25 de janeiro, de 2009 | 00:00

Mensageiros fiéis

No Dia do Carteiro, profissionais falam das dificuldades e recompensas do ofício

Fotos: Fernando Carvalho


Antes de sair, Adriano organiza as correspondências por ruas
IPATINGA – Faça chuva ou faça sol, eles estão sempre nas ruas, enfrentando cachorros, trânsito, peso e obstáculos de toda ordem, para cumprir a missão de levar notícias, boas ou ruins, até as nossas casas. Hoje é dia de lembrar desse profissional, o carteiro, que apesar de passar despercebido por muita gente, cumpre um papel fundamental para a harmonia da comunicação no País. Ao receber suas correspondências em casa talvez você nem faça idéia do trabalho que esses profissionais têm para fazer os objetos chegarem aos endereços certos.Antes de ir para a rua cumprir a sua tarefa cotidiana, eles chegam cedo ao trabalho para fazer a separação das correspondências por bairros e ruas de suas rotas, que costumam ser fixas por algum tempo. Depois da triagem, que ocupa boa parte da manhã, eles colocam o pé na rua para fazer as entregas. Para se proteger do forte calor predominante na região, eles utilizam filtro solar, chapéu, camisa de mangas compridas e calça.Na bolsa, os homens carregam no máximo 10 quilos de objetos, enquanto o limite das mulheres é de oito quilos. Se houver mais demanda, a carga fica separada, esperando a próxima viagem. No final do dia, eles retornam à central de distribuição para prestar contas do serviço.As agências dos Correios de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo possuem 137 carteiros e recebem 96.500 objetos por dia. Em Minas, são 6 mil carteiros e 3.100 milhões de encomendas diárias.ReceptividadeO carteiro Adriano de Miranda Lima, 30, está no ofício há oito anos. Atualmente ele faz a rota dos bairros Veneza II e Planalto e integra a equipe de 22 carteiros do Centro de Distribuição Domiciliar Intendente Câmara, situado no bairro Bethânia. Por dia, ele entrega cerca de 800 correspondências. Ao falar sobre a rotina de trabalho, Adriano de Miranda conta que, na maioria das vezes, a comunidade é bem receptiva. “A parte mais legal é sempre ter a comunidade te recebendo muito bem, dificilmente encontramos portas fechadas”, destaca.Entre as dificuldades do dia-a-dia, o carteiro citou que casas sem números e sem locais apropriados para guardar correspondências dificultam o trabalho. “A primeira coisa que fazemos ao entrar na rua é observar a sequência de números. Assim, se a residência estiver sem número, fica menos difícil. Outro problema são casas sem local para receber correspondências”, relatou Adriano de Miranda.Fatos inusitadosEm sua rotina, o carteiro passa por situações inusitadas. Adriano, por exemplo, já chegou em algumas residências em que era atendido por crianças. “Um dia, quando a mãe pediu ao filho para ver quem era, ele respondeu: ‘Não é ninguém não, mamãe, é o carteiro’. Essa é terrível. Mas tentamos levar tudo no bom humor”, diverte-se.Adriano de Miranda considera que uma das coisas positivas da sua profissão é a criação de vínculos com a comunidade. “Na minha rota a maioria das crianças me chama pelo nome. As pessoas perguntam pelo meu trabalho, muitos me convidam para festas de aniversário ou casamento. Temos um contato muito legal com a comunidade”, reforça.Gostar da profissão é outra coisa que impulsiona o carteiro. “Quando se fala em Correios, a primeira imagem que vem a cabeça é o carteiro. Levamos a confiança que a empresa tem na bolsa, todos os dias. Tenho orgulho do meu trabalho”, conclui.RespeitoO carteiro Ancelmo José de Oliveira, 29, integra a turma dos novatos. Ele está nos Correios há dois anos e oito meses. Apesar dos contratempos e perigos da profissão, Ancelmo considera o seu trabalho compensador, principalmente pelo respeito da comunidade. “Têm complicações e coisas positivas. Por exemplo, aqui não temos problemas de trabalhar em periferias, somos respeitados em todo lugar”, observa.

Clarisse disse que recebeu até pedido de casamento nas ruas
“Eles não estão acostumados com mulher”O time de carteiros do Centro de Distribuição do bairro Bethânia, em Ipatinga, possui apenas três mulheres que atuam nas ruas. Uma delas é Clarisse de Paula Loures Fraga, 24, que trabalha há quatro nos Correios. Ela conta que não é fácil ser carteira. Em sua rotina, passa por preconceito, é assediada e ainda assim mantém o bom humor, tarefa difícil nos dias de tensão pré-menstrual (TPM).Clarisse disse que as pessoas ainda não se acostumaram com mulher na profissão de carteiro. “Quando estava começando, uma mulher me disse que isso não é serviço para mulher. No trabalho, somos tratadas de maneira igualitária. A única diferença é o peso da bolsa e a rota. Por precaução, não somos escaladas para locais considerados perigosos”, detalha Clarisse.Enquanto faz cerca de cinco horas de caminhada para entregar correspondências, Clarisse escuta de tudo um pouco. “Já ouvi até pedido de casamento na rua”, brinca. Apesar de seu ofício exigir esforço físico, Clarisse não deixa a vaidade de lado. “Passo muito filtro solar e batom com protetor também. Protejo a cabeça com chapéu. Sempre mantenho o cabelo escovado. Não pode deixar a aparência de lado”, afirma.Polliane Torres
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