15 de novembro, de 2008 | 00:00

As várias faces de um ator

Romeu & Romeu é o mais novo sucesso de Fabrízio Teixeira, agora no teatro

Nivaldo Resende


O último papel de destaque de Fabrízio na televisão brasileira foi interpretar o irreverente cantor Dinho
IPATINGA - O ator Fabrízio Teixeira aproveitou uma rápida folga na capital mineira para vir a Ipatinga visitar a família. Na manhã desta quinta-feira, 13, juntamente com a mãe, a não menos famosa “Tia Linda”, Fabrízio participou do café da manhã que o DIÁRIO DO AÇO vem realizando em comemoração aos seus 30 anos. E aproveitou a oportunidade para falar, com exclusividade, sobre os projetos culturais nos quais está envolvido atualmente.Aos 36 anos, natural de Coronel Fabriciano, Fabrízio Teixeira teve seu último papel de destaque na televisão brasileira ao interpretar o irreverente cantor Dinho, vocalista dos Mamonas Assassinas, em especial que a TV Globo levou ao ar recentemente.Atualmente ele está em cartaz com Romeu & Romeu, no Chevrolet Hall, em Belo Horizonte, o mesmo espetáculo com o qual vai participar, no início de 2009, da Campanha de Popularização do Teatro. Mas deverá trazer a peça ao público de Ipatinga antes que isso aconteça. E só depois disso irá fazer as praças de Rio de Janeiro e São Paulo.“Ipatinga é meu lar, além de ter se tornado um importante pólo de cultura e alvo de desejo de todos os atores e diretores importantes, que vêem na cidade um público aquecido e uma infra-estrutura de dar inveja até aos grandes centros”, justifica o ator.RomeusRomeu & Romeu é uma comédia musical com texto escrito por Ronaldo Ciambroni, que entre outros textos memoráveis escreveu o famosíssimo “Acredite, um espírito baixou em mim”. A produção do espetáculo é da Cangaral Produções, de Ílvio Amaral e Maurício Canguçu, com direção de Kalluh Araújo. No elenco, além de Fabrízio Teixeira estão os atores Leleo Scarpelli, Bruno Félix, Gilberto Rodrigues e Leo Grandinetti.“O espetáculo fala de amor, esse sentimento universal que sempre faz com que tudo na vida valha a pena, e é também uma leitura homossexual do grande clássico “Romeu e Julieta”, de Willian Shakespeare”, justifica Fabrízio.Para ele, a peça contribui para a valorização das minorias, num momento em que a eleição de Barack Obama, nos Estados Unidos, traz o assunto minoria para o foco de todas as lentes. “Através da reflexão proporcionada pelo espetáculo, contribuímos para que as pessoas que o assistam saiam do teatro menos preconceituosas do que podem ter entrado”, pontua o ator.Fabrízio garante que Romeu & Romeu dá às pessoas uma chance de entendimento e compreensão do amor entre seres humanos enquanto seres humanos, independentemente do sexo que tenham em suas certidões; pessoas comuns, com as mesmas qualidades, desejos, sonhos e carências de qualquer outro ser humano. “É preciso quebrar paradigmas e barreiras, cumprir a função social do teatro, lutar contra todas as formas de preconceito”, aconselha.VitrineSobre sua atuação no teatro mineiro após desempenhar papéis televisivos na TV Globo, Fabrízio Teixeira afirma que atuar no teatro mineiro abre portas e funciona como uma vitrine para o eixo Rio – São Paulo. O ator tem feito alguns testes para novos papéis na telinha, mas neste momento optou pelo desenvolvimento de sua verve teatral.Outro projeto com o qual está envolvido é a realização de um espetáculo que será apresentado em Brasília, a Conferência Global para Paz, onde ele dividirá o palco e os microfones com ninguém menos que Tânia Mara, esposa do diretor Jayme Monjardim, que ficou famoso pela direção da novela Pantanal.“É um espetáculo que será realizado num grande ginásio poliesportivo, o Nilson Nélson, com milhares de pessoas nas arquibancadas e milhões assistindo via TV, ao vivo, no qual apresentaremos shows artísticos e musicais com artistas dos mais diferentes matizes, estilos e religiões”, explica Fabrízio.Qualidade “duvidosa”Formado em Administração de Empresas pela Faculdade Newton Paiva e MBA em Gestão de Pessoas pela UFMG, Fabrízio Teixeira falou também sobre o exercício da profissão de artista. “As dificuldades são as mesmas de qualquer outra profissão, mas é muito difícil sobreviver e pagar as contas do mês apenas com o trabalho no teatro. E é isso que a TV nos dá, rentabilidade e mídia, abrindo portas que se refletem inclusive na bilheteria dos espetáculos que fazemos no teatro”, explica.Ele questiona apenas a batalha emocional que é decidir entre a qualidade do trabalho no teatro e a superficialidade do trabalho na televisão. “O que vemos hoje é muita qualidade duvidosa sendo amparada por rostinhos e corpos bonitinhos e desejados”, arrisca-se Fabrízio, para quem a TV é uma máquina em constante movimento, onde a maioria das pessoas que chega não quer ser ator, mas uma mera celebridade.“Há uma linha tênue que divide o sucesso e o fracasso, mas eu tenho conseguido equilibrar tudo o que acontece na minha carreira, de modo que as coisas aconteçam de forma natural e cada uma delas na hora certa”, explica. Àqueles que estão chegando agora ao mercado de trabalho, Fabrízio Teixeira aconselha: “Estudem, estudem muito, não parem jamais de aprender, porque o conhecimento e a evolução são algo que ninguém, em nenhum sistema, consegue tomar de você. Não basta querer ser famoso é preciso se preparar para o sucesso, e só se consegue isso através do aprendizado constante”, concluiu o ator.Nivaldo Resende
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