16 de janeiro, de 2009 | 00:00
Justiça mantém a eleição do Sindipa
Portarias tranquilas e sumiço” de militantes da Chapa 2 marcam o segundo dia de votação
Fotos: Nivaldo Resende
Sem a interferência da Justiça, a votação nas portarias continua até amanhã à tarde
IPATINGA - Apesar de todo o tumulto inicial verificado na quarta-feira (14), a eleição da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa) transcorreu ontem de forma normal nas portarias da Doap (4 urnas), Usiminas Mecânica (2 urnas), bairro Cariru (2 urnas), sede do Sindicato (3 urnas) e itinerante (1 urna). Na esfera judicial o dia foi também de normalidade, o que, até decisão em contrário, garante a continuidade da votação nesta sexta-feira (16).A Medida Liminar impetrada pela Chapa 2, encabeçada por Marisa Gravina, solicitando a anulação da eleição, foi negada pela 1ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano. Na sequência, os advogados da chapa de oposição à atual diretoria do Sindipa tentaram um Mandado de Segurança e um Agravo Regimental, novamente negados pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Belo Horizonte.ArgumentosDe acordo com o advogado da Chapa 1, César Catão, as eleições continuam normalmente até as 17h de amanhã. Os trabalhadores estão indo votar em clima pacífico e exercitando seu direito, o que comprova que todos os argumentos feitos pela chapa adversária, que abandonou o pleito por livre vontade, não procedem nem têm sustentação jurídica ou legal”, provocou.
Paulo Sérgio de Oliveira
Os apoiadores da Chapa 2 se afastaram do processo acusando a atual diretoria de fraude
Chapa 2 ainda espera intervenção da JustiçaEmbora seus apoiadores tenham sumido das portarias da Usiminas já no primeiro dia da eleição, a Chapa 2 continua de olho na votação do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa). Só que suas ações agora estão concentradas em outro campo: a Justiça.O grupo liderado pela ex-vice-presidente e ex-prefeita Marisa Gravina divulgou material denunciando o que chamou de uma fraude eleitoral de Luiz Carlos e sua gangue paulista”. Vários boletins de ocorrência policial, gravações e fotografias foram encaminhados à Justiça para tentar comprovar suas alegações de vícios no processo.Em material distribuído à imprensa, a Chapa 2 afirma que o processo eleitoral no Sindipa é uma roubalheira descarada”, e acusa os apoiadores do grupo adversário, ligado à Força Sindical, a quem chama de fazedores de eleição”, de desrespeito à Justiça de Minas Gerais.JustiçaDe acordo com a Chapa 2, a eleição no Sindipa está transcorrendo na base da violência física”, denunciando que na quarta-feira, quando foi iniciado o pleito, seus mesários e dirigentes, em vez de urnas, receberam socos e pontapés”.Afastados das portarias, os integrantes da Chapa 2 pretendem continuar insistindo com a Justiça do Trabalho, com o Ministério Público e com a polícia para que sejam tomadas providências urgentes contra a bandalheira”. Eles alegam, entre outras coisas, que mais de mil pessoas sem direito a voto, e que não são membros da categoria, apareceram na lista de votantes preparada pelo Sindipa.Aliados de ontem, adversários de hojeHavia muitos anos não se via, no movimento sindical do Vale do Aço, uma eleição tão disputada e tão exaltada como a atual, iniciada anteontem, para escolha da nova direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa). No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, era comum que essas eleições tivessem confrontos e embates históricos, sempre opondo dois grupos, independentemente do número de concorrentes.Para quem pensava que as refregas nas portarias da Usiminas eram coisas do passado, a eleição atual mostra que pouca coisa mudou. Muita gente se espantou com o franco clima de hostilidade e confronto instalado nos últimos dias entre os apoiadores das Chapas 1 e 2, lideradas, respectivamente, por Luiz Carlos de Miranda e Marisa Gravina.AfastamentoOs dois candidatos que disputam a eleição já estiveram do mesmo lado. Marisa Gravina foi vice-presidente de Luiz Carlos, na chapa eleita em 2001, mas a relação rapidamente acabou em dissenção com o afastamento de diversos diretores, um deles o próprio marido de Marisa Gravina, e resultou numa batida de chapas” nesta eleição.Participação de metalúrgicos é pequenaMenos de 20% dos metalúrgicos em condições de voto passaram até o final da tarde de ontem pelas urnas instaladas nas portarias da Usiminas. Esse índice pode ser considerado pequeno, levando-se em conta que são quase 14 mil trabalhadores em condições de participar do pleito. A previsão é que a participação aumente até amanhã.No primeiro dia, foram coletados 1.003 votos nas 12 seções eleitorais. Ontem, o movimento foi maior, mas os números finais não foram divulgados pelo Sindicato. Extraoficialmente, o DIÁRIO DO AÇO apurou que, sem contar as urnas da portaria do Bom Retiro, considerado o maior colégio eleitoral, 854 trabalhadores haviam comparecido às urnas nas mesas do Cariru, Usiminas Mecânica, sede do Sindipa e itinerante.TumultoO movimento foi tranquilo nas portarias. O que se viu foi um predomínio dos apoiadores da Chapa 1, encabeçada pelo atual presidente do Sindipa, Luiz Carlos de Miranda. A Chapa 2, liderada por Marisa Gravina, decidiu se retirar do processo e tentar na Justiça a anulação da eleição, sob a alegação de vícios que estariam impedindo a livre participação dos trabalhadores, tais como a ausência de urnas de coleta de votos na principal portaria da Usiminas, no Centro de Ipatinga, e a falta de integrantes da chapa nas mesas de coleta de votos.Na avaliação do presidente do Sindipa e candidato à reeleição, a decisão da Chapa 2 foi um ato unilateral que buscava unicamente tumultuar as eleições”. Luiz Carlos considerou incompreensível” que os integrantes da Chapa 2 tivessem divulgado nas portarias das empresas um material com dados de uma pesquisa mostrando que teriam 70% das intenções de voto dos metalúrgicos de Ipatinga e, depois, tomado o caminho da esfera judicial. Ora, se eu acho que tenho a maioria dos votos e vou ganhar a eleição, nada me tiraria do processo ou de perto das urnas”, ironizou o sindicalista.
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