14 de novembro, de 2008 | 00:00
Reflexos da crise no Brasil
Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO AÇO, o senador Gérson Camata (PMDB/ES), membro da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), explicou como a crise dos EUA afeta o Brasil. Em uma análise geral, o senador acredita que a crise financeira pode vir a ser superada com as medidas que o governo Lula vem tomando. De acordo com Gérson Camata, a crise começa a interferir não só porque atingiu os EUA, mas porque 30% do que o Brasil exporta vão para aquele país. É natural que estes 30% de exportação caiam pelo menos uns 10%, o que significa cerca de milhões de empregos a menos no Brasil”, informa. Gérson Camata afirma que uns dos setores mais afetados podem vir a ser a agricultura e bovinocultura, como os produtores de carne, soja e trigo. No setor automobilístico também há perdas”, acrescenta. Para isso, o Governo Federal tem criado medidas para o aumento do prazo do pagamento de tributos para que as empresas possam suportar o momento. Em conversa com alguns exportadores em Brasília, eles me disseram que as linhas de crédito de financiamento desapareceram. Então, muito exportadores estão com mercadorias no porto, porque não conseguem exportar”, conta. Com o objetivo de diminuir os impactos da crise, o governo também quer criar uma linha de crédito de R$ 30 milhões para financiar e suprir as linhas de crédito externas que desapareceram na crise.Gérson Camata, que possui experiência em todos os cargos da política, exceto o de presidente da República, esclarece que os problemas gerados pela crise econômica são problemas com os quais, com o passar do tempo, as pessoas vão conviver e superar. Vamos aprendendo com o passar do tempo a dominar os problemas”, ensina. MedidasPassados quase dois meses do início da crise, o Brasil está conseguindo dar liquidez ao sistema bancário por meio de várias medidas que estão sendo adotadas. Uma dessas medidas, conforme explica o senador, é a garantia de mais recursos para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDS) possa viabilizar empréstimos para investimentos.Para Gérson Camata, a primeira medida do governo perante a crise foi a autorização para que os Bancos do Brasil e Caixa Econômica Federal comprem pequenos bancos. Inclusive, a Câmara de Deputados votou, na última quarta-feira, medida provisória que autoriza a compra. A medida já está em vigor. Esta abertura de crédito de R$ 30 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é interessante para financiar exportações. Para o custeio agrícola são R$ 8 milhões, mas há reclamações que este dinheiro não chega na ponta. Os bancos, por receio, não repassam este valor a quem é destinado”, critica.A crise no mundoNuma análise da crise econômica pelo mundo, Gérson Camata pondera: Na Europa, a crise está acentuada, mas apenas em uma província da Itália cerca de 30 fábricas vão fechar ainda neste ano. É claro que nestas fábricas, nas quais estive recentemente, trabalham brasileiros. São aproximadamente 2 mil deles, alguns dos quais, ou a maioria deles, provavelmente terá que voltar para o país”, lembra. No entanto, em outros países também há recessão. Para o senador do PMDB, muitos problemas ainda podem surgir. Teremos muitos problemas e teremos que enfrentá-los. É uma fase e temos que enfrentar, ninguém vai morrer por causa disso. Mas iremos atravessar uns dois anos com isso”, frisa.Numa comparação com outros países, Gérson Camata diz acreditar que o sistema bancário brasileiro, graças aos programas de crédito, está sólido, embora o governo tenha retraído as linhas de crédito com medo de perder. Tanto que o governo está forçando os bancos e investindo dinheiro no redesconto bancário para ver se os bancos aumentam o volume de crédito na construção civil e na produção agrícola, setores que criam muitos empregos”, pondera.Segundo o parlamentar, os bancos ainda têm medo de emprestar dinheiro com receio de que, mesmo produzindo, estas empresas não consigam ter retorno e fiquem devendo aos bancos. Com isso, o governo começa de imediato a exercer sua função de dar aos produtores garantias de compra, caso eles não consigam vender.Crise no dia-a-diaQuestionado sobre a crise no dia-a-dia das pessoas, o senador explica que a crise afeta, por exemplo, o financiamento de automóveis, o que pode comprometer o poder de compra do cidadão. Gérson Camata diz ainda que os prazos de financiamento estão diminuindo, e com isso as vendas de veículos novos caíram 15%. E os carros usados ninguém quer mais, pois ainda esbarramos na questão da desvalorização dos bens”, disse.As linhas de crédito do governo também contribuíram para o financiamento de automóveis e para a construção civil, que é uma geradora de empregos. Estas são medidas tomadas pelo governo como meio de abrandar a crise.Há ainda uma emenda a ser votada que autoriza que a Caixa Econômica seja sócia de construtoras, financiando a construção de imóveis para possíveis vendas no futuro. Acredito que até dezembro o susto vai passar, mas a crise permanecerá ate o final do ano de 2009”, prevê.Eleição nos EUAO senador Gérson Camata (PMDB/ES) participou, na semana passada, do processo eleitoral que culminou na eleição do único presidente negro na história dos EUA. Confira a análise do quadro político feita pelo senador.Penso que o Barack Obama, presidente eleito nos EUA, despertou uma esperança desmedida na população. Parece ser o salvador do mundo, e esta é a visão que as pessoas têm dele. Eu tenho pena, porque ele é uma pessoa comum, honesta, séria e preparada, mas vai ter que enfrentar o problema como um ser humano; e ele não vai salvar o mundo. E talvez esta expectativa se desvaneça muito rápido. Os EUA é o maior país do mundo, mas também tem os maiores problemas do mundo. A esperança criada naquele povo me preocupa. Se ele der certo, melhora a convivência racial americana; se der errado, a maioria branca vai começar a criar problemas. Fora a segurança pessoal do presidente eleito, que deve ser colocada em questão há grande numero de ameaças registradas contra ele. Nos EUA, eles são acostumados a matar presidentes”. Mariza Lemos, exclusivo de Brasília para o DIÁRIO DO AÇO
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