21 de outubro, de 2008 | 00:00

Famílias acusam fiscalização

Escavação irregular deixa penduradas duas casas na avenida Londrina

Alex Ferreira


Maria Marques não conseguiu convencer a vizinha sobre riscos de escavação irregular
IPATINGA – Duas casas ameaçam desabar na avenida Londrina, bairro Veneza II, em função de uma escavação irregular. Essa situação já foi parar na Justiça, depois que vizinhos perceberam que uma moradora da parte baixa, nos fundos, invadiu as margens do ribeirão Ipanema para fazer uma construção. A ação tramitou e ficou acertado, em audiência, que a escavação deveria parar. A pretensa dona da área não obedeceu e manteve a escavação, apesar da reclamação dos vizinhos. A Defesa Civil compareceu ao local diversas vezes, notificou a mulher, mas nada adiantou. Na noite de domingo para segunda-feira a chuva forte agravou de vez a situação. A maior prejudicada é a dona de casa Maria da Penha, que mora na parte de cima com uma filha e um neto de dois anos. “Construímos aqui com muita dificuldade e moramos há 20 anos sem problemas”, observou.Maria da Penha conta que, na madrugada de ontem, ouviu estalos vindos da cozinha e de um dos quartos que faz divisa com o barranco e, ao chegar aos dois cômodos, percebeu rachaduras de até 20 centímetros nas paredes. Segundo ela, a sua casa era arrastada aos poucos buraco abaixo, e quando essa movimentação parou, deu tempo para a retirada de parte dos móveis, que agora estão amontoados em dois cômodos ainda não atingidos. O restante da casa, com rachaduras em várias partes, está pendurado em um barranco de aproximadamente 8 metros de altura. Na Defesa Civil Municipal, a informação é que foi feita a inspeção na manhã desta segunda-feira e determinada a interdição total da residência. A informação do órgão é que foi explicado à moradora que ela não pode permanecer no local. Para esse tipo de situação, a Defesa Civil assegura uma ajuda de seis meses de aluguel para a família. Parcialmente desabrigada, a moradora Maria da Penha se recusa a deixar o imóvel interditado. “Onde vou arrumar uma casa por R$ 130?”, questiona a moradora, que quer saber o que fará após os seis meses da ajuda da Defesa Civil. A dona de casa quer que o município se comprometa com a reconstrução da casa. “Afinal, a fiscalização não proibiu a vizinha de fazer a escavação, que causou todo esse estrago”, argumenta.  PrejuízosOutra casa atingida é a do aposentado Daniel Barbosa e Maria Marques de Oliveira, que também fica ao lado da escavação irregular. Ele conta que a última esperança era que a situação fosse resolvida na Justiça. “Mas a vizinha não quis obedecer a uma ordem judicial e levou adiante essa escavação”, explica.Conforme Maria Marques de Oliveira, na sua casa moram dez pessoas, entre adultos e crianças. Revoltada, ela mostra a área escavada e conta que passou a noite acordada, por temer um desabamento. “A Defesa Civil esteve aqui e já avisou sobre a possibilidade de desocupação. Mas afirmo que da minha casa não saio. Queremos a construção de um muro de arrimo para resolver isso”, insiste Maria Marques. Daniel Barbosa calcula que um muro de arrimo no local custaria, no mínimo, R$ 14 mil. “Já foi feito o cálculo dessa obra e não temos recursos para isso. Aguardamos ajuda pública para eliminar esse perigo”, diz Daniel. O aposentado afirma que faltou pulso firme à fiscalização, pois embora notificada para interromper a escavação a moradora não desistiu da empreitada que agora coloca duas famílias em risco. Com o agravamento da situação, a dona da casa acusada pelos vizinhos de provocar o estrago, “sumiu” da residência.      Alex Ferreira 
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário