15 de janeiro, de 2009 | 00:00
Eleição em clima quente
Escolha da nova direção do Sindipa começa com denúncias de fraudes e agressões
Fotos: Paulo Sérgio de Oliveira
A Polícia teve muito trabalho para controlar os ânimos dos apoiadores das duas chapas
IPATINGA A eleição da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa) começou ontem em clima quente, como há muito não se via. A disputa, que vai até o próximo sábado (17), teve todos os ingredientes de antigas campanhas sindicais, com empurrões, discussões, denúncias e muita confusão.A Polícia Militar teve um grande trabalho, já no início da manhã, para controlar a animosidade entre os integrantes e partidários da Chapa 1, encabeçada pelo atual presidente do Sindipa, Luiz Carlos de Miranda, e Chapa 2, liderada pela ex-presidente da entidade e ex-vice-prefeita Marisa Gravina. A confusão começou logo em frente à sede do Sindipa, na avenida Fernando de Noronha, 90, no bairro Areal.Dezenas de viaturas e um grande número de policiais, fortemente armados, incluindo cães de guarda e equipamentos para controle de multidões, foram utilizados para acabar com a confusão. No comando, o recém-promovido tenente-coronel Moisés Marinho, sub-comandante que deverá ser guindado ao posto de comandante do 14º Batalhão.
Nivaldo Resende
As urnas saíram com atraso da sede do Sindipa, no Areal
FiscaisA confusão começou quando, na composição das mesas coletoras, ainda na sede do Sindicato, um dos mesários da Chapa 2 recusou-se a ocupar uma determinada posição dentro do carro que os levaria até as portarias da Usiminas para o início da votação. Logo surgiu um bate-boca e um empurra-empurra de ambos os lados, resultando em algumas pessoas com escoriações, uma pessoa detida e várias queixas de agressão de parte a parte.A confusão se estendeu para o lado de fora da entidade, onde informações desencontradas provocavam muita correria e troca de empurrões. Ao final, serenados os ânimos, sem a presença dos fiscais da Chapa 2 e sempre sob a vigilância severa da PM, a votação foi enfim iniciada. Durante todo o dia, houve grande movimentação nas portarias da Usiminas, mas sem maiores incidentes, conforme a Secretaria Eleitoral do Sindipa. No primeiro dia, exatos 1.003 metalúrgicos passaram pelas 12 urnas espalhadas pelo Sindicato em várias portarias da Usiminas.Troca de acusações entre os adversáriosComo em outras disputas eleitorais, sobraram acusações e explicações entre as duas chapas que disputam a eleição do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa). De acordo com o atual presidente e candidato à reeleição pela Chapa 1, Luiz Carlos de Miranda, todo o tumulto teria sido criado de propósito” pela Chapa 2 e seus apoiadores, incluindo militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), com a intenção de melar” o processo eleitoral.
Nas portarias da Usiminas, a votação transcorreu normalmente
Luiz Carlos garante que seguiu todas as determinações eleitorais previstas no Estatuto Social do Sindipa. Quando eles (a Chapa 2) retiraram os mesários e representantes da chapa de dentro do Sindipa, não tive outra alternativa senão completar a composição das mesas coletoras e determinar sua saída para a coleta dos votos”, justificou.Sob forte escolta policial e a bordo de viaturas da Polícia Civil, que tinha mais de uma dezena de agentes no local, sob o comando do inspetor Geraldo Caldeira, as primeiras urnas só saíram para a portaria da Usiminas no bairro Bom Retiro após as 9h. Às 9h30, saíram as urnas para a portaria do bairro Cariru; em seguida, as urnas para a portaria da Usiminas Mecânica; e, depois das 10h da manhã, a urna itinerante que iria fazer a coleta de votos nas microempresas.AgressãoIntegrantes da Chapa 2, entretanto, contaram outra versão para os incidentes do primeiro dia da eleição do Sindipa. Eles afirmam que os mesários indicados pelo grupo de oposição ao atual presidente foram hostilizados e agredidos por seguranças da Chapa 1 desde o momento em que entraram na sede do Sindicato. Até o nosso advogado (Leonardo Assu) apanhou lá dentro”, sustentou Eriválton Martins, da Chapa 2.O advogado da Chapa 1, César Catão, disse ao DIÁRIO DO AÇO que a decisão de retirar os mesários da Chapa 2, não só das dependências do Sindipa, mas de todo o processo eleitoral, teria sido tomada pelo próprio advogado da Chapa 2, Manoel Frederico, em comum acordo com o coordenador da oposição, Eugênio Pascelli, um ex-aliado de Luiz Carlos. Catão garante que não houve qualquer tipo de pressão ou coação. A coordenação do pleito, inclusive, concedeu aos representantes da Chapa 2 informações que haviam sido negadas pelos meios jurídicos. Isso deixa claro, para nós, a intenção deles de tumultuar a realização do processo, certos de que perderiam nas urnas”, concluiu o assessor.Anulação na pauta da JustiçaApós o fim do primeiro dia de votação no Sindipa, a agitação se transferiu para o Fórum de Ipatinga. Representantes das duas chapas ficaram até a noite no aguardo de alguma decisão da Justiça que possa alterar o processo. A anulação do pleito chegou a ser admitida, abertamente, pelos dois grupos adversários.A possibilidade de cancelamento da eleição foi levantada, primeiro, pela Chapa 2, que retirou todos os seus representantes do processo eleitoral sob a alegação de irregularidades. O único caminho a ser seguido é o da Justiça, com a convocação de uma nova eleição, sem os vícios que estão dominando o processo”, argumentou um membro do grupo liderado por Marisa Gravina.Até as 20h, porém, ainda não havia saído nenhuma decisão judicial.Vereador vê tendência para tumulto e agressãoA campanha eleitoral do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa) tem envolvido vários políticos, de partidos e ideologias variadas. Pessoas que não têm nenhum envolvimento direto com a categoria e tampouco com o processo podiam ser vistas ontem, no primeiro dia de votação, empunhando bandeiras e vestindo camisetas de ambas as chapas.Um desses estranhos no ninho”, mas nem tão estranho assim, era o presidente da Câmara de Ipatinga, Robson Gomes, ex-companheiro de Luiz Carlos Miranda no mandato 1985-1988, e que estava no local apoiando a Chapa 2. Não é possível que o presidente do pleito tenha todas as armas na mão e que as chapas não possam disputar essa eleição em igualdade de condições, num processo em que falta lisura e transparência”, acusou o vereador.Na opinião de Robson Gomes, o clima inicial da eleição mostrou uma tendência natural para o tumulto e a agressão”. Ele queixou-se também da desigualdade de forças” e acusou a Polícia Militar de omissão”. A Justiça também precisa se manifestar no processo quanto à coleta dos votos e guarda das urnas, para evitar o perigo da troca de votos”, advertiu.Robson Gomes questionou ainda a ausência de urna na portaria da Usiminas no Centro de Ipatinga e o horário determinado para a votação, o que, segundo ele, dificulta a participação dos trabalhadores, particularmente os de turno. Esse processo promete ser todo tumultuado e viciado, nós só obtivemos a lista de votantes pela via judicial e, mesmo assim, com muitos erros. Essa situação tem que acabar de vez em Ipatinga”, atacou o presidente da Câmara.OrganizaçãoPara o tenente-coronel Moisés Marinho, comandante do policiamento militar destacado para acompanhar a votação, houve falta de critério, controle e organização de ambos os lados envolvidos na eleição do Sindipa. Uma eleição acirrada como essa, para um sindicato de trabalhadores, obriga a Polícia Militar a entrar no meio para acalmar os ânimos, quando deveríamos estar garantindo a segurança e tranquilidade da população do Vale do Aço”, lamentou o oficial.
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