08 de novembro, de 2008 | 00:00

“A revolta supera o medo”

Sindicalista espera maior adesão dos metalúrgicos às negociações

Arquivo/DA


Kléber William: é preciso justiça ao “repartir o bolo”
TIMÓTEO – Permanece o impasse sobre a campanha salarial 2008/2009 dos metalúrgicos timotenses. Conforme o DIÁRIO DO AÇO divulgou ontem, a ArcelorMittal Inox Brasil Timóteo não aceitou discutir a nova proposta apresentada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Timóteo e Coronel Fabriciano (Metasita), na quarta rodada de negociações ocorrida na última quinta-feira (6). Além de reajuste salarial da ordem de 7% referentes às perdas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o sindicato reivindicava 5% de aumento real e Participação de Lucros e Resultados (PLR) de R$ 3.600, mais 80% do salário nominal, com garantia mínima de R$ 4.800.“Apresentamos nova proposta e a empresa se limitou a discutir a sua contraproposta, já reprovada por 93% dos trabalhadores dos 584 votantes da assembléia do último dia 5”, disse, em tom de indignação, o diretor administrativo e financeiro do Metasita, Kléber William de Sousa. Em votação, os 544 metalúrgicos não aceitaram o que foi proposto pela empresa, em duas alternativas, ambas com reposição do INPC. A diferença foi o percentual do aumento real e o valor da PLR. Em uma das alternativas, a empresa ofereceu aumento real de 0,5% e PLR de R$ 3.600, mais 80% do salário, sem a garantia mínima de R$ 4.800. A segunda, 1%, mais PLR de R$ 3.300, acrescida de 80% do salário nominal. Do pagamento, a ser feito em janeiro, seriam descontados os R$ 1.400 da antecipação.A data-base para definição do acordo, que venceria no último dia 1°, foi estendida para 30 de novembro, conforme protesto solicitado pelo sindicato e deferido pela Justiça do Trabalho. “Ainda temos pouco mais de 20 dias para traçar as próximas estratégias que darão rumo ao processo negocial”, disse o diretor. Ontem e hoje (8), a diretoria do sindicato se reúne com suas assessorias jurídica, política e econômica para discutir o assunto. “Definiremos as melhores estratégias a serem tomadas depois dessa radicalização por parte da empresa”. Kléber William ressaltou que “não há nenhuma possibilidade de a proposta já reprovada retornar à assembléia”.DesigualdadeConforme o diretor, no último encontro com a empresa o sindicato insistiu em reivindicações como bolsas de estudo, horas extras, extinção do turno fixo e retorno de férias de 100%. Kléber William contou que o sindicato solicitou à Arcelor resposta para dois questionamentos: os lucros da siderúrgica, não do Grupo ArcelorMittal, mas da planta industrial de Timóteo, e os possíveis valores recebidos por gestores no ano passado, a título de desenvolvimento gerencial. “As duas questões foram registradas em ata e aguardamos as informações. Queremos um posicionamento oficial da empresa. A omissão ou o silêncio também serão uma resposta”.Segundo acrescentou o diretor, dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) dão conta que, no último ano, o salário dos trabalhadores (operacional) perdeu 3%, enquanto que o de gestores aumentou 22%. “Para a chefia tem dinheiro e para os demais trabalhadores não? Nenhum problema em reconhecer os gestores, mas espera-se reconhecimento semelhante para os demais trabalhadores, grandes responsáveis pela riqueza da empresa. Na divisão do bolo, no mínimo, é preciso ter senso de justiça”.Falta interesse por parte da categoria  Na opinião de Kléber William, a Arcelor já esperava que a assembléia recusasse sua proposta. “Além de ser a pior do Brasil, está muito aquém das outras apresentadas por outras empresas do Grupo Arcelor (antigas Belgo e CST), que já fecharam acordos muito mais avançados.” Em relação ao momento econômico, Kleber William foi categórico. “O próprio presidente do Grupo disse que os impactos da crise ainda não afetam os números da empresa. A redução na sua produção é muito mais uma estratégia para o próximo ano.”Para o diretor, a falta de adesão por parte dos trabalhadores contribui para que as negociações não avancem. Apesar de as duas propostas da empresa terem sido rejeitadas em assembléia, dos cerca de 3 mil trabalhadores pouco mais de 550 compareceram a cada uma delas. “Os que votaram demonstraram sua insatisfação. Foi dada oportunidade de participação a todos, em quatro sessões. Ainda que apenas um trabalhador tivesse comparecido, ele decidiria por todos os outros, porque a assembléia é soberana.” E finalizou: “A empresa entende que, se os metalúrgicos não comparecem, é porque estão satisfeitos e por isso ela não será pressionada. É o trabalhador que tem que dar esta resposta à empresa, porque é ele quem sabe onde o ‘calo aperta’. A revolta pode superar o medo”, concluiu o dirigente.Landéia Ávila
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