30 de outubro, de 2008 | 00:00

Metalúrgicos rejeitaram contraproposta

Metasita e ArcelorMittal em última rodada de negociações

Arquivo/DA


Dos votantes, 96% dos metalúrgicos rejeitaram a contraproposta da empresa
TIMÓTEO – A diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Timóteo e Coronel Fabriciano (Metasita) e representantes da ArcelorMittal voltam a se reunir na tarde de hoje (30), às 14h, quando será realizada a terceira e última rodada do calendário de negociações da campanha salarial 2008/2009. Ontem (29), a empresa recebeu documento do Metasita com o resultado da assembléia, realizada na última terça: 96% (480) dos 500 votantes rejeitaram a contraproposta apresentada pela Arcelor na rodada do dia 25. À assembléia, realizada na sede do sindicato, no bairro Timirim, compareceram 550 metalúrgicos, dos cerca de três mil funcionários da empresa. Tudo indica que o clima da reunião desta quinta-feira será quente, uma vez que a data para definição do acordo coletivo será o próximo dia 1º.A expectativa do presidente do Metasita, Carlos Vasconcelos, é que a rodada de hoje seja proveitosa para as negociações. “Esperamos que a empresa queira, de fato, avançar nos debates e contemplar itens importantes para a definição do acordo: aumento real, bolsas de estudo, adicional de insalubridade, extinção do turno fixo, retorno de férias e outros. Para isto, é essencial estabelecer diálogo e respeitar a vontade dos trabalhadores”, adiantou ao DIÁRIO DO AÇO.Novamente Vasconcelos reiterou à reportagem que a crise financeira internacional não afeta os resultados da Arcelor. “Há indicativos que demonstram que os resultados financeiros de 2008 serão ainda superiores aos apresentados no ano passado. O que nos permite entender que é perfeitamente possível a apresentação de uma proposta mais respeitosa aos metalúrgicos. Aliás, os trabalhadores não podem ser penalizados com o fraco argumento da crise”, apontou. Rejeição esperadaAinda no início desta semana, o presidente havia adiantado ao DIÁRIO DO AÇO que o sindicato não acreditava na aprovação da contraproposta da Arcelor. “Os próprios trabalhadores perceberam a ausência de questões consideradas cruciais para definição do processo negocial, o que foi demonstrado no resultado da assembléia.” De acordo com Vasconcelos, a empresa manteve os itens do atual acordo coletivo, com pequenos ajustes econômicos. Segundo ele, das reivindicações apresentadas pelos trabalhadores só foi atendida a questão referente à reposição salarial baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que deverá ficar em torno de 7%. “O aumento real de 8,5% não consta na contraproposta”, ressaltou. Sobre o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a proposta da Arcelor, conforme relatou o sindicalista, é inferior à reivindicação da categoria (5% sobre o lucro operacional obtido em 2008). Ainda conforme o presidente, o valor proposto é inferior ao negociado no ano passado. “A empresa propõe R$ 3.300, acrescidos de 80% do salário (que deverá ser pago em janeiro). Em 2007, o acordo fechado foi de R$ 3.600, mais 80% do salário. Além disso, foi garantido um valor mínimo de R$ 4.800, o que também não é oferecido neste ano”, frisou. Na rodada de hoje, a direção do Metasita volta a discutir as questões não contempladas na contraproposta da Arcelor. A começar pela redefinição do piso salarial da categoria. Os sindicalistas querem que o cálculo seja feito com base no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o que resultaria em cerca de R$ 2.025,99. “A empresa propôs outro valor: R$ 866,14, mais correção definida pelo INPC de outubro”. Outro ponto que novamente será discutido é o parâmetro para definição do adicional de insalubridade. Carlos Vasconcelos ressaltou que “o cálculo deve ser feito sobre o salário nominal do trabalhador e não sobre o salário mínimo, conforme vem sendo praticado pela empresa”. O retorno de férias de 100% para todos os funcionários, independentemente da data de admissão, continua como item de reivindicações do Metasita. Conforme o sindicato, atualmente os trabalhadores contratados até 1998 recebem 95% do salário-base, e os admitidos após essa data têm direito a 50%.Landéia Ávila
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