11 de fevereiro, de 2009 | 00:00
Greve dos vigilantes afeta bancos na região
Sem segurança, agências de Ipatinga suspendem atendimento; paralisação deve atingir hoje Fabriciano e Timóteo
Fotos: Wôlmer Ezequiel
Dezenas de vigilantes fizeram ontem uma manifestação na porta do BB de Ipatinga
IPATINGA A advogada Maria José Faria mora em Belo Horizonte e veio à agência do Banco do Brasil de Ipatinga especialmente para fazer um saque judicial. Mas, ao chegar à agência, na tarde de ontem, ela se deparou com funcionários de braços cruzados na porta que dá acesso ao atendimento interno. Pior é que o dinheiro que vim retirar não vale a passagem. Vou ter que voltar amanhã”, resignou-se a advogada.Como Maria José, centenas de pessoas tiveram que adiar alguma operação bancária ontem. Muitas agências, apesar de contarem com todo o seu quadro de pessoal, não puderam atender o público por causa da greve dos vigilantes. Por determinação da Polícia Federal, os bancos só podem funcionar com a presença de vigilantes.Apesar de anunciada no final da última semana, a greve dos vigilantes pegou muita gente de surpresa. O movimento é coordenado pelo Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança de Minas Gerais.AdesãoOntem, no primeiro dia, cerca de 100 vigilantes aderiram à greve em Ipatinga, conforme a coordenação do movimento. A paralisação interrompeu o atendimento nas agências do Banco do Brasil, Unibanco, Bradesco e Mercantil do Brasil. Nesses bancos, apenas os caixas eletrônicos funcionaram normalmente.Pode ser que as demais agências bancárias da região também sejam afetadas, caso mais vigilantes resolvam aderir à greve nesta quarta-feira. A previsão é do diretor da subsede de Ipatinga, Eduardo Luiz Ferreira. Ele adiantou que a mobilização deve chegar hoje a Coronel Fabriciano e Timóteo.De acordo com Eduardo, no Vale do Aço existem cerca de 1.500 vigilantes trabalhando, em dez empresas de segurança. Eduardo Luiz informou que nesta quarta-feira acontecerá uma reunião na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), em BH, entre representantes das empresas e do Sindicato. Isso é sinal de que a mobilização já está surtindo efeito. Os supervisores estão fazendo pressão para os vigilantes retornarem ao trabalho, mas estamos em consenso”, afirmou o sindicalista.
Maria José perdeu a viagem de BH até Ipatinga
SegurançaAs agências dos bancos Real, Itaú e Caixa Econômica Federal funcionaram normalmente, mas Eduardo Luiz alegou que algumas não seguiram as normas de segurança para abrir as portas. Teve agência que funcionou com menos de três vigilantes, desrespeitando o limite mínimo imposto pela Polícia Federal”, denunciou.Os vigilantes reivindicam salário de R$ 1.171, mais 5% de progressividade, R$ 300 de ticket alimentação e 30% de adicional de risco de vida. A campanha salarial da categoria já teve nove reuniões de negociação, todas sem consenso.Desinformação irrita clientesEnquanto a polêmica campanha salarial dos vigilantes não chega a um bom termo, nas portas dos bancos que tiveram que suspender o atendimento ontem, devido à greve dos funcionários da segurança, os clientes, desinformados, ficaram confusos. Durante todo o dia, em várias agências, era possível ver muitos correntistas comentando - erroneamente -, em tom de irritação, que os bancos é que estavam em greve.O período de pagamentos de salários e de contas agrava ainda mais a situação. Nos bastidores, gerentes de bancos de Ipatinga tentavam buscar alternativas para não precisar fechar as portas.Com esse impasse, clientes como a trabalhadora rural de São Cândido Maria do Carmo Reis tiveram que esperar para tocar alguns projetos ou solucionar problemas. Ela também perdeu sua viagem ao Banco do Brasil do Centro de Ipatinga, onde iria pedir informações sobre empréstimo. Não estou sabendo de nada que está acontecendo. Agora vou ter que fazer outra viagem para me informar melhor”, reclamou Maria do Carmo.
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