02 de dezembro, de 2008 | 00:00

Metasita convoca trabalhadores

Campanha salarial pode ser definida hoje na ArcelorMittal em Timóteo

Arquivo/DA


Carlos Vasconcelos: decisão soberana é dos trabalhadores
TIMÓTEO – “Dessa vez, esperamos uma maior adesão por parte dos trabalhadores. Afinal, são os interesses, os direitos da classe metalúrgica que serão definidos”. A afirmação, em tom de expectativa, é do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Timóteo e Coronel Fabriciano (Metasita), Carlos Vasconcelos, que conversou com o DIÁRIO DO AÇO sobre a assembléia que será realizada hoje (7h30, 13h, 15h30 e 18h), na sede do sindicato, no bairro Timirim. A votação desta terça-feira pode ser decisiva para o processo negocial da campanha salarial 2008/2009 entre os metalúrgicos e a ArcelorMittal Inox Brasil Timóteo, uma vez que a data-base (já estendida) se encerra nesta quarta-feira (3). A proposta que será votada pelos trabalhadores é resultado de duas reuniões de intermediação na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), em Belo Horizonte. No último dia 25, a auditora fiscal do Trabalho, Alessandra Parreiras Fialho, que também é chefe da Seção de Relações do Trabalho da SRTE, ao propor a renovação dos itens do atual acordo coletivo (2007), alterou os seguintes itens econômicos: reajuste salarial de 7,26% referentes às perdas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC); 2% de aumento real; e Participação de Lucros e Resultados (PLR) no valor R$ 3.600, mais 80% do salário, com garantia mínima de R$ 4.800. Do valor da PLR serão descontados os R$ 1.400 da antecipação. O valor destinado ao reembolso-óculos, que passa de R$ 170 para R$ 300, também consta dos itens da proposta. “A empresa também se comprometeu a liberar e arcar com o ônus de dois diretores, dos três funcionários que atuam na diretoria do sindicato”, acrescentou o presidente.Vasconcelos frisou que, apesar de elaborada pela Superintendência, trata-se de uma proposta consensual entre sindicato e empresa. O líder sindical admite que o Metasita fará um indicativo de aprovação, mas acrescenta que a deliberação caberá, exclusivamente, ao trabalhador. “Cabe ao sindicato negociar à exaustão, e aos metalúrgicos a definição soberana do processo”, afirma o presidente, que estima o comparecimento de cerca 1,5 mil trabalhadores na assembléia.Questionado sobre a possibilidade de a proposta ser rejeitada, o sindicalista disse que, caso isso ocorra, o sindicato deverá buscar outros mecanismos. “Prefiro aguardar o resultado das urnas, que refletirá a vontade dos metalúrgicos”, afirmou, cauteloso. Apesar de entender que esta proposta é melhor que as anteriores, Carlos Vasconcelos, novamente, criticou: “As questões sociais foram deixadas de lado.” Segundo ele, na pauta de reivindicações do Metasita, aprovada em assembléia pelos metalúrgicos, constavam itens relacionados à qualidade de vida (retorno de férias, fim do turno fixo, adicional de insalubridade, bolsa de estudo e outros), questões que a empresa se recusa a discutir. Demissões na ArcelorNa entrevista concedida ontem, Vasconcelos ainda falou sobre as possíveis demissões que serão feitas pelo grupo siderúrgico mundial ArcelorMittal, conforme notícia já divulgada pelo DIÁRIO DO AÇO. De acordo com o presidente do Metasita, na última quinta-feira, 27, durante encontro com representantes da ArcelorMittal Inox Brasil Timóteo, a empresa oficializou que a planta local também será afetada. O sindicalista disse que foi repassado ao sindicato que ainda não há detalhamento da situação.“Segundo os representantes da empresa, as diretrizes a serem adotadas ainda serão definidas.” Ainda de acordo com Vasconcelos, não foi dito qual o modelo de demissão (voluntária ou indicativa) será adotado na usina de Timóteo, e nem mesmo o número de desligamentos.Na opinião de Carlos Vasconcelos, essa escassez de informações contribui para aumentar o clima de especulação. “Há várias formas de condução do processo. Esperamos que a empresa tenha sensibilidade para adotar aquele que venha a causar menos impactos na sociedade”, argumenta. O sindicalista acrescenta que informações anteriormente noticiadas, como, por exemplo, a diminuição da produção, aumenta a tensão entre a classe metalúrgica.  Números mundiaisEm comunicado divulgado na semana passada, o grupo ArcerlorMittal informou que pretende demitir até nove mil empregados, o que corresponde a 3% da força de trabalho do grupo em âmbito mundial. Conforme o comunicado emitido pela empresa, as demissões atingirão, primeiramente, os empregados dos setores não-produtivos, que trabalham em vendas, administração e serviços gerais. Nessas categorias, o grupo, considerado o maior conglomerado siderúrgico do mundo, teria como meta reduzir seus gastos em US$ 1 bilhão. Na Europa, cerca de 6.000 empregos estariam ameaçados.A reportagem do DIÁRIO DO AÇO, em contato com a Gerência de Comunicação da ArcerlorMittal Inox Brasil Timóteo, foi informada que a empresa não irá se pronunciar sobre o assunto, sob a alegação que a condução desse processo é feita a partir de Londres.Landéia Ávila
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