29 de novembro, de 2008 | 00:00
Empresários e ambientalistas divididos sobre novo aeroporto
REVÉS DO BELÉM A comunidade do distrito de Revés do Belém, em Bom Jesus do Galho, está no centro de uma polêmica entre os que defendem a construção do novo aeroporto da Usiminas no local e os que são contra a obra. Segundo o vice-diretor da Escola Estadual João Paulo II, Vander César Lopes, representantes da empresa YKS, de Belo Horizonte, que presta serviços à Usiminas, foram à escola há uma semana para dialogar sobre o assunto. Vander César, que tem acompanhado de perto as discussões em torno do novo aeroporto, disse que a YKS está preocupada com a movimentação de um grupo de professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Universidade Federal de Goiás (UFG), exigindo que o aeroporto seja construído em outro local. A comunidade científica está fazendo pressão para que a Superintendência Regional do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Leste Mineiro (Supram LM), ligada ao Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), suspenda a análise da concessão de licença ambiental para a construção do aeroporto. Os professores temem que o empreendimento acarrete prejuízos ambientais ao Parque Estadual do Rio Doce (Perd), última reserva intacta de Mata Atlântica de Minas Gerais. O novo aeroporto da Usiminas, projetado para ser construído entre Revés do Belém e o município de Pingo DÁgua, a 31 quilômetros de Ipatinga, vai se chamar Aeroporto Internacional Parque do Rio Doce. O empreendimento vai ficar a 600 metros da divisa do Perd. O terreno fica na zona de amortecimento do Parque, classificado como Reserva da Biosfera. Vander César Lopes afirma que a maior parte da comunidade de Revés do Belém é a favor do aeroporto no distrito. Ele defende que é preciso haver um entendimento entre ambientalistas e empreendedores. A comunidade científica, por meio de professores universitários, está fazendo o papel dela, mas creio que seria mais louvável haver uma conciliação entre os grupos ambientalistas, sociais e econômicos. Em pleno século XXI, os empreendimentos são balizados nestes três patamares. Nesta era da humanidade é possível alcançar a conciliação entre as três partes”, avalia Vander César. RedençãoA comunidade de Revés do Belém passou por uma transição socioeconômica depois que a Acesita foi privatizada. Hoje, quem controla a empresa é o grupo ArcelorMittal. Na análise de Vander César Lopes, a materialização do Aeroporto Internacional Parque do Rio Doce seria a redenção para o povo de Revés, promovendo uma reviravolta no processo de transição por que passa a região. A realização deste empreendimento representará, para todos nós, o movimento de saída da era do carvão vegetal para entrarmos definitivamente na era contemporânea. A origem da nossa comunidade está ligada à extinta Acesita. Estamos vivendo essa transição e esse baque social e econômico. Nós acreditamos que a vinda do aeroporto da Usiminas para a nossa região vai gerar impostos. E com dinheiro no caixa, acreditamos que o governo de Bom Jesus do Galho poderia trazer os benefícios que o povo de Revés do Belém anseia e precisa”, enfatiza Vander César.Processo pode entrar na pauta da Supram dia 19No próximo dia 5, o presidente do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), Shelley de Souza Carneiro, avalia se o processo de concessão de licença para a construção do novo aeroporto da Usiminas entra na pauta de votação da Superintendência Regional do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Leste Mineiro (Supram LM), ligada ao Copam, em reunião agendada para 19 de dezembro. Na próxima semana, vamos receber os processos relacionados para a pré-pauta. A partir daí são concedidos mais cinco dias para adequações. No dia 19, ocorre o julgamento dos processos”, esclarece Maria Helena, diretora operacional da Supram LM. Segundo ela, ainda não é possível saber se o processo de licença do aeroporto da Usiminas será apreciado por Shelley de Souza Carneiro no dia 5. Depois de dezembro, a próxima reunião da Supram LM acontecerá somente em fevereiro.Bruno Jackson
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