07 de dezembro, de 2008 | 00:00

Gestão educacional reconhecida

Ipatinga receberá condecoração do Ministério da Educação no dia 17

Polliane Torres


Mares Guia disse que a educação no Brasil avançou na inclusão, mas ainda deixa a desejar em termos de qualidade
IPATINGA – O modelo de gestão em educação de Ipatinga está entre os oito melhores do Brasil. A cidade é finalista do Prêmio Nacional Inovação em Gestão Educacional, promovido pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O objetivo é condecorar as experiências municipais mais bem-sucedidas na área de inovação na gestão do país. Todos os oito finalistas receberão premiação entregue pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, no próximo dia 17. O anúncio foi feito pelo sociólogo João Batista dos Mares Guia em visita ao município na semana passada. “Ipatinga tem grandes chances de ficar entre os três primeiros”, declarou em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO. Mares Guia fala com conhecimento de causa, por ter prestado consultoria à Secretaria Municipal de Educação. Seu trabalho contribuiu para várias reformulações feitas na gestão educacional que levaram a cidade a ficar bem situada na disputa. O sociólogo contou como funcionou o processo de seleção. “Após as inscrições, os trabalhos das cidades são examinados. É feita a primeira seleção com mais de cem municípios. Em seguida, equipes técnicas do Ministério da Educação visitaram cada um deles. Entre eles, oito foram para a final”, explicou. O consultor apontou as três principais inovações que levaram Ipatinga à final do Prêmio. A primeira foi a criação do Programa de Alfabetização e Letramento (Proale). O instrumento permite a identificação em cada escola de quais alunos estão com dificuldade de aprendizagem, principalmente em Português e Matemática. “Esses alunos voltavam no turno reverso para ter, pelo menos duas vezes por semana, um reforço escolar individualizado”, detalhou. A outra mudança foi na eleição de diretores das escolas. Para concorrer ao cargo, o profissional deve atender aos seguintes pré-requisitos: ser concursado, ser da rede, ter no mínimo cinco anos de experiência em escolas, não ter sido alvo de inquérito administrativo e ter trajetória de reputação ética na rede de ensino. “Na primeira etapa do processo, a pessoa fez um curso com seis módulos e, ao final, apresentou uma monografia que era o projeto de gestão da escola que ela pretendia dirigir. O trabalho foi examinado por uma banca formada por mim e outras profissionais de Belo Horizonte e Uberaba. A nota mínima era 65 e felizmente todos foram aprovados. Após a aprovação, eles concorreram à eleição”, informou. A terceira inovação apontada por Mares Guia não chegou a ser implantada. É o Contrato de Gestão em que a Secretaria de Educação e cada escola negociam as metas gerais de desenvolvimento da educação baseadas em resultados em exames nacionais. Para otimizar esse controle seria usado o índice Guia, criado por Mares Guia. “Ele permite o monitoramento do processo. O índice mede a qualidade da gestão na sala de aula, avaliando o desempenho do professor e da gestão da escola, por mês e por bimestre”, comentou. Mares Guia, que também presta Consultoria para a Bahia, implantou no Estado as mesmas inovações feitas em Ipatinga. De acordo com ele, esse índice e o Contrato de Gestão foram adotados na Bahia mediante um decreto do Governador, assinado em outubro, para o atendimento das 1.760 escolas da rede estadual. Inclusão e baixa qualidade na educaçãoSobre o panorama da educação brasileira, João Batista dos Mares Guia disse que tem uma perspectiva “contidamente otimista”. Segundo ele, nos últimos 15 anos o país superou o desafio da inclusão de brasileiros no ensino fundamental, médio e infantil. “Até os anos 90 só freqüentava o ensino médio quem pudesse pagar escola particular ou quem tinha acesso às escassas escolas públicas. Os pobres chegavam ao máximo até o fundamental. Hoje tem mais oferta de matrícula do que demanda. São 9.300 milhões de alunos no ensino médio. O estoque de vagas ultrapassa isso. Já na educação infantil, imagino que a inclusão total acontecerá até 2010”, analisou.Outro ponto levantado pelo sociólogo é o avanço do ensino técnico. Mares Guia destacou a importância da construção de mais 240 unidades do Cefet (Centro Educacional de Educação Tecnológica). “Um mérito que pertence ao governo Lula é a redescoberta da educação profissional que foi muito desvalorizada neste país. A combinação do ensino médio com a educação profissional é semelhante ao modelo americano e europeu”, frisou. De acordo com Mares Guia, na área universitária a oferta de vagas aumentou. “Comparando ao que o ex-presidente Juscelino Kubitschek fez em 50, praticamente dobramos o número de universidades federais no Brasil. A universidade federal é um fator cultural de inovação porque forma recursos humanos e capital intelectual. Além disso, é fator de atração de investimentos e desenvolvimento”, argumentou. O maior problema apontado por Mares Guia é a qualidade, como foi diagnosticado no último Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) que avalia estudantes de 15 anos em matemática, ciência e linguagem. “De 57 nações que participam, o Brasil está em 53° lugar. Mas pelo menos sabemos diagnosticar as causas dos nossos insucessos. O Ministério da Educação está conseguindo atacar todas as frentes ao mesmo tempo”, pontuou. Uma das críticas feitas pelo sociólogo ao sistema de ensino brasileiro é a falta de um plano de carreira no magistério. “Ele tem que ser baseado em verificação do desempenho do profissional, que deve ser estimulado e premiado. Em contrapartida, aquele que não quer aprender deve ser demitido em função do mau desempenho”, recomenda Mares Guia. Polliane Torres
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