03 de fevereiro, de 2009 | 00:00

Estiagem alivia preços na feira

Campeão da variação de preços de hortifrutigranjeiros continua a ser o tomate

Paulo Sérgio de Oliveira


Roberto: dificuldades climáticas não assustam produtor
IPATINGA – Sob sol forte, calor que ultrapassava os 32 graus centígrados e umidade relativa do ar em torno de 57%, ontem foi mais um dia de feira atacadista no estacionamento do estádio Ipatingão, no Parque Ipanema, em Ipatinga. Na cotação de preços dos alimentos no primeiro dia útil de fevereiro eram visíveis os efeitos da estiagem das semanas anteriores. Muitos produtos, que até a primeira semana de janeiro estavam “nas alturas”, ontem apresentavam preços bem menores.Proprietário de uma lanchonete no bairro Cidade Nobre, o comerciante Samuel Batista comemorava o fato de ter encontrado o tomate a R$ 25 a caixa. O fruto é o que mais apresenta variação de preços entre os hortifrutigranjeiros - em janeiro, o preço da caixa chegou a R$ 45. O limão taiti, que em outubro de 2008 atingiu incríveis R$ 60 o saco, ontem era vendido a R$ 7. “Quando sobe, dificilmente a gente consegue repassar o custo para o consumidor, porque há risco de queda nas vendas”, explica o comerciante.RiscosProdutor rural em Córrego da Prata, distrito de São Cândido, em Caratinga, Roberto Soares dos Reis vendia ontem uma caixa com 15 quilos de quiabo a R$ 20. No começo da janeiro o legume custava bem mais e, no varejo, chegou a quase R$ 5 o quilo.Ao lado do quiabo, o jiló foi outro campeão de altas em janeiro, mas já apresenta queda no preço por causa da produção que aumentou com a estiagem de janeiro. Roberto Rodrigues de Andrade, conterrâneo do seu xará, vendia a caixa de jiló a R$ 20.Apesar dos riscos em um negócio que depende inteiramente das incertezas das variações climáticas, Roberto dos Reis afirma que, por enquanto, não pode reclamar do seu trabalho. “Estou há dez anos nesse ramo. A gente não pode parar, e assim vamos levando”, diz o produtor.Produtores rurais cobram Central de AbastecimentoComerciante de feira-livre há 30 anos, Lindolfo Basílio dos Santos considera-se “calejado” no ramo. Ele explica que, geralmente, quando chove muito - a partir de novembro -, o consumidor já pode esperar por uma disparada dos preços de determinados alimentos.Os consumidores reclamam, mas, segundo o feirante, não há como não repassar o aumento. “O alívio só vem a partir de maio, quando normalmente a chuva diminui. Aí é o tomate que fica mais caro, porque sua produção cai muito e o jiló chega ao fim da safra”, explica.Lindolfo explica que, ambos os integrantes da culinária mineira, o jiló e o quiabo, são legumes sensíveis à chuva. “Com uma semana de chuva o quiabo para de produzir”, detalha.CentralO “sofrimento” dos produtores e distribuidores da feira atacadista do Ipatingão é uma queixa de Lindolfo. O estacionamento do estádio funciona como entreposto de distribuição de frutas, legumes e verduras para todo o Vale do Aço, mas é tudo improvisado. Lindolfo lembra das promessas não cumpridas dos políticos, de se construir uma Central de Abastecimento em Ipatinga. “E o que temos, ano após ano, é esse povo aqui, debaixo de sol ou da chuva. Aumenta o sofrimento das pessoas e as perdas de alimentos também”, conclui o feirante.Alex Ferreira
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