20 de fevereiro, de 2009 | 00:00

Lucro da Usiminas supera estimativas

Empresa supera crise mundial e fecha balanço de 2008 com lucro líquido de R$ 3,224 bilhões

Arquivo/DA


A empresa espera uma retomada do crescimento do mercado a partir do segundo trimestre
IPATINGA - Mesmo diante de um quadro de retração da demanda por aço no final do ano passado, a Usiminas conseguiu encerrar o quarto trimestre de 2008 com um lucro superior ao estimado pelo mercado. O grupo siderúrgico de Ipatinga registrou um lucro líquido de R$ 837 milhões no período de outubro a dezembro do ano passado, abaixo do valor apurado em 2007, quando a empresa lucrou R$ 970 milhões, mas bem acima da média das estimativas de analistas de mercado, que projetavam um lucro de apenas R$ 368,3 milhões para o período.“A retração da demanda do último trimestre do ano, em decorrência da crise econômica global, interrompeu o ciclo de crescimento do setor siderúrgico e, não fossem estas circunstâncias, certamente os indicadores econômicos/financeiros e de performance operacional da Usiminas seriam ainda mais expressivos”, sintetizou Marco Antônio Castello Branco, presidente da empresa, em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).LucrosA geração de caixa da siderúrgica ipatinguense, medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 1,508 bilhão nos três últimos meses de 2008, ante R$ 1,217 bilhão um ano antes. A margem Ebitda subiu de 35%, no final de 2007, para 40,4% nos últimos três meses do ano passado.A receita líquida atingiu o patamar de R$ 3,729 bilhões no período outubro-dezembro, um aumento de 7% em relação ao último trimestre do ano anterior. Para o ano de 2008 como um todo, o grupo Usiminas teve lucro líquido de R$ 3,224 bilhões, um aumento de 2% frente ao lucro de R$ 3,172 bilhões de 2007. RetomadaDe acordo com as estimativas da siderúrgica, o processo de retração da demanda deve continuar no primeiro trimestre de 2009, ocorrendo a partir do segundo trimestre o “início da retomada do processo de crescimento”, puxado pela queda dos estoques de aço e produtos acabados nas diversas cadeias produtivas.“Nossas iniciativas voltam-se neste momento para uma atuação mais ágil e pró-ativa em relação aos movimentos de mercado e à nova realidade internacional”, adianta Marco Antônio Castello Branco, presidente da Usiminas. “Nesse sentido, demos início a uma reformulação da estrutura e da cultura corporativa da companhia, reforçando o compartilhamento de informações, a descentralização das decisões e o fomento ao empreendedorismo interno”, acrescenta.Receita bruta de 2008 atinge R$ 21,2 bilhõesA receita bruta consolidada da Usiminas foi recorde e totalizou R$ 21,2 bilhões em 2008, superando em 14,4% a do ano anterior. O mercado interno apresentou evolução de 18% e ganhou ainda mais relevância na formação da receita bruta, respondendo por 89% do total, enquanto as exportações apresentaram retração de 8%, em função do direcionamento das vendas para o mercado interno e da desvalorização média do dólar de 6% no comparativo anual.A receita líquida da empresa atingiu R$ 15,7 bilhões no ano passado, apresentando crescimento de 14% em relação a 2007, em função, principalmente, dos melhores preços e mix de produtos, já que o volume comercializado foi menor (-815 mil toneladas). Os produtos laminados a quente e galvanizados por imersão a quente e a comercialização de placas foram os que mais contribuíram para a evolução da receita. A receita líquida de laminados/beneficiados por tonelada relativa às vendas das usinas de Ipatinga e de Cubatão alcançou R$ 1.991 em 2008, com crescimento de 24% em relação a 2007.

Castello Branco quer “capturar” novas oportunidades na crise
Presidente prevê ano ‘certamente difícil’O presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, prevê um ano “certamente difícil” e marcado pela incerteza trazida pela crise financeira mundial. Apesar disso, ele garante que a siderúrgica de Ipatinga está preparada, “não só para responder adequadamente aos imperativos que a crise impõe, mas, principalmente, para capturar as oportunidades que nela repousam”.Para adequar a empresa à nova realidade do mercado, conforme Castello Branco, o amplo programa de melhoria da eficiência implantado em setembro do ano passado será intensificado ao longo de 2009, visando reduzir os custos em R$ 1,2 bilhão.Custo socialA avaliação do dirigente é que, no curto prazo, o cenário econômico ainda permanecerá deprimido. Os sinais de recuperação da demanda de aços planos, pondera, ainda são pouco consistentes.Castello Branco disse ainda que o processo de redução de estoques ao longo das cadeias produtivas e a queda da atividade industrial no Brasil e no exterior continuam pressionando os níveis de ocupação das nossas usinas, tornando imprescindível a adequação dos efetivos da companhia à nova realidade. “Sempre que possível, contudo, temos procurado minimizar o custo social dessa adequação”, ressalta.Usina do Paraíso será construída em 2 fasesAo apresentar o balanço de 2008, o presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, voltou a garantir que os investimentos já iniciados, como a instalação do novo laminador a quente na usina de Cubatão (SP), a ampliação do laminador de chapas grossas com a instalação da unidade de resfriamento acelerado e a ampliação da galvanização a quente na usina de Ipatinga prosseguem dentro do cronograma previsto.O presidente da Usiminas informou que a construção da nova usina de placas em Santana do Paraíso, com capacidade de 5 milhões de toneladas/ano, está sendo revista, de forma a se adequar à nova realidade de mercado. Mas não há nenhuma possibilidade de recuo no projeto.Nessa adequação do projeto está sendo considerada a implantação da nova usina em duas fases, de 2,5 milhões de toneladas de capacidade cada. Além disso, estão sendo revistas a especificação dos equipamentos, o cronograma de implantação e a simplificação do layout da fábrica de Santana do Paraíso.DistribuiçãoSegundo Castello Branco, no âmbito da estratégia comercial de longo prazo, a Usiminas identificou um grande espaço de crescimento na cadeia de distribuição e serviços, que vinha atuando de forma fragmentada. Com esse pensamento, no final de 2008 a companhia consolidou o controle da Dufer e adquiriu a Zamprogna, principal distribuidor independente de aços do Brasil e maior fabricante de tubos com costura de pequeno diâmetro.Ao longo de 2009, o conjunto das atividades no setor de distribuição, centros de serviços e tubos soldados dará origem à Soluções Usiminas, uma empresa com ampla presença no território brasileiro e vendas anuais com potencial de atingir 1 milhão de toneladas.
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