23 de outubro, de 2008 | 00:00

Nova sede com ar “caseiro”

Abrigo Municipal ganha espaço mais amplo e passa por reestruturação

Fotos: Wôlmer Ezequiel


A equipe que comanda o abrigo trabalha para garantir um ambiente aconchegante
IPATINGA – Há uma semana, o Abrigo Municipal de Permanência Breve de Ipatinga ganhou nova sede. Agora, o endereço das crianças e adolescentes acolhidos pela instituição fica na rua Castro Alves, 672, no bairro Cidade Nobre. Antes, o abrigo funcionava no bairro Iguaçu. O novo espaço é alugado e possui dez cômodos, além de áreas externas. Segundo a equipe que comanda o atendimento no local, a nova sede proporciona mais conforto para os assistidos. A proposta é fazer com que o lugar se pareça ao máximo com uma casa.   Além de mais espaço, a nova sede de abrigo ganhou uma equipe técnica formada pela assistente social Andréia Machado e a psicóloga Margareth Ferreira Gomes. Elas realizam um acompanhamento individualizado dos abrigados, preparando-os para a reintegração familiar. A equipe também atua na capacitação dos educadores que trabalham no abrigo, com o objetivo de tornar o atendimento o mais eficaz possível. Outra atividade desenvolvida pela equipe técnica é um estudo individualizado, que avalia as particularidades de cada assistido. Junto com os demais profissionais, a assistente social e a psicóloga constroem o Plano de Ação Direcionada (PAD). O objetivo é atender as individualidades das crianças e adolescentes como, por exemplo, necessidade de fisioterapia, inserção na Apae e reforço escolar. A coordenação do abrigo fica a cargo de Cíntia Martins Alves. EstigmaA assistente social Andréia Machado frisou que a concepção de abrigamento sofreu alterações, conforme prevê o Pano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Andréia lembra que há pouco tempo o abrigo era visto como uma instituição de caráter punitivo. “Predominava o estigma de ‘cadeinha’. Todos tinham medo de ir para lá. Mas as coisas estão mudando. De acordo com a determinação Plano Nacional, até o nome ‘abrigo’ está em desuso. O certo é instituição acolhedora”, comenta.  Nesse sentido, as melhorias promovidas no novo espaço têm a finalidade de colocar em prática essa mudança de concepção. “A nossa idéia é descaracterizar o teor institucional. Por isso, nossa sala de atendimento é separada da casa. As crianças seguem a rotina de uma casa: tomar café, tomar banho, ir à igreja, receber os vizinhos, e acompanhamento escolar. Esse é o nosso grande desafio”, explica.

A casa conta com dez cômodos devidamente separados de acordo com as necessidades dos acolhidos
Reestruturação Além da mudança de concepção de acolhimento, os abrigos da cidade passam por uma reformulação dos regimentos internos. A gerente de Seção de Proteção Social da Prefeitura de Ipatinga, Gisele Mesquita, contou que as quatro instituições da cidade estão em processo de restabelecimento de normas, com o apoio judicial. “Estamos reformulando o nosso regimento interno, até pela questão de faixa etária atendida. O nosso público é de 7 a 17 anos. Hoje, pela necessidade do município, temos que absorver outras demandas. A maioria dos encaminhamentos que recebemos do Judiciário é de crianças com idade abaixo da faixa etária que atendemos. A qualidade de atendimento implica tudo isso”, destaca.Medida extremaGisele Mesquita ressaltou que a medida de abrigamento é excepcional. “A criança só vai para o abrigo em último caso e em caráter provisório. A equipe técnica busca a reinserção familiar. Quando esgotada essa possibilidade de retorno à família de origem, tentamos tios e avôs. Se não der certo, partimos para a recolocação em família substituta. Esse procedimento tem que passar pelo Judiciário, não adianta vir aqui no abrigo olhar essa questão”, esclareceu a assistente. Programação comemorativaPara celebrar a mudança de sede, o abrigo abrirá suas portas para a comunidade e a sociedade a partir de amanhã. “Vamos fazer um chá de casa nova para mostrar às pessoas nosso novo espaço”, contou Gisele. Nesta sexta-feira, às 16h, o abrigo receberá órgãos envolvidos na rede de proteção à criança e ao adolescente, como o CRAS (Centro de Referência em Assistência Social). Às 18h, será a vez de os vizinhos visitarem o local. Na segunda-feira (27), o abrigo receberá o Conselho Tutelar e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). No dia seguinte, representantes do Judiciário marcam presença na casa. Na quinta-feira (30), será realizada uma reunião com a rede de acolhimento. O espaço está aberto a visitação da comunidade todas as terças-feiras pela manhã e às quintas no período vespertino.  Polliane Torres
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário