02 de novembro, de 2008 | 00:00

Turno fixo começa amanhã na Usiminas

Todos sabiam que ia acontecer, mas a decisão pegou muita gente de surpresa

Arquivo/DA


Luiz Carlos garante que o Sindipa tentará barrar a decisão na Justiça
IPATINGA - Os metalúrgicos que trabalham em sistema de turnos na Usiminas vão encarar um novo desafio a partir desta segunda-feira, 3, quando a empresa implanta o regime de turno fixo. A Usiminas vinha anunciando essa intenção há alguns meses, mas a decisão vinha sendo protelada até que, na última sexta-feira, o novo horário foi anunciado oficialmente.DiscussõesPor todo o país, a adoção do sistema de turno fixo tem gerado muitas discussões e polêmica. Em Timóteo, por exemplo, a ArcelorMittal adotou esse horário e levou o Metasita a questionar a decisão na Justiça do Trabalho, mas ainda não houve uma decisão final sobre o assunto.Por sua vez, a Usiminas realizou para os seus funcionários uma série de palestras com médicos e especialistas no assunto. Mas a categoria continua dividida. Muitos questionam o fato de, ainda que o turno fixo possa ser bom para a fisiologia do trabalhador, socialmente os prejuízos poderem ser grandes. Há quem garante que quem trabalhar de 15h às 23h, por exemplo, praticamente não terá vida social, não poderá a ir a jogos de futebol, festas de aniversário e casamento, a não ser quando estiver de folga.No início da noite de sexta-feira, a Usiminas encaminhou às redações dos jornais uma nota sobre a adoção do turno fixo pela empresa.Depois do expedienteLuiz Carlos Miranda, presidente do Sindipa – Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga - classificou a decisão como “um absurdo”. Segundo o sindicalista, a entidade sindical presidida por ele só foi notificada oficialmente pela empresa da troca dos horários de turno após o final do expediente da última sexta-feira, 31.“Temos um acordo para o horário de revezamento de turnos em plena vigência legal, válido até agosto de 2009. Assim, não se justifica que a Usiminas venha romper esse acordo, de forma intempestiva e arbitrária, mesmo porque não houve qualquer espécie de negociação com os trabalhadores ou seu representante legal, que é o sindicato”, afirmou Luiz Carlos.Curiosamente, o que causou mais estranheza no dirigente sindical é que, apenas um dia antes, na quinta-feira, 30, a direção do sindicato esteve reunida com representantes da Usiminas na sede da entidade, para discutir o planejamento da campanha salarial 2008/2009. E, na oportunidade, não foi feita nenhuma referência à adoção do turno fixo.Luiz Carlos garante que o Departamento Jurídico do Sindipa vai tomar todas as providências legais contra a aplicação do turno fixo da forma como ela vai acontecer. “Não é com decisões assim, arbitrárias, tomadas após o expediente, quase na calada da noite, que se constroem as relações entre patrões e empregados”, concluiu o sindicalista. NOTA DA USIMINASA Usiminas participou de Audiência Pública para discussão da jornada legal de oito horas fixas diárias a ser implantada na empresa, como uma louvável oportunidade de diálogo e esclarecimento com a comunidade. A iniciativa veio justamente corroborar com a postura transparente que a Usiminas tem adotado na condução desse processo, o que incluiu palestras com especialista em medicina do sono, visitas de grupos de empregados a outras empresas que já trabalham com a jornada legal de oito horas fixas, além de uma ampla comunicação interna com seus empregados. Ao adotar a jornada legal de oito horas fixas, a Usiminas não apenas estará em consonância com a lei (artigo 7º da Constituição Federal), como também estará em consonância com a comunidade médica. Nesse aspecto, vale ressaltar que o trabalho em um único horário contribui para o melhor funcionamento do metabolismo, pois o organismo humano não necessita adequar-se em função da mudança contínua de horários. Quando as pessoas trabalham em um turno irregular, com rotações freqüentes (dois ou três dias), a chance de adaptação à rotina se torna improvável e aumenta o risco de doenças do sono. A Sociedade Brasileira de Neurofisiologia, por exemplo, diz que “a empresa deve manter turnos regulares, que são os mais adequados para quem trabalha de madrugada. No caso de turnos rotatórios, ou seja, esquemas de rodízio as pessoas não conseguem manter um ritmo saudável de sono, sendo muito ruim para o ritmo circadiano individual. O horário regular para dormir e acordar é sempre benéfico para o ser humano”. Além das questões relacionadas à saúde, a implantação desta jornada na Usina de Ipatinga também garante outros benefícios aos empregados. A jornada legal de oito horas fixas possibilita ao trabalhador planejar melhor suas atividades diárias em prol de uma melhor convivência familiar. O número de folgas coincidentes com o domingo durante o ano é maior, a média mensal de dias trabalhados diminui e o número de descansos semanais remunerados no período de um ano é maior.
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