImpactosMembro do Conselho de Defesa do Meio Ambiente de Ipatinga (Codema), o ambientalista Elcílio Gregório propôs um plano de educação ambiental para a população. “O projeto Xerimbabo, mantido pela Usiminas, precisa deixar de ser contemplativo e transformar as pessoas em atores ativos em um cenário em que todos nós estamos inseridos”, destacou. Integrante do Instituto Cidades e da Associação dos Moradores do Bairro Cariru, Mauro Guerra fez um alerta aos dirigentes de Santana do Paraíso: “Há uma nova realidade. Em Ipatinga a Usiminas construiu uma cidade para poder existir. Já em Paraíso poderá construir uma Usina com os recursos que já trouxe para Ipatinga. Se o poder público não se cuidar, terá impactos irreversíveis”, alertou.O vice-presidente da Associação Comercial de Ipatinga, Márcio Caldeira Pena, levou as preocupações do comércio. O setor teme uma bolha inflacionária e defende que as entidades representativas do setor tenham acesso à necessidade de demanda, sob risco do surgimento de uma “bolha comercial”, que poderá causar estragos e desestruturar empreendedores futuramente. Por fim, Adauto Bispo, morador do bairro Cidade Nova, questionou a afirmação de que o Estado, a quem serão pagos impostos, será cobrado a fazer sua parte no processo. “O dedo da iniciativa privada é indispensável por causa da omissão do Estado. Prova disso é que temos pobreza em lugares cercados há anos por grandes empresas. Ainda que se resolva tudo em Santana do Paraíso, serão criados problemas nos povoados e cidades no entorno, que geram filhos para trabalhar dentro da usina, e nós aqui somos exemplos. Então, o desenvolvimento sustentável não será alcançado”, disparou.      Relatório com os resultados das audiências públicas será agora colocado em discussão na Supram Leste e fará parte das negociações que antecedem o licenciamento ambiental do empreendimento.
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