11 de fevereiro, de 2009 | 00:00

Uma nova ética para os médicos

Bruno Jackson


Sigrid Calazans: “Não podemos deixar a Medicina virar um negócio”
IPATINGA – Desde a última reformulação do Conselho de Ética de Médica (CEM), em 1987, muitas transformações ocorreram no universo da Medicina. Em pouco mais de 20 anos surgiram desafios que precisam ser normatizados, tais como a fertilização in vitro, a doação e transplantes de órgãos, o aborto, medidas paliativas e procedimentos desproporcionais em pacientes terminais, pesquisas com seres humanos, entre outros.Diante desse panorama, o Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu reformular o Código de Ética ainda em 2009, tendo por base o “amplo respeito aos limites do ser humano e da coletividade”.De acordo com a médica pediatra Sigrid Campomizzi Calazans, ex-integrante do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), e que atende em uma clínica do Centro de Ipatinga, até agosto de 2009 o novo Código de Ética Médica deverá estar pronto. “A Medicina está diretamente ligada a vários setores da sociedade. Por isso o Conselho Federal de Medicina criou comissões em todo o país, compostas por juristas, religiosos, filósofos e médicos, para discutir as mudanças do CEM de forma conjunta”, informou Sigrid Calazans.PolêmicasAlgumas questões em debate no novo Código de Ética Médica são bastante delicadas, como o aborto, por exemplo. No Brasil, essa prática só é permitida em casos de estupro e de risco de vida para a mãe, desde que devidamente comprovados. Ainda assim, muitas clínicas de aborto funcionam ilegalmente no país.A eutanásia é outra questão polêmica que terá uma nova abordagem na ética médica. “A eutanásia continua proibida. Mas o que não se pode aceitar é que médicos submetam pacientes em estado terminal a medidas desproporcionais. Não faz sentido preservar a vida de uma pessoa sob pena de mantê-la sofrendo no pouco tempo de vida que lhe resta. É mais humano deixar o paciente viver naturalmente, com dignidade”, defende a médica Sigrid Calazans.“É inadmissível usar a Medicina para lucrar”“Ganho o sustento da minha família com a minha profissão. Mas a Medicina foi feita para atender, primeiro, à vida do ser humano.” A declaração da pediatra ipatinguense Sigrid Campomizzi Calazans sintetiza bem a proposta do novo Código de Ética Médica (CEM). Ela exemplifica o caso da fertilização in vitro.“Por questão ética, hoje se permite a fertilização ‘de aluguel’ somente entre parentes, em que há mais confiança. Justamente para impedir que uma mulher alugue seu útero apenas para ganhar dinheiro. De forma alguma podemos deixar a Medicina se tornar um negócio”, sustenta a pediatra.
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