07 de janeiro, de 2009 | 00:00

Tragédia anunciada

Dois anos depois de deslizamento de terra que atingiu várias casas, moradores da rua Paracatu, em Fabriciano, vivem o mesmo drama

Fotos: Wôlmer Ezequiel


Área de risco no Universitários: local foi considerado comprometido pela Defesa Civil
FABRICIANO – “É um jogo de empurra-empurra entre a Copasa e a Prefeitura. E quem fica no prejuízo somos nós, os moradores. É um absurdo que essa situação esteja desse jeito até hoje.” O tom de indignação é da professora Lucimar da Silva Duarte Vieira, moradora do nº 139 da rua Paracatu, no bairro Universitários. Em frente à sua residência, mais uma vez, a professora se deparou na manhã de ontem (6) com um grande deslizamento de terra. No local, sem número, não há residência. A área foi isolada pela Defesa Civil, que recomendou aos moradores muita cautela ao transitar na rua, em boa parte comprometida.Numa coincidência quase trágica, na mesma rua, há dois anos, completados na última segunda-feira (5), uma queda de um barranco por pouco não vitimou Eni Rosa da Silva, 64, que morava no número 140. “Ela deslizou junto com a terra e só parou às margens do ribeirão Caladinho. Felizmente, sofreu apenas escoriações leves. Foi quase um milagre”, lembrou Lucimar.Depois de tanta chuva, a professora e sua vizinha Aline Keila de Souza, moradora do n° 151, admitiram à reportagem do DIÁRIO DO AÇO que dificilmente conseguiriam dormir na noite de ontem. “Quem mora na rua Paracatu não se esquece do drama daquela madrugada de 5 de janeiro de 2007. O fato de saber que a chuva cai lá fora e que a terra vai cedendo, com certeza vai tirar nosso sono”, disseram as moradoras, que ressaltam ter acionado a Defesa Civil um dia antes do acorrido. “Parecia que a gente estava sentindo que ia acontecer alguma coisa. Foi dito e feito, praticamente no mesmo dia daquela tragédia em que a dona Eni por pouco não morreu.”

As moradoras Aline (E) e Lucimar temem novos desastres no local
ResponsabilidadesAssim como em 2007, os moradores da rua Paracatu continuam responsabilizando a Copasa pelo deslizamento. “Acreditamos que um cano que passa na calçada, próximo ao barranco, tenha interrompido e umedecido a terra ainda mais”, opina Aline.A versão dos moradores não foi confirmada pelo gerente interino do Distrito da Microrregião do Médio Piracicaba da Copasa, Hudson Muinhos. “A concessionária não tem nenhuma responsabilidade. Com as fortes chuvas, houve maior precipitação de águas sobre o terreno, causando o seu desmoronamento”, ressaltou. O gerente ainda acrescentou que qualquer intervenção no local será de responsabilidade da Prefeitura e da Defesa Civil. “A Copasa não tem nenhuma relação com o acontecido”, esquiva-se.Em contrapartida, o secretário de Obras da Prefeitura de Coronel Fabriciano, Galba Gomes, por meio de sua assessoria, afirmou que, desde o episódio de dois anos atrás, a erosão do terreno tem sido cada vez maior. “O local está com fissuras e rachaduras.”De acordo com Galba, foi solicitado à Secretaria Municipal de Planejamento a elaboração de um projeto de construção de muro de arrimo no local, visando a estabilização do maciço. “A Prefeitura entende que a Copasa deve arcar com os reparos na área”, rebate. Contudo, a execução da obra ainda não tem responsável, já que o processo acerca da polêmica situação da rua Paracatu ainda tramita na Justiça.

Apenas do portão: há dois anos, Inês Oliveira não tem acesso à própria casa
Dois anos morando num quarto de hotelDesde o episódio de 5 de janeiro de 2007, um processo se arrasta pela Justiça. Os moradores da rua Paracatu e a Prefeitura de Coronel Fabriciano responsabilizam a Copasa, que na época realizava intervenções próximas ao local, que dá fundos para o ribeirão Caladinho.“Perdi todos os meus móveis, que ficaram dentro da casa. Tudo já apodreceu. Só venho aqui na rua para visitar a minha mãe. Mas, nessa época, sempre volto para o hotel com muito pesar de deixá-la.” Ex-moradora do número 190, Inês Oliveira Coutinho é uma das “sobreviventes” da rua Paracatu. Há dois anos ela reside no Hotel Gaspar, no centro da cidade. Inês, o marido e os três filhos adolescentes somam-se a outras três famílias que no dia 5 de janeiro de 2007 tiveram que deixar suas residências, que foram consideradas comprometidas pela Defesa Civil.RiscoEnquanto a situação não é resolvida na Justiça, a Copasa tem se responsabilizado pela hospedagem e alimentação das quatro famílias que tiveram as casas interditadas depois do grave acidente de dois anos atrás.“Na época, tive que deixar minha casa com a roupa do corpo. Só pude pegar os documentos, mais nada”, recorda Inês, que diz que não é fácil viver dentro de um único quarto. “É claro que é melhor viver no hotel do que correr risco com a minha família, mas a gente sente muita falta da rotina da nossa casa, dos amigos da rua”, lamenta.Landéia Ávila
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