19 de novembro, de 2008 | 00:00

Economia mundial em debate

Economista de Fabriciano participa de encontro internacional no RJ

Wôlmer Ezequiel


Klênio Barbosa acredita que a crise afeta diretamente a economia regional
IPATINGA – Economistas de renome mundial são esperados no Rio de Janeiro, de amanhã até sábado (22), para o Encontro Latino-Americano da Sociedade Econométrica dos Estados Unidos (Lames, sigla em inglês) e da Associação de Economia da América Latina e do Caribe (Lacea). O objetivo é debater teorias econômicas e problemas atuais como a crise financeira mundial, pobreza, educação, entre outros temas. O encontro terá aproximadamente 700 palestrantes, entre eles os vencedores do prêmio Nobel: Eric Maskin, Daniel McFadden, Roger Myerson e Michael Spence. A região estará representada no evento pelo economista fabricianense Klênio Barbosa, ora fazendo doutorado na Escola de Economia de Toulouse, na França. Klênio Barbosa explicou que o congresso será divido em duas partes. “Acontece um encontro de teoria e outro de estudo de política econômica. A idéia é juntar avanços teóricos em certos campos e a política aplicada. É um encontro muito importante. Nesse momento os economistas do mundo estão preocupados com vários cenários. Os principais profissionais discutirão pesquisas acadêmicas e sistemas de conjunturas relacionados a questões atuais”, informou. Dentro do grupo de pesquisas acadêmicas, Klênio vai apresentar seu trabalho de doutorado que começou a ser desenvolvido no Rio de Janeiro e está em fase de finalização na França. Conforme Klênio, a pesquisa avalia o sistema de crédito comercial nos Estados Unidos. “A proposta é entender um pouco mais sobre o que acontece com as taxas de juros de crédito comercial nos EUA. Lá, empresas de diferentes segmentos pagam a mesma taxa de juros. Isso é difícil de entender porque a pessoa que está concedendo crédito pode cobrar taxa menor ou menor dependendo do risco. A idéia é explicar como isso funciona”, explicou.  Reflexos no Brasil Ao fazer uma breve análise sobre a crise econômica mundial, Klênio Barbosa disse que a redução do consumo nos EUA afeta a exportação do Brasil. “Aparentemente, isso não tem muita ligação direta com o Brasil porque o nosso país tem uma pauta de exportação diversificada. Nossas exportações de aço e outras commodities vão para a China, que vende para os EUA. Então, com a queda de consumo americano houve redução de demanda por produtos brasileiros”, disse. De acordo com o economista, é preciso rever as estratégias de investimentos. “Nós estamos colhendo os frutos de cinco anos de expansão acelerada. Por enquanto a crise está na parte real com a redução de demanda, de produção e de desemprego. Mas o que mais é temido é a crise do setor financeiro”, alertou. Klênio explicou que crises financeiras causam recessões em países porque a base do sistema de organização da produção é feita em função dos sistemas financeiros. “Se ele quebra, todo o desenvolvimento que acumulou em anos vai junto. Então, vem a indagação: salvar o sistema ou não? Por que salvar o sistema financeiro se pessoas que estavam em atividades arriscadas sabiam disso? Só que o sistema, como o banco, é por definição solvente e ilíquido”, declarou. Esse clima de insegurança, na opinião de Klênio, aumenta o risco de um colapso. “No momento de crise, temos a chamada corrida bancária. Acontece da seguinte forma: as pessoas vêem uns bancos quebrando, ficam com medo e sacam o dinheiro de sua conta. Com todo mundo fazendo a mesma coisa, todos os recursos saem. Se criar a incerteza sobre o sistema financeiro, você causa o colapso de instituições sólidas pelo simples fator psicológico. Isso porque os bancos fazem outras transações com dinheiro dos clientes. O grande medo hoje é a essa crise se estender para os bancos que estão sólidos. Crises bancárias fazem quebrar o sistema financeiro”, lembrou. Regulamentação Diante desse momento acontece uma grande discussão sobre o Acordo de Basiléia, que visa a regulamentação do mercado financeiro. “O acordo prevê a aplicação das mesmas regras impostas aos bancos comerciais para os bancos de investimentos. Uma delas é que a instituição não pode ingressar numa atividade financeira mais alta do que seu capital. Isso até então não afetava os bancos de investimentos. A idéia é colocá-los mais na ‘linha’”, esclareceu o economista.Reflexos na regiãoNa opinião de Klênio, a região é atingida diretamente pela crise pelo fato de ser muito dependente da produção de aço para o mercado externo e doméstico. “A indústria automobilística do Brasil está enfrentando problemas, fruto da redução do crédito internacional. A região vai sofrer um pouco com isso. Acho que vai reduzir o número de empregos e a expansão tão esperada na região pode não ser tão acelerada. Minha perspectiva é a de que o período de vacas gordas tenha passado um pouco. O setor exportador brasileiro, como Usiminas, Cenibra e ArcelorMittal teve cinco anos de explosão”, opinou. Diante do cenário incerto e com a chegada do 13° salário, o conselho do economista segue a lógica dos demais: guardar dinheiro. “Em virtude dessa insegurança é melhor guardar dinheiro, porque se as coisas não forem tão ruins você tem uma poupança. Se piorarem, fazer dívidas pode comprometer sua vida por um longo período. É bom evitar gastar muito no Natal, apesar de ser difícil. Mas se você ia gastar tudo, gaste a metade. A palavra de ordem é não fazer dívida, ainda mais com a alta da taxa de juros”, aconselhou. Mercado imobiliário Sobre o ‘boom’ do mercado imobiliário na região em função da expansão da Usiminas, Klênio Barbosa acredita que a supervalorização de imóveis pode desacelerar. “Esse aumento se deu aqui na região devido a uma demanda de serviço. Havendo retração da indústria, não sei se o preço vai reduzir, mas a aceleração dos preços dos imóveis será muito menor”, salientou Klênio Barbosa.Polliane Torres
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