22 de outubro, de 2008 | 00:00
Câmara apura possível vazamento
Vídeo gravado em convenção do PMDB é utilizado na disputa pela PBH
Polliane Torres
Nardyello disse que os equipamentos de vídeo da Câmara Municipal de Ipatinga não possuem dispositivo de captação de áudio
IPATINGA A Câmara Municipal de Ipatinga abriu sindicância para apurar o suposto vazamento de um vídeo em que o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB) fala durante uma convenção do partido, realizada no plenário da CMI, no dia 26 de junho último. A gravação está sendo usada por Márcio Lacerda (PSB), adversário de Quintão na disputa pela Prefeitura da capital mineira. O caso foi parar na Justiça e a cúpula do PMDB questionou a Câmara de Ipatinga sobre a disponibilização do vídeo. Em coletiva à imprensa, o presidente Nardyello Rocha (PMDB) afirmou que se a gravação saiu do Legislativo, isso foi feito de maneira ilegal”. No vídeo, Leonardo Quintão diz: Vamos ganhar e vamos chutar a bunda deles”, fazendo referência ao PT. Nardyello reconheceu a possibilidade de a gravação ter sido vazada por funcionários. Não podemos afirmar que essas imagens não são da Câmara. Se elas foram retiradas da Câmara, não foi pelas vias legais, por meio de requerimento que deve ser analisado pela presidência e pelo serviço jurídico. Se foi retirado, foi de forma indevida”, declarou. Nardyello esclareceu que as câmeras de segurança da CMI não possuem dispositivo de captação de áudio. O presidente anunciou a abertura de uma sindicância para a apuração dos fatos. Caso haja participação ou facilitação por parte de qualquer servidor ou funcionário da vigilância da Câmara, medidas legais serão tomadas. Esse processo deve levar cerca de 30 dias. Vamos designar três servidores para ouvir os outros funcionários, em busca de um denominador comum”, falou. Conforme Nardyello, os depoimentos começarão a ser tomados hoje. Vamos ouvir todas as pessoas que trabalham também no setor de arquivamento de backup (arquivos salvos) para detectar se houve ou não fraude. Nenhum servidor da Câmara ou vigilância está autorizado a falar sobre esse assunto até que a sindicância seja encerrada”, frisou.Segundo Nardyello, as imagens feitas no plenário são arquivadas. Não estamos falando que as imagens não são da CMI. Pelas vias legais, a pessoa poderia ter acesso ao material, não temos nada a esconder”, comentou. O plenário da CMI possui duas câmeras, e Nardyello explicou que a posição de uma delas, que fica atrás da mesa da presidência, conseguiria captar as imagens de Leonardo Quintão. O presidente ressaltou que a gravação de áudio só é feita em reuniões oficiais, o que não foi o caso da convenção. Punição O assessor jurídico da Câmara, Leonardo Campos, disse que, confirmada a suspeita de vazamento, a punição para o culpado será definida de acordo com a situação. A sanção vai desde advertência até suspensão. Em tese, o funcionário também pode ser exonerado. Isso vai depender da tramitação do processo administrativo. A primeira coisa que precisamos saber é se as imagens saíram da Câmara, e, se saíram, quem foi o cedente, por que fez e qual a intenção. Temos que analisar até mesmo o que motivou o servidor a fazer isso, partindo da idéia de que tenha saído por meio de um funcionário. Mas essa afirmação é leviana nesse momento”, destacou.
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