06 de fevereiro, de 2009 | 00:00

Fabriciano usa nova arma contra a dengue

Prefeitura organiza mutirão para limpeza e aplicação de remédio homeopático na população

Wôlmer Ezequiel


Laila Nunes, na entrevista, com Simões: fósforo, veneno de cascavel e planta indígena
FABRICIANO – Os agentes de saúde e de controle de endemias de Coronel Fabriciano serão mobilizados amanhã, a partir das 8h, para um grande mutirão de combate à dengue. Eles se concentrarão em frente à Unidade de Saúde do Caladão antes de sair para visitas domiciliares e para percorrer vários pontos de risco para proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.O novo mutirão, porém, terá uma novidade em relação aos anteriores. Os agentes vão pingar duas gotas de um medicamento homeopático na boca de todos os moradores, de todas as idades. Esse remédio é a mais nova arma adotada pela Prefeitura de Coronel Fabriciano na tentativa de combater a dengue.O mutirão vai passar ainda pelos bairros Manoel Maia, Judite Bhering, Contente e Jardim Primavera, locais com maior índice de infestação de dengue em Fabriciano. Dentro de oito dias a ideia é aplicar o remédio homeopático em toda a população do município, estimada em 105 mil habitantes.HomeopatiaO anúncio do mutirão foi feito na tarde de ontem, durante coletiva de imprensa no Hotel Metropolitano, com a participação do prefeito Chico Simões (PT) e do secretário municipal de Saúde, Rubens Castro. A convidada especial da coletiva foi a médica homeopata e sanitarista Laila Nunes, coordenadora de Saúde Coletiva de Macaé (RJ).Os métodos de Laila Nunes, que incluem a adoção da homeopatia no combate à dengue, foram temas do “Globo Repórter” (TV Globo) no último dia 23 e serão aplicados também em Fabriciano e, possivelmente, outros municípios da região. A médica destacou que os remédios homeopáticos não têm contraindicações e podem ser aplicados de seis em seis meses, ou nos períodos em que a infestação de dengue for maior.EquilíbrioOs medicamentos homeopáticos que a Prefeitura de Fabriciano vai utilizar na luta contra a dengue são preparados com substâncias naturais, como fósforo e crotalus (veneno de cascavel), e uma planta importada dos Estados Unidos, a eupatorium, que era usada pelos índios norte-americanos para curar a “febre quebra-ossos”. “O medicamento não torna o paciente imune à doença, mas faz com que seus sintomas sejam mais brandos. A homeopatia mexe com o equilíbrio corporal, não age diretamente na matéria. Por isso não é um tratamento convencional”, esclareceu Laila Nunes.A médica destacou que o uso da homeopatia em Macaé reduziu o índice de infestação de dengue naquela cidade. “Em março de 2008, comparado com o mesmo período de 2007, houve queda de 93% da infestação da doença. No final do ano, a redução foi de 65%”, comparou Laila Nunes.Remédio custou R$ 1,35 milCoronel Fabriciano detém, atualmente, o segundo lugar no ranking dos municípios de Minas Gerais com mais focos do mosquito transmissor da dengue. O índice de infestação no município, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde, é de 6,9%, atrás apenas de Governador Valadares, com 8%.O terceiro maior índice de focos de dengue em Minas Gerais também pertence a um município do Vale do Aço: Ipatinga (6,8%). Em seguida aparecem Montes Claros (4,7%), Sete Lagoas (4,5%) e Timóteo (4,2%).A suspeita de dois casos fatais de dengue hemorrágica em menos de duas semanas assusta ainda mais a população. A utilização da homeopatia para minimizar os sintomas da doença foi decidida pela Prefeitura de Fabriciano como forma de evitar novos casos da forma mais grave da doença.ImprensaConforme o prefeito Chico Simões (PT), foram manipulados 330 vidros de 600ml do medicamento homeopático que será aplicado na população. Cada frasco contém o equivalente a 600 gotas. Um vidro atende a 300 pessoas. “Mandamos manipular os medicamentos em uma grande farmácia da região, com um preço bem abaixo da tabela. Todos os 330 vidros custaram R$ 1,3 mil”, informou Chico Simões, que foi o primeiro a ingerir duas gotas do remédio homeopático, na tarde de ontem, durante coletiva de imprensa no Hotel Metropolitano. Em seguida, o prefeito, que também é médico, pingou duas gotas na boca de cada repórter que acompanhou a coletiva.
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