20 de dezembro, de 2008 | 00:00
Enchente castiga Ilha do Rio Doce
Cerca de 600 pessoas desalojadas ficarão em barracas até domingo
Fotos: Wellington Fred
Hélio Braga, que ainda não teve problemas em sua casa, caminha com seu filho pela rua inundada
IPATINGA O aumento do volume de água no Rio Doce em decorrência das chuvas nas cabeceiras dos seus afluentes já atingiu os moradores da Ilha do Rio Doce, a cerca de 5 km de Ipatinga. Conforme informou a Defesa Civil de Caratinga, cerca de 150 casas foram invadidas pela enchente, desabrigando 600 pessoas. Alguns moradores saíram dos imóveis, mas outros teimam em resistir em meio ao perigo, temerosos de possíveis saques. Os desalojados que não conseguiram se abrigar em casas de parentes ou amigos vão ter que ficar em barracas armadas com a ajuda da Defesa Civil, provavelmente até a manhã de domingo. As águas estão a aproximadamente 5 metros acima do nível e, se não voltarem ao leito normal até a tarde de domingo, eles serão levados para o Clube do Cavalo. O coordenador da Defesa Civil de Caratinga, Paulo Calegar, informou que quando esse problema acontece as famílias são rapidamente removidas para o clube. No entanto, o espaço está alugado para um casamento no fim de semana e só a partir da manhã de domingo é que as famílias serão levadas para lá, se for necessário. Enquanto isso, vamos improvisar um abrigo com a instalação de barracas na parte alta da ilha”, informou. Segundo Paulo, após a estiagem a Defesa Civil e o departamento de engenharia realizarão uma inspeção na ilha para avaliar se há condições do retorno seguro dos moradores às suas casas. Drama Na manhã de ontem, algumas pessoas estavam abandonando suas casas e outras insistiam em permanecer. O comerciante Vicente Pacheco teve a varanda de sua residência levada pela correnteza. Salvei um pouco de coisas que coloquei na parte de cima da casa”, contou. Na hora da entrevista, Vicente ainda não havia conseguido chegar à sua casa. Ele aguardava os bombeiros para evitar acidentes. À noite, o risco será mais alto ainda. Todo ano ficamos em alerta e parece que neste ano o nível está subindo mais rápido”, declarou.
O campo de futebol da ilha foi completamente inundado pela cheia do rio
O morador reclamou que a Prefeitura de Caratinga não dá assistência aos moradores do local. Não apareceu ninguém aqui, na eleição eles vêm pedir voto. Espero que a partir de janeiro tenhamos melhoras com uma nova administração”, reclamou. Sobre a reclamação, Paulo Calegar disse que dias antes da inundação a Defesa Civil esteve no local alertando a população, mas as pessoas não aceitaram sair de suas casas. Prevenção O morador Hélio Braga de Melo, 30 anos, ainda não teve sua casa atingida pela enchente mas está preocupado. Perto de nós está até raso, mas estamos correndo risco porque a correnteza está muito forte. Todo ano, quando chove ficamos de olho aberto. Não perdi nada porque já coloquei minhas coisas em cima da casa”, falou. A estratégia de Hélio é adotada por parte dos moradores da ilha que têm melhores condições financeiras. Como medida preventiva, eles constroem casas mais altas e, na eventualidade de uma enchente, colocam seus pertences no telhado. Esse é o caso da moradora Eliandra Braga de Melo, 32, que saiu para trabalhar na manhã de ontem de barco, mas não teve prejuízos com a cheia. Ela conta que, após tantas enchentes no lugar, as novas construções são feitas para suportar essa situação sem maiores danos. Faz cinco anos que não há enchente aqui. Mas os moradores já fazem suas casas altas se prevenindo”, reforça Eliandra Braga.Wellington Fred e Polliane Torres
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