19 de dezembro, de 2008 | 00:00

Chico Ferramenta, diplomado, reforça participação popular

Fotos: Wôlmer Ezequiel


Ferramenta beija a esposa, a deputada Cecília Ferramenta, ao receber diploma. À esquerda, a vice-prefeita eleita, Lene Teixeira. À direita, a juíza Maria Aparecida Grossi
IPATINGA – Carregado por dezenas de militantes petistas, o prefeito eleito Chico Ferramenta (PT) discursou ao lado da Câmara Municipal, no início da noite de ontem, após ser diplomado no Tribunal do Júri do Fórum de Ipatinga. Foi uma solenidade conturbada, do início ao fim, com um suposto troca-troca na lista de vereadores que receberiam seus diplomas. Por volta das 16h30 (meia hora antes da solenidade de diplomação), chegou ao Fórum um fax do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informando que Ipatinga teria 13 e não 14 vereadores. Dessa forma, após cálculo de novo coeficiente eleitoral, João Dorneles (PRTB) foi o mais prejudicado. Ele, que havia sido eleito, não foi diplomado sequer como suplente, visto que sua coligação (Movimenta Ipatinga) não atingiu coeficiente eleitoral suficiente. Também houve tensão em relação à diplomação de prefeito. Horas antes da solenidade, o prefeito Sebastião Quintão (PMDB), segundo colocado na eleição de 5 de outubro, ajuizou ação cautelar no TRE solicitando a suspensão da diplomação de Chico Ferramenta. Porém, o pedido de liminar foi negado pelo juiz Benjamin Rabello, ainda na tarde de ontem. O magistrado entendeu sua medida como a mais recomendável no momento. “Enquanto se discutem judicialmente questões atinentes ao registro, deve ser diplomado o candidato eleito, o que, além de resguardar a segurança jurídica, reconhece a soberania popular, que é a verdadeira expressão do Estado democrático de direito”, disse o juiz, em nota enviada pelo TRE. Benjamin Rabello lembrou que o registro da candidatura de Chico Ferramenta encontra-se hoje sob apreciação de recurso especial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No processo, não há ainda o trânsito em julgado das decisões dos recursos interpostos nos registros de candidatura. Visivelmente emocionado ao receber o diploma, Ferramenta não conteve o choro. “Este é um momento de muita emoção e quero agradecer primeiro a Deus pela nossa vida e nossa saúde. Agradeço ainda a todos os meus familiares e a todo o povo de Ipatinga que me elegeu, juntamente com a nossa vice, Lene Teixeira”, frisou Ferramenta, que aproveitou para reforçar as promessas de campanha que ele pretende colocar em prática no seu governo. “Vamos garantir a Escola de Tempo Integral; internet 100% grátis; implantar, de imediato, a Secretaria de Segurança Cidadã; trabalhar por um trânsito seguro, sem radar, mas com muita educação; e concluir as obras do Hospital Municipal”, enumerou o prefeito eleito.

Chico Ferramenta subiu em um carro de som para discursar aos seus eleitores
SecretariadoChico Ferramenta disse que, até o próximo dia 29, deve fechar sua equipe de governo. Ele não quis adiantar nomes que irão assumir as secretarias e salientou que sua administração será voltada para a participação popular. “Vamos formar uma grande equipe que vai nos ajudar a governar a cidade com seriedade, competência e, sobretudo, com participação popular. A Prefeitura será administrada de portas abertas. Isso é importante porque é assim que vamos conseguir o respeito e a democracia”, enfatizou. TapetãoO prefeito eleito Chico Ferramenta e sua vice, Lene Teixeira, não pouparam críticas ao prefeito Sebastião Quintão, que tentou barrar a diplomação de ambos por força de liminar. “Acho uma falta de respeito à cidade. Inclusive, utilizar de uma candidatura que teve 103 votos e ainda patrocinar advogados”, disse Ferramenta, referindo-se à candidatura de Amantino Oliveira (PSOL), que conquistou apenas 103 votos para prefeito. “Estamos pedindo uma investigação do Ministério Público Eleitoral, porque são muitas coincidências. O advogado da coligação que teve 103 votos (Coligação Única Esquerda Ipatinguense, de Amantino Oliveira) também é o advogado do atual prefeito que foi derrotado nas urnas pelo povo. Além disso, o escritório de advocacia que está trabalhando para essa candidatura de 103 votos presta serviços para a cidade e a Prefeitura. Então, pedimos essa investigação porque isso é uma falta de respeito muito grande, tentar tumultuar um processo em que o povo votou”, comentou Chico Ferramenta. Lene Teixeira ressaltou a vitória conquistada por meio do voto soberano. “Desde que terminou a eleição, nós temos acompanhado o movimento e todas as articulações do adversário para tentar impedir que a vontade do povo prevaleça aqui em Ipatinga. Mas ao nosso lado temos a legitimidade confiada pelo povo com os 64.147 votos que nos elegeram e isso é o que conta neste momento”, comentou a vice-prefeita eleita.Vereadores passam por tensão durante diplomaçãoAo discursar no Tribunal do Júri do Fórum de Ipatinga, ontem, o presidente da Câmara Municipal de Ipatinga, Nardyello Rocha (PMDB), ironizou: “Vamos ser breves para não chegar mais fax”, brincou o peemedebista, referindo-se ao documento que o Tribunal Regional Eleitoral enviou ao Fórum meia hora antes da solenidade de diplomação. A coligação PTC-PSB-PTdoB, que disputou a eleição proporcional em Ipatinga dia 5 de outubro, entrou com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo o aumento de 13 para 14 do número de vereadores em Ipatinga. Porém, nesta semana, a própria Coligação, que era da base de apoio do prefeito de Ipatinga, Sebastião Quintão, desistiu de prosseguir com o processo. Sendo assim, na tarde de ontem o TRE confirmou que Ipatinga teria mesmo 13 vagas no Legislativo. Por um instante, César Custódio Dias (PPS) e Zé Fernandes (PSB) passaram a integrar as 13 vagas, suprimindo as cadeiras de Agnaldo Bicalho (PT), Nilton Manoel (PMDB) e João Dorneles (PRTB). Foram diplomados em Ipatinga os seguintes vereadores eleitos: Nardyello Rocha (PMDB), Pedro Felipe (PTB), Agnaldo Bicalho (PT), Dário Teixeira (PT), José Geraldo “Amigão” (PV), Maria do Amparo (PDT), Nilson Lucas Gonçalves, o Nilsinho (PMDB), Nilton Manoel (PMDB), Roberto Carlos (PV), Robson do Sindicato (PPS), Saulo Manoel (PT), Adelson Fernandes (PSB) e Sebastião Guedes (PT). Foram diplomados suplentes: Ademir Cláudio Dias (DEM), Célio Aleixo, o Celim (PMDB), César Custódio da Silva (PPS), Zé Fernandes (PSB), Juarez Carlos Pires (PT) e Marisa Gravina (PV).
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