07 de dezembro, de 2008 | 00:00
Jovens e participação política
Para sociólogo, maus exemplos afastam jovens da vida política
Divulgação
O sociólogo disse que os jovens estão mais voltados para a formação e carreira profissional
IPATINGA - Além de prestar consultoria em educação, João Batista dos Mares Guia dedica-se à literatura. Ele está escrevendo um livro sobre o emblemático ano de 1968, com a proposta de avaliar a importância do movimento estudantil no Brasil e as ações da esquerda revolucionária, dos quais participou ativamente. Escrevo essa história com o olhar de sociólogo, tentando ser imparcial. É um grande trabalho de pesquisa”, disse. O livro será lançado em março de 2009 e o título deve ser 1968 uma utopia possível”. O sociólogo contou que não pretende parar de escrever. O livro termina retratando o final de 1968. O próximo será sobre os anos 70 até a redemocratização do Brasil, chamando atenção para a formação da sociedade civil”, antecipou. Na opinião de Mares Guia, o ano de 1968 cumpriu seu papel e não deve ser eternizado. Não podemos projetá-lo para as novas gerações. 1968 foi peculiar, eram 300 mil universitários no país, mais da metade era de classe média. Era tudo muito diferente. Hoje o quadro é muito adverso. O sistema de valores alterou. Precisamos extrair de 1968 o que teve de universal e válido, como por exemplo a revolução feminina e a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos. Ele é filho de 68. Se não fosse o movimento dos direitos civis nos EUA, Obama não seria eleito”, observou.Mas agora é hora de olhar para o futuro com uma nova perspectiva. Mares Guia ressaltou que hoje as preocupações dos jovens são diferentes. Eles vivem um clima de instabilidade psíquica, competição, tensão, medo do futuro e insegurança em torno da inserção no mercado. Por outro lado, o jovem bem-sucedido no vestibular possui uma cultura prodigiosa. Se faz o curso superior particular ele quer trabalhar para pagar. O jovem de hoje se preocupa com estabilidade profissional, renda e patrimônio”, apontou. Diante disso, o sociólogo disse que não vê o desinteresse por política da nova geração como individualismo possessivo e alienação. É preciso dar formação humanística para esses jovens e fazer com que eles descubram seus novos papéis sociais e sejam inseridos na sociedade. Aí entra o papel da minha geração. Quando o político pratica corrupção e renega sua biografia, seus valores fundamentais e a própria idéia de democracia, ele sinaliza pessimismo. Antes de criticar, os jovens da minha geração devem pensar em quais sinais de esperança no campo de valores estamos passando para os adolescentes. Antes de criticá-los temos que pensar em quais exemplos estamos deixando para eles”, finalizou João Batista dos Mares Guia.
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