12 de fevereiro, de 2009 | 00:00
A cara do desemprego
Metalúrgicos que aderiram ao PDV da Arcelor se preparam para enfrentar uma nova e dura realidade
TIMÓTEO A gente nunca está preparado para isso. Confesso que levei um susto quando a empresa, de uma forma muito sutil, me disse dos benefícios que teria se aderisse ao PDV.” O desabafo foi feito pelo metalúrgico Fábio Neves, 29, que, depois de 11 anos na ArcelorMittal Inox Brasil Timóteo (ex-Acesita), ontem homologou a rescisão do seu contrato de trabalho.Fábio foi um dos 20 funcionários desligados da siderúrgica que ontem compareceram ao Sindicato dos Metalúrgicos de Timóteo e Coronel Fabriciano (Metasita) para acertar suas rescisões. Até o próximo dia 20, todos os 120 empregados da área administrativa que aderiram ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV) proposto pela empresa também deverão passar pelo Sindicato.O convite” para adesão ao PDV foi recebido por Fábio no dia 24 de janeiro, dois dias antes do término do prazo para que os funcionários concordassem com os benefícios temporários oferecidos pela empresa. Não pensei que seria atingido. Se dependesse de mim, trabalharia na empresa por muitos anos”, admitiu o ex-funcionário da siderúrgica, que exercia o cargo de assistente de estatística.Função extintaSegundo Fábio, a empresa alegou que a atividade que ele executava será extinta. Meu gerente me disse que a empresa cogitou que eu fosse remanejado de função, porque sempre tive uma boa conduta profissional, mas essa possibilidade foi descartada porque eu não posso desempenhar atividades que exigem muito movimento físico”, lamenta.A dificuldade” apresentada por Fábio deve-se a um grave acidente de motocicleta sofrido em 2004. Perdi 40% dos movimentos da minha perna esquerda”, informou. Surpreso ao ser convidado” para aderir ao PDV, ele teve poucos dias para conversar com a esposa sobre o dilema: Ou assinava o PDV e garantia os benefícios, ou corria o sério risco de ser demitido em poucos meses e sair sem os incentivos oferecidos.”Casa própriaPai de um menino de três anos, o ex-funcionário da ArcelorMittal reconheceu que a continuidade do plano de saúde, por mais dois anos, ajudou a convencê-lo a aderir ao programa. Criança pequena sempre precisa de médico. Apesar de o convênio (plano de saúde) ter tempo limitado, só de saber que a família estará amparada já é um alívio.”Enquanto aguardava o atendimento, Fábio ainda não sabia o quanto receberá de acerto. O dinheiro já tem destino certo: Independentemente do valor, será todo investido no término da construção da minha casa. Quero sair do aluguel.”Landéia Ávila
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