28 de janeiro, de 2009 | 00:00

Saúde investiga casos de dengue hemorrágica

Em uma semana, dois pacientes são atendidos com sintomas de forma grave da doença; um morreu em Fabriciano


Lixo e entulhos amontoados nas ruas são criadouros ideais para o mosquito da dengue
FABRICIANO – A dengue chegou de vez ao Vale do Aço. Como se não bastassem os casos mais simples, agora a região volta a conviver com a forma mais grave da doença: a dengue hemorrágica. Dois casos registrados nesta semana no Vale do Aço estão sendo investigados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).O primeiro caso foi notificado na segunda-feira (26), pelo Hospital Siderúrgica, de Coronel Fabriciano. Depois foi notificado outro caso pelo Hospital Márcio Cunha, de Coronel Fabriciano.A Gerência de Vigilância Ambiental da SES informou ao DIÁRIO DO AÇO que, de acordo com o quadro clínico e exames laboratoriais do paciente de Fabriciano, não há confirmação da causa da morte.“O quadro clínico-laboratorial pode ter sido decorrente de infecções bacterianas (sepse, meningite, leptospirose etc) ou virais. A hipótese de óbito por dengue somente poderá ser confirmada ou descartada a partir de exames laboratoriais enviados à Fundação Ezequiel Dias (Funed). O setor de vigilância ambiental permanece investigando e coletando outras informações pertinentes ao caso”, informou a SES em nota à imprensa.SangueO outro caso, de uma paciente de Ipatinga que continua internada, a SES informou que foi notificado um quadro sugestivo de dengue e fenômenos hemorrágicos, mas não foi confirmada a doença. Amostra do sangue da paciente foi colhida para análise sorológica e posterior confirmação.

O Aedes Aegypti está presente em quase todas as casas
Mosquito assombra a regiãoA Gerência Regional de Saúde (GRS), que atende a 35 municípios do Leste mineiro, admitiu ontem que a região está sendo atingida por um surto de dengue. “A situação preocupa. Estamos em estado de alerta. O índice de infestação do Aedes Aegypti está muito acima do que é preconizado pelo Ministério da Saúde, que é de 1%. Na região o índice é um dos mais elevados”, declarou Anchieta Poggiali, coordenador da GRS.O último Levantamento Rápido de Índices de Infestação para Aedes aegypti (LIRAa) em Minas Gerais, cujo resultado foi anunciado na segunda-feira (26) pelo governo do Estado, mostra que as três principais cidades do Vale do Aço – Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo – “encontram-se em situação de risco de surto de dengue”, com índices superiores a 3,9%. No interior, de acordo com os números da Secretaria de Estado da Saúde, o maior índice de focos do mosquito da dengue foi constatado em Governador Valadares (8%), Coronel Fabriciano (6,9%), Ipatinga (6,8%), Montes Claros (4,7%), Sete Lagoas (4,5%) e Timóteo (4,2%).Dengue hemorrágicaA preocupação com o surto de dengue ficou ainda mais evidente depois que o feirante José dos Santos Silva, 45, faleceu na madrugada de segunda-feira, no Hospital Siderúrgica, em Fabriciano, com suspeita de dengue hemorrágica.José dos Santos residia no bairro Recanto Verde. A amostra do sangue da vítima foi enviada ao laboratório da Fundação Ezequiel Dias (Funed), credenciado pelo governo do Estado, para avaliar se a morte foi causada por dengue hemorrágica. O resultado do exame deverá sair em 30 dias. SurpresaSegundo Maria da Conceição dos Santos Silva, 67, mãe de José dos Santos, o filho gozava de boa saúde. “Ele era sadio. Recentemente fez vários exames e os resultados mostraram que ele estava bem. De repente, no domingo (25), ele chegou em casa passando mal e foi levado para o hospital. Foi tudo muito rápido”, lamenta Maria da Conceição, que não viu o filho às vésperas de sua morte porque ela estava internada no Hospital Municipal de Ipatinga.

Anchieta Poggiali: previsão de aumento da dengue em 2009
“É preciso dividir responsabilidades”Na avaliação de Anchieta Poggiali, coordenador da Gerência Regional da Saúde (GRS), “a população não faz sua parte, de forma eficaz, no combate à dengue”. Ele justifica que 85% dos focos da doença estão nas residências. “Combate à dengue não é só de responsabilidade dos governos. É importante que o município, o cidadão e o Estado façam a sua parte, eliminando redutos de água parada que possam favorecer o desenvolvimento da larva do Aedes Aegypti”, explica.O papel da GRS no combate à dengue é capacitar e treinar os agentes de saúde, além de repassar os insumos estratégicos (como larvicidas) para o combate ao mosquito. Apesar das ações dos governos municipais e estadual, Anchieta Poggiali admite que o Vale do Aço vai sofrer com o surto de dengue nos próximos anos.“Estamos inseridos numa região endêmica. Após o longo período de chuva, o forte calor do Vale do Aço favorece a eclosão da larva do Aedes Aegypti. Com certeza, em 2009 teremos mais casos de notificação da doença do que em 2008, devido aos resultados dos LIRAas que estão sendo apresentados”, adverte o coordenador da GRS.Fabriciano teve 11 notificações no ano passadoNo ano passado foram registrados 11 casos suspeitos de morte por dengue hemorrágica em Fabriciano. Apenas duas foram confirmadas por laboratório, mesmo assim por dengue clássico, não pelo seu estágio mais perigoso, que é a hemorrágica.No total, foram 1.596 casos de dengue clássica notificados em Fabriciano em 2007. Em 2009, em pouco mais de três semanas, já são 114 os casos de dengue na cidade.De acordo com a Gerência Regional de Saúde (GRS), em 2008 foram comprovados quatro casos de dengue hemorrágica na região e apenas uma morte causada pela doença, a de uma criança, em São João do Oriente.Conforme a Secretaria de Saúde de Coronel Fabriciano, há alguns condicionantes que comprovam se uma pessoa está ou não com dengue hemorrágica, como: febre alta por sete dias ou mais; trombocitropenia (diminuição das plaquetas para menos de 100 mil); tendências hemorrágicas (como sangramentos pelo nariz); e sorologia positiva.Garota de 13 anos é a segunda vítimaIPATINGA – Uma moradora da rua William Saliba, no bairro Cidade Nobre, em Ipatinga, é a mais recente vítima da dengue em sua forma mais grave, a hemorrágica. O caso, o segundo na região nesta semana, foi notificado à Secretaria Municipal de Saúde pelo Hospital Márcio Cunha (HMC), onde a vítima, de 13 anos de idade, deu entrada no dia 21 de janeiro. A informação, ontem à tarde, era de que seu estado de saúde era estável.De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, tão logo o caso foi notificado, uma equipe de agentes de controle de endemias esteve na residência para fazer o trabalho de bloqueio vetorial.AlertaA Secretaria de Saúde reforçou o alerta para o risco de uma nova epidemia de dengue no município e informou que está intensificando o combate ao mosquito transmissor da doença. Foram convocados mais 50 agentes de controle de endemias para visitas domiciliares, inclusive aos sábados (para atingir aquelas residências fechadas durante a semana), além de ações estratégicas em pontos de maior risco.
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