03 de fevereiro, de 2009 | 00:00
Lote vazio aumenta riscos de dengue em Timóteo
TIMÓTEO Moradores do Edifício Esparta, situado na rua 20 de Novembro, no centro de Timóteo, voltaram a procurar o DIÁRIO DO AÇO para reclamar do acúmulo de entulhos e outros materiais no lote ao lado do prédio. Devido à falta de entendimento e descaso por parte do proprietário, em dezembro último, os moradores já haviam recorrido ao jornal para relatar que os materiais têm servido como focos do mosquito da dengue.A preocupação dos moradores, agravada após registro de casos da doença entre os condôminos, foi confirmada após uma vistoria realizada por um agente sanitário ao local, que encontrou vários focos de Aedes Aegytpi espalhados em pneus, vasos, caixa d´água, latas e outros recipientes e objetos que acumulam água.Como da primeira vez em que foi procurado pelo DIÁRIO DO AÇO, o proprietário do lote desmentiu a versão dos moradores. Segundo ele, no local não há nenhum objeto que possa servir de foco da doença. Questionado sobre a existência de vasos sanitários e caixa d´água na área, o responsável confirmou a presença desses materiais, mas disse que todos eles estão virados de boca para baixo”.O DIÁRIO DO AÇO também procurou a Prefeitura de Timóteo, uma vez que, em contato anterior, havia prometido agir com rigor no combate à dengue. Segundo nota enviada por meio da Secretaria de Comunicação, o setor de Vigilância Sanitária fez um combate orientado ao mosquito da dengue com aplicação de larvicida no local. O trabalho foi feito no começo do mês de dezembro. O larvicida tem validade de três meses, prazo em que os agentes voltam ao local para uma nova aplicação”, garante a PMT.PrazoEm dezembro passado, em nota enviada pela Assessoria de Comunicação, a PMT revelou ter informado ao responsável que o prazo máximo para solucionar o problema era de 30 dias. Caso a limpeza não seja feita, o Código de Posturas do município concede autonomia à Prefeitura para execução do serviço. O valor da conta, que dependerá do tamanho da área e da quantidade de materiais recolhidos, acrescido de multa de 20%, será de responsabilidade do proprietário”, garantiu a Prefeitura na época. Os moradores do edifício Esparta esperam que a lei seja cumprida.A Prefeitura informou, na tarde de ontem, que o setor de Vigilância e Postura não recebeu nenhuma reclamação sobre o lote vago. Fiscais ficaram de ir ao local, após o contato da imprensa, para conferir de perto a situação e entrar em contato com o proprietário do lote para efetuar a limpeza”, ressalta a nota divulgada pela PMT. Mais uma vez, a Prefeitura frisou que se a limpeza não for feita após um prazo estipulado ao proprietário, a fiscalização pode fazê-la por conta própria e posteriormente emitir uma nota de cobrança da despesa de execução do serviço, que deverá ser paga pelo proprietário sob risco de ser incluído na dívida ativa”.Saúde públicaMoradora do apartamento 103, Vanilda Parreiras critica o descumprimento dos prazos por parte do dono do lote, bem como a falta de fiscalização da Prefeitura. O prazo venceu no dia 26 de dezembro. Já estamos em fevereiro, e até agora nada foi feito. Além de o proprietário não ter feito a limpeza, a Prefeitura também não enviou nenhum funcionário ao local para verificar como está a situação”, reclama.Vanilda critica ainda o descaso do proprietário. Em uma cidade onde há risco declarado de epidemia, é um absurdo que uma pessoa ainda não tenha tomado consciência de que é dever de cada um fazer a sua parte para eliminar os focos”, protestou a moradora.O problema, conforme Vanilda, não é motivo de preocupação apenas dos condôminos do edifício Esparta. Todos os moradores da rua estão revoltados com essa situação. A Prefeitura precisa tomar uma postura urgente para que cada proprietário assuma suas responsabilidades. O que não pode é continuar dessa forma, ou seja, o descaso de uma única pessoa prejudicar tantos cidadãos”, finalizou.Risco de epidemia na cidadeO Levantamento de Índice Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) divulgado em janeiro manteve Timóteo na lista dos sete municípios mineiros com maior risco de epidemia de dengue. O índice de 4,2% é quatro vezes maior que o preconizado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Coincidência ou não, próximo ao centro de Timóteo, no bairro Getúlio Vargas (antigo Garapa), foi onde houve maior concentração de focos de mosquito transmissor da doença: 40%. Durante o ano passado, Timóteo notificou 681 casos suspeitos da doença, sendo que 188 foram confirmados por meio de exames laboratoriais.Vale do AçoNa famigerada lista da Secretaria Estadual de Saúde ainda constam as cidades de Coronel Fabriciano (LIRAa de 6,9) e Ipatinga (6,7) como as campeãs” no ranking da dengue em Minas Gerais.
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