17 de janeiro, de 2009 | 00:00

Rua Paracatu aguarda a Copasa

Administração cobra resposta da concessionária sobre a recuperação de via no bairro Universitários

Arquivo/DA


A Administração municipal responsabiliza a Copasa pelos danos na rua Paracatu
FABRICIANO – “A Administração espera que a Copasa assuma as responsabilidades com o ocorrido. A Prefeitura não vai custear uma obra que deve ser executada pela concessionária”. Na tarde de ontem, o secretário de Obras e Serviços Urbanos de Coronel Fabriciano, Galba Gomes, informou que o município aguardará, até a próxima semana, uma resposta da Copasa sobre o laudo técnico enviado pela Administração há mais de uma semana.O documento diz respeito à vistoria realizada por dois engenheiros da Prefeitura, na rua Paracatu, no bairro Universitários. No local, no começo deste mês, houve um grande deslizamento de terra, próximo ao n° 139, mais uma vez comprometendo a segurança dos moradores, bem como o trânsito da via. A conclusão do laudo foi que o deslizamento foi causado por intervenções feitas pela Copasa. “A empresa terá que assumir, em caráter de urgência, um projeto de recuperação da rua para evitar novos acidentes e normalizar o trânsito no local. Os laudos técnicos confirmaram isso. Não admitiremos o contrário”, reiterou Gomes.Caso a resposta da prestadora não seja favorável à reivindicação da Prefeitura, a discussão do problema pode chegar sair da esfera local. “Se isso acontecer, o prefeito irá chamar os responsáveis pela empresa na região para nova conversa. Mas, se ainda assim, a Copasa não assumir o ônus, o problema será encaminhado para a diretoria da empresa, em Belo Horizonte. O que não vamos permitir é que a situação da rua continue da forma como está”, acrescentou Gomes. Segundo ele, o valor da obra que visa a definitiva estabilização do maciço dependerá do projeto a ser desenvolvido pela Copasa.Outra versãoNo começo do mês, quando o DIÁRIO DO AÇO publicou matéria sobre o drama da rua Paracatu, o gerente interino do Distrito da Microrregião do Médio Piracicaba da Copasa, Hudson Muinhos, friou que a concessionária não tinha nenhuma responsabilidade com o novo deslizamento. “Com as fortes chuvas, houve maior precipitação de águas sobre o terreno, causando o seu desmoronamento”, alegou. Na oportunidade, o gerente ainda acrescentou que qualquer intervenção no local seria de responsabilidade da Prefeitura e da Defesa Civil. “A Copasa não tem nenhuma relação com o acontecido”, esquivou-se.Situação se arrasta na Justiça há dois anosConforme reportagem publicada na edição do último dia 7, numa coincidência quase trágica, na mesma rua, há dois anos, uma queda de um barranco por pouco não vitimou uma senhora que morava no número 140. Ela deslizou junto com a terra e só parou às margens do ribeirão Caladinho, sofrendo apenas escoriações leves. Após o acidente, quatro famílias tiveram suas residências interditadas pela Defesa Civil, e desde 2007 vivem em um hotel da cidade. O caso foi parar na Justiça, e desde então hospedagem e alimentação têm sido custeadas pela Copasa. “Esses moradores pleiteiam o retorno, de forma segura, às suas residências, ou ainda um novo local para moradia”, afirmou o secretário de Obras, ao acrescentar que o setor Jurídico da Prefeitura tem acompanhado o caso.
Paulo Sérgio de Oliveira


Galba: situação não pode continuar
Em 2006, laudo técnico já apontava área de riscoA alegação da Administração, de que a concessionária é responsável pelos dois deslizamentos (2007 e 2009), baseia-se em outro laudo técnico, enviado à Copasa em junho de 2006, seis meses antes da primeira tragédia. “Naquela época, já avisávamos o risco de um acidente no local, o que veio a se confirmar”, relatou Galba Gomes.O secretário foi categórico ao afirmar que o grave acidente de 2007 causou o deslizamento deste ano. Segundo ele, a causa dos problemas está relacionada às intervenções feitas pela Copasa. “Para construir um gabião nas margens do ribeirão, com finalidade de proteger os interceptores de esgoto, a concessionária fez muitas escavações no maciço. Isso comprometeu a base de sustentação do talute, que veio a desmoronar”, argumentou. DescuidoAinda conforme Galba Gomes, a altura do local já faz com que a área seja crítica, portanto qualquer pequena intervenção teria que ser precedida de todo o cuidado. “O que não aconteceu”, salientou. Na oportunidade, o secretário ressaltou que o governo municipal sempre opinou que o serviço de concessão de água e esgoto da cidade deve ser feito por uma empresa estatal, no caso, pela Copasa. Apesar da defesa pela concessionária, o secretário admitiu os transtornos gerados no município em função dos serviços da empresa. Entre eles, a demora para contornar vazamentos, acompanhada da morosidade para recuperação do pavimento, comprometido com os buracos feitos para a solução do problema.
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