15 de janeiro, de 2009 | 00:00
ArcelorMittal inicia demissões voluntárias
Meta de reduação do quadro de trabalhadores não é informada pela empresa de Timóteo
TIMÓTEO - A ArcelorMittal Inox Brasil Timóteo, que possui cerca de 3 mil trabalhadores diretos, iniciou nesta semana o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), que será adotado em todas as plantas industriais do grupo internacional, inclusive nas filiais brasileiras. O término do prazo para adesão, cujos critérios já foram divulgados aos trabalhadores, será dia 26 de janeiro. Com a adoção da medida, conforme comunicado publicado no final do ano passado, o maior grupo siderúrgico do mundo pretende demitir até 9 mil empregados (6 mil apenas na Europa), o que corresponde a 3% da força de trabalho total. Em todas as unidades, a meta é reduzir gastos em US$ 1 bilhão. Em mais de 60 países, a ArcelorMittal soma atualmente 326 mil empregados.CortesA ArcelorMittal foi a primeira siderúrgica a anunciar cortes de produção de aço no Brasil desde o início da crise mundial, em setembro do ano passado. De acordo com o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), os preços dos produtos no mercado interno serão reduzidos em 2009. O corte deverá atingir até 10% neste mês, equivalente a um desconto de R$ 200 por tonelada.Procurada pela reportagem do DIÁRIO DO AÇO para obter mais esclarecimentos, a Gerência de Comunicação da ArcelorMittal Timóteo, que até então não vinha se posicionando sobre o assunto, informou que, até o momento, as informações disponíveis para divulgação eram aquelas já publicadas na edição extra do Conexão” - informativo interno dirigido aos trabalhadores da ArcelorMittal Timóteo. Conforme o texto da publicação, entre outras condições gerais, o PDV é restrito aos empregados que ocupam funções administrativas, técnicas, de suporte, comerciais, financeiras e gerenciais de forma geral. Apesar das informações do informativo, permanece como incógnitas as respostas a algumas perguntas: Quantos funcionários serão desligados? Com a diminuição do quadro, qual a meta de redução financeira da unidade timotense? Para todos os questionamentos, a Gerência de Comunicação reiterou: Os esclarecimentos oficiais da empresa são aqueles que constam no informativo.”Crise é justificativa para desligamentosPor meio do material impresso, após quase dois meses de clima de muita especulação, os empregados da planta de Timóteo receberam informações mais específicas sobre o PDV. Na publicação, a siderúrgica justifica que o programa surge em função da forte crise financeira, que resultou na desaceleração de toda a economia real”. Em outro trecho, a empresa ressalta que as adequações no quadro de pessoal são importantes para adequação à nova realidade.Como forma de incentivo à adesão dos funcionários, a ArcelorMittal elaborou o que denominou de pacote de benefícios especiais”. De acordo com a empresa, o objetivo é garantir vantagens adicionais a quem aderir ao PDV, além de minimizar o impacto social com os ajustes que precisam ser feitos. Entre outros atrativos, estão previstos incentivos financeiros e benefícios temporários como assistência médica, odontológica e seguro de vida no período de dois anos.Por meio do Conexão”, a empresa ainda frisou que o funcionário terá todo o apoio necessário para a tomada de decisão. Converse com seu gerente, procure os postos de atendimento”, orienta o informativo. Os pedidos de desligamentos estarão sujeitos a analise do corpo gerencial da empresa. Metasita critica a falta de númerosO presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Timóteo e Coronel Fabriciano (Metasita), Carlos Vasconcelos, confirmou que os critérios do Programa de Desligamento Voluntário (PDV) foram apresentados pela ArcelorMittal Inox Brasil Timóteo somente na última segunda-feira (12), apesar da insistência do sindicato em obter informações”.A avaliação do sindicalista sobre o PDV não é das mais pessimistas. A julgar pelo que tem sido apresentado, não se trata de uma demissão direta, mas de uma ação proposta a partir de um cenário financeiro não muito favorável. Esperamos que fique somente nessa medida, que não haja outras surpresas depois de concluído o programa”, ressaltou.A julgar pelos critérios do PDV, Vasconcelos está confiante na manutenção do quadro operacional da empresa, de cerca de 1.600 metalúrgicos. Esse público foi excluído do processo de adesão, o que sinaliza uma possibilidade da retomada da produção industrial neste ano. Afinal, são esses trabalhadores que garantem a produtividade da empresa”, avaliou.DelimitaçãoEm contrapartida, Vasconcelos criticou a delimitação do PDV, que restringiu a adesão aos cerca de 1.400 funcionários ligados mais especificamente ao setor administrativo. O sindicato não participou da construção do programa, foi apenas informado sobre os critérios. Conhecemos a realidade dos trabalhadores de turno e sabemos que muitos tinham expectativa de poderem participar, não apenas pelo desgaste com o horário de trabalho, mas também para assumir outras propostas profissionais”, relatou o líder sindical, acrescentando que a empresa tem sido categórica ao afirmar que seguirá rigorosamente os critérios estabelecidos no PDV, e que casos excepcionais não serão analisados.O presidente do Metasita foi veemente ao opinar sobre a ausência de divulgação de metas por parte da Arcelor. Nenhuma empresa propõe um programa dessa natureza sem metas. Com certeza existe uma projeção de redução de custos, em função do corte de pessoal, mas a siderúrgica não quer tornar público esse dado”, argumentou.Questionado sobre o fato de o sindicato não insistir em obter essa informação, Carlos Vasconcelos frisou: Essa é a grande questão desse processo. Temos insistido desde o início, e a resposta da empresa é que não existem números, não há metas. Teoricamente, se a adesão é voluntária, se parte da manifestação do trabalhador, então não teria como haver meta. Mas é claro que há um número a ser alcançado, só que não foi divulgado”, finalizou.Landéia Ávila
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