15 de novembro, de 2008 | 00:00
Diabetes aflige jovens
Mau hábito alimentar e falta de exercício são os grandes vilões
Fotos: Bruno Jackson
Iriley Castro reforça que não há motivo para temer a aplicação de insulina, tendo em vista a variedade de equipamentos para esse fim
IPATINGA Os péssimos hábitos alimentares e o ritmo de vida sedentária continuam sendo os principais fatores que levam as pessoas a contraírem diabetes, doença que tem atingido cada vez mais os jovens no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Até 2025 o país deverá passar do oitavo para o quarto lugar no ranking mundial de pessoas maiores de 18 anos com diabetes. O número de brasileiros nessa faixa etária que vive com a doença chegará a 17,6 milhões, quase 2,5 vezes mais que os atuais 7,3 milhões de adultos. Nesta sexta-feira, 14, foi lembrado o Dia Mundial de Diabetes. Para falar sobre os hábitos que mais têm provocado a doença, o DIÁRIO DO AÇO traz uma entrevista com o endocrinologista Iriley Castro Souza. O especialista atende em uma clínica no Centro, na rede SUS pelo município e no Hospital Vital Brazil, em Timóteo.Para Iriley Castro, as facilidades do mundo moderno têm se tornado um fator potencial para desenvolvimento da obesidade e, em conseqüência, de diabetes. As pessoas têm alegado falta de tempo, e por isso se alimentam de maneira inadequada, consumindo muita comida industrializada e os populares fast foods. As crianças também têm se alimentado inadequadamente e não exercitam brincadeiras que exigem do corpo, como antigamente. Portanto, a obesidade e a diabetes têm acometido as pessoas mais precocemente”, afirma.O endocrinologista revela dados curiosos sobre hábitos que adotamos e nos fazem ganhar quilos a mais ao longo do ano. Hábitos estes relacionados às comodidades ofertadas pela tecnologia. Se a pessoa colocar uma extensão de telefone no seu quarto e passar a atender somente neste local os telefonemas, ela ganhará 2,5 quilos durante o ano. Outro exemplo: usar somente vidro elétrico no carro e não a manivela manual rende 1,5 quilo por ano”, informa.O especialista ressalta que ao se falar em atividade física como arma” contra diabetes, não há necessidade de exageros. Não é preciso fazer exercício além do limite. Uma caminhada de 30 minutos, cinco vezes por semana, por exemplo, é suficiente. Podemos também abandonar alguns hábitos, como deixar de usar o elevador e subir escadas ou abdicar do carro e ir a pé aos locais próximos à nossa casa. O ideal é fazer atividade física regularmente, além de manter uma alimentação saudável”, orienta Iriley Castro. ConseqüênciasO endocrinologista ainda alerta que a diabetes pode desenvolver outras doenças. Quem possui diabetes é mais propenso à hipertensão, problema de colesterol, infarto, derrame, problemas renais, cegueira, lesões nas pernas, além de aumento de disfunção erétil (impotência sexual). Por isso é essencial que as pessoas evitem alimentos hipercalóricos e façam atividade física”. Iriley Castro estende sua preocupação às crianças. Hoje, elas estão consumindo muitos alimentos hipercalóricos e desenvolvendo níveis de obesidade antes atingidos somente por adultos. Os pais precisam ficar atentos e acompanhar a alimentação dos filhos, para que eles não se tornem obesos e, conseqüentemente, alvos para diabetes”, adverte.
As atividades cotidianas de João Batista garantem seu bem-estar
Simples iniciativas auxiliam tratamentoHá um ano, o aposentado João Batista Barros, de 67 anos, faz tratamento contra diabetes com o endocrinologista Iriley Castro Souza. Ele (João Batista) chegou ao consultório com glicose de 736 mg/dl, sendo que o normal é 100 mg/dl. Hoje, o nível está em 80 mg/dl”, afirma o médico. O avanço no tratamento do aposentado não surtiu efeito apenas em razão da aplicação das doses de insulina. João Batista não abre mão de trabalhar em seu sítio, em Antônio Dias, como um paliativo ao seu tratamento. Faço muita coisa no quintal, tiro leite, ando a cavalo e roço pasto. Essas coisas me fazem sentir bem”, diz João Batista, que aconselha aos diabéticos a não temerem as agulhas de insulina. O tratamento é importante. Antes, eu sentia muita dor na perna, desânimo e muita sede. De um ano para cá, esses sintomas acabaram”, afirma o aposentado. Para Iriley Castro, as atividades de João Batista em seu sítio são fundamentais. O tratamento é imprescindível e não há por que temer a aplicação com agulhas, especialmente porque existe uma variedade de equipamentos para aplicação da insulina. Mas é indispensável também abandonar o comodismo. É isso que o João Batista faz. As suas atividades cotidianas contribuem para aumentar o seu bem-estar”, observa o endocrinologista.Bruno Jackson
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