11 de dezembro, de 2008 | 00:00

“O presente sempre vem...”

Número de cartas ao Papai Noel quase dobrou nos Correios em Ipatinga

Fotos: Polliane Torres


Estes são os presentes recebidos na agência central de Ipatinga apenas no dia de ontem
IPATINGA – “Papai Noel, quero ganhar uma bola de couro, você pode me dá?”. Esse é apenas um dos vários apelos ao bom velhinho registrados nas 1.650 cartas enviadas até ontem à agência central dos Correios em Ipatinga. O número de pedidos quase dobrou em relação ao ano passado, conforme avalia o gerente da agência, Catarino de Oliveira Freitas. Em 2007, a agência recebeu pouco mais de 900 cartas. Em Coronel Fabriciano, até ontem foram recebidas 300 cartas, e 58 delas já haviam sido apadrinhadas. Já em Timóteo, por coincidência, 58 pessoas haviam assumido o compromisso de atender aos pedidos das 400 cartas então disponíveis. Segundo Catarino, o aumento do número de cartas em Ipatinga reflete a intensa divulgação na mídia, o boca a boca entre as crianças e o trabalho de sensibilização feito pelos Correios. O gerente disse que, neste ano, o envolvimento da sociedade está mais visível. Prova disso é que, até ontem, 850 cartas já contavam com apadrinhamento. Segundo ele, neste ano as empresas também estão participando de maneira mais significativa. “Neste ano estamos recebendo um grande apoio, haja vista que várias empresas pegaram cartas, além de algumas faculdades e pessoas físicas. Estamos correndo atrás também, fazendo um papel de vetor, captando padrinhos em vários locais da cidade. A tendência é que o número de cartas aumente cada vez mais. Por isso precisaremos muito do apoio da sociedade”, resumiu.Diante da grande demanda, foi antecipada a entrega das doações. Em Ipatinga, 111 crianças já receberam seu presente. O gerente contou que a agência ainda está recebendo cartas. O prazo máximo para apadrinhar os pedidos é até o dia 19. Catarino de Oliveira explicou como funciona a logística do projeto Papai Noel dos Correios. “O Correio cadastra as cartas recebidas com um código de barra. O padrinho fica com a carta e a etiqueta, que é colocada no embrulho do presente, contendo o endereço da criança. O pacote é entregue como encomenda registrada”, detalhou.

Durante todo o dia, várias pessoas acessam a caixa que contém pedidos diversificados
Os pedidos contidos na caixinha são variados e alguns emocionantes. Como o de uma menina que pede uma bolsa (mochila) para ir pra escola, já que seu pai não tem condições de pagar seus estudos. Ou mesmo do menino que pede um carrinho de controle remoto, porque a mãe está desempregada e “falta até comida em casa”. Tem também pedido de mãe que, alegando falta de condições, intercede pela filha de pouco mais de um ano de idade que deseja ganhar uma boneca. Mas os pedidos ousados não ficam de fora das cartinhas. Tem até criança pedindo notebook e videogame de última geração.    Solidariedade O movimento de pessoas em volta da caixa que acolhe as cartinhas é grande durante o dia. As entregas de presentes também são constantes. Na tarde de ontem, o estudante de administração Hugo Oliveira Carvalho, 24 anos, deixou na agência o presente de seu afilhado, residente em Belo Oriente. A criança pediu material escolar e uma mochila para ir à escola. Hugo contou que essa é a segunda vez que ele participa do projeto. Em 2007, um amigo explicou o funcionamento do processo e o convenceu a participar. “Neste ano, um colega que trabalha nos Correios levou umas cartas para a sala de aula e resolvi apadrinhar uma”, disse. O estudante classifica a iniciativa como importante por preservar o encanto da data. “Tenho birra do apelo comercial em torno do evento. O marketing é agressivo e quem não tem condições financeiras para atender ao apelo de consumo sofre com isso. No entanto, mesmo que eu não acredite mais em Papai Noel, acho injusto tirar esse encanto das crianças. É importante manter a esperança viva”, declarou.  Polliane Torres
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