13 de novembro, de 2008 | 00:00
Sustentabilidade: um desafio para as cidades
Medidas para o bom uso da energia começam nos municípios
Fotos: Mariza Lemos
Deputada Ângela Amin (à direita), presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, com representantes de empresas apoiadoras
BRASÍLIA - A reportagem do DIÁRIO DO ACO acompanhou, nesta quarta-feira, 12, a abertura do segundo dia da IX Conferência das Cidades, que aconteceu na Câmara dos Deputados, no Auditório Nereu Ramos. Neste ano o evento traz como tema a Sustentabilidade nas Cidades Brasileiras. Para abordar o assunto, o professor Yogi Gostwani, da Universidade da Flórida, foi convidado, e pela primeira vez o docente esteve na capital brasileira.Com o tema O Futuro da Energia do Planeta, o palestrante Yogi Gostwani afirmou que este é o momento adequado para debater a sustentabilidade, pois no futuro poderá ser tarde demais. É preciso pensar em nossos netos e bisnetos, senão eles não irão desfrutar do que desfrutamos hoje. E importante olhar para duas dimensões da sustentabilidade: energia e meio ambiente. A primeira afeta diretamente a segunda”, assegura o professor.Para se pensar em sustentabilidade nas cidades, é preciso olhá-las de uma maneira global. Assim como em todo o mundo, o que é realizado nas cidades em que residimos refletirá diretamente no Brasil e no planeta. Segundo Yogi Gostwani, o aumento energético está quase 4% maior a cada ano, no mundo. O impacto é gigantesco na Terra. Para que o problema diminua é necessário utilizar os recursos renováveis. A eletricidade é a forma de energia preferida em todo o mundo. Menos de 20% dos recursos utilizados são renováveis e a maioria deles vem de hidrelétricas. Já 95% do transporte global dependem do petróleo. É de extrema importância que os políticos e as comunidades se conscientizem que existem outros meios de energia e que eles têm que ser usados”, pondera o professor.EnergiasPor dia, o mundo produz cerca de 80 milhões de barris de petróleo. Em breve chegará ao pico de produção e, depois, este número irá diminuir. Por esse viés, o preço alto dos combustíveis não assusta Yogi Gostwani, que diz que nos próximos meses esse valor deve subir consideravelmente.
Yogi Gostwani, palestrante vindo da Universidade da Flórida, alertou sobre os riscos quanto aos combustíveis não renováveis
Para que não se acabe com um recurso de energia será preciso que outros também sejam usados e renovados. O gás natural é um exemplo positivo mas, se não for usado corretamente, dentro de 40 a 45 anos ele também será extinto. A energia nuclear vem do urânio e, de acordo com Yogi Gostwani, o crescimento anual desse tipo de energia é de 2% e, assim como as outras, se não houver o uso adequado ela acabará até 2050. Precisamos ter em mente que os países que têm urânio daqui a 10 anos não irão vender mais o material, pois eles perceberão que vão precisar dele para o seu próprio sustento. Já o carvão é a energia que poderá durar mais”, afirma. ConseqüênciasYogi Gostwani reside na Flórida e conta que, a cada ano, o número e a intensidade dos furacões aumentam. Não só em seu país, mas em todo o planeta inúmeras catástrofes estão acontecendo. Se a população mundial continuar esbanjando no consumo de energia, realmente os seus netos e bisnetos não irão compartilhar deste conforto. A partir de 2050, a forma de energia que vamos usar terá de ser renovável. Não teremos escolha. Mas a outra questão é: os recursos renováveis estão prontos para nós? Será que eles irão nos atender? Para chegarmos lá, as pesquisas em desenvolvimento terão que avançar, e as políticas energéticas terão de ser modificadas em todo o mundo”, esclarece.Ipatinga no debateA reportagem do DIÁRIO DO AÇO conversou com a vereadora e vice-prefeita eleita de Ipatinga, Lene Teixeira (PT), que participou da Conferência em Brasília. Na oportunidade, a parlamentar falou sobre a importância de participar de um debate em nível nacional. Participar de eventos que tratam de temas fundamentais para a vida da cidade e a vida do planeta também é relevante para o debate municipal”, opina.Lene faz questão de frisar que Ipatinga, se comparada a outras cidades do mesmo porte, é muito privilegiada. Nossa cidade está avançada na questão da coleta de lixo, do tratamento de esgoto sanitário e do abastecimento de água. No geral, nossa cidade é privilegiada”, analisa. Contudo, a vereadora pondera: Temos que pensar no futuro. Com o crescimento da cidade, será que nosso atual sistema terá como atender às necessidades?”, questiona. Lene acredita que a questão do trânsito pode vir a ser um dos principais desafios para a cidade. Trânsito também é uma questão ambiental, pois afeta o ambiente de uma forma ou de outra. Com o fluxo de veículos aumentando nas ruas, conseqüentemente a poluição aumentará”, frisa. No período eleitoral, Lene lembra que o tema foi debatido amplamente. Segundo a parlamentar, o plano de governo elaborado pelo prefeito Chico Ferramenta e sua equipe prevê vários projetos que visam a melhoria do trânsito, mas também colocando em pauta a questão ambiental. No nosso plano de governo já pensamos na questão do trânsito e meio ambiente, pois sabemos da importância de tais assuntos”, destaca.Mariza Lemos, exclusivo de Brasília para o DIÁRIO DO AÇO.
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