22 de fevereiro, de 2009 | 00:00
Crise derruba vendas da Usiminas
Balanço consolidado de 2008 mostra os piores números da empresa nos últimos cinco anos
IPATINGA Apesar do faturamento e do lucro líquido, os resultados das vendas líquidas da Usiminas no quarto trimestre do ano passado são os piores já apresentados, se forem observados os dados dos últimos cinco anos nesse mesmo intervalo. O volume total de vendas em 2008 atingiu 7,2 milhões de toneladas, uma redução de 10% em comparação com 2007.Segundo dados divulgados na quarta-feira pela siderúrgica ipatinguense, houve uma queda de 26% na comercialização no período entre outubro e dezembro de 2008, na comparação com o mesmo período do ano anterior, para 1,46 milhão de toneladas.Desde o quarto trimestre de 2004, quando atingiu a marca de 2,17 milhões de toneladas vendidas, a Usiminas vem apresentando volume de vendas no patamar de 2 milhões de toneladas.O mercado interno absorveu 78% das vendas físicas registradas no período, ou o equivalente a 1,1 milhão de toneladas. Este total ficou 29% abaixo do volume comercializado no quarto trimestre de 2007. No ano passado, as vendas da usina de Ipatinga para o mercado interno totalizaram 5,9 milhões de toneladas, 3% inferior quando comparado ao volume de 2007.CriseDe acordo com a companhia, a retração é resultado da forte redução da demanda verificada no quarto trimestre, especialmente nos setores automobilístico, equipamentos eletrônicos, utilidades domésticas, tubos de pequeno diâmetro e distribuição.A Usiminas começou a ser afetada pela crise financeira internacional a partir de outubro do ano passado, quando as linhas de crédito minguaram, trazendo um impacto direto sobre as vendas de bens duráveis. Um dos segmentos imediatamente afetados foi o automobilístico e de autopeças, principal cliente da siderúrgica.No caso de outros setores, empresas anunciaram a postergação ou cancelamento dos programas de investimentos, com o objetivo de avaliar a recuperação da economia brasileira.Diante deste cenário, a siderúrgica decidiu antecipar os trabalhos de manutenção, que iriam ocorrer ao longo de 2009, dos altos-fornos 1 e 2, na usina de Ipatinga. Essa medida deverá implicar uma redução de produção da ordem de 400 mil toneladas de aço bruto no período de paralisação. As perspectivas são de que os fornos voltem à operação a partir da retomada da demanda.Siderúrgica mantém a liderança do mercadoA queda das vendas nos últimos três meses de 2008 não tirou da Usiminas a liderança no fornecimento de aços planos no Brasil, com participação de 49% no mercado interno em 2008, destacando-se as participações nos setores automobilístico, autopeças, de máquinas agrícolas e rodoviárias, equipamentos industriais, eletroeletrônicos e tubos de grande diâmetro, tradicionais focos de atuação da empresa.Ao final de 2008, as vendas totais da Usiminas atingiram um volume de 7,2 milhões de toneladas, o que representou uma redução de 10% em comparação com os volumes comercializados em 2007. A representatividade das vendas no mercado interno alcançou 83% do total no ano, superior aos 77% do ano anterior.Por sua vez, as exportações totalizaram 315 mil toneladas no quarto trimestre do ano passado, volume 17% inferior ao do mesmo período de 2007. As vendas externas corresponderam a 17% das vendas totais da Usiminas em 2008, equivalente a 1,2 milhão de toneladas, 35% menores do que no ano anterior.A redução das exportações, segundo a Usiminas, se explica pela estratégia da empresa de garantir o atendimento ao mercado interno e a retração das exportações no quarto trimestre. O principal destino das vendas externas no ano foi a Argentina, com 17%, seguida por Estados Unidos (13%), Espanha (12%) e México (10%).Custo por venda chega a R$ 1.645 a toneladaO custo dos produtos vendidos (CPV) da Usiminas totalizou R$ 9,7 bilhões em 2008, com um crescimento de 9%, resultante principalmente do reajuste das matérias-primas. Também contribuíram para a elevação os gastos com mão-de-obra e com serviços de terceiros em reformas e a aquisição de terceiros de placas, chapas grossas e galvanizados utilizadas no processo de produção ou para revenda. Os custos fixos não absorvidos durante a parada de equipamentos nas usinas de Cubatão e Ipatinga, no valor de R$ 54 milhões, foram contabilizados como despesas operacionais.No quarto trimestre de 2008, o custo dos produtos vendidos foi de R$ 2,2 bilhões, 2% inferior ao do mesmo período de 2007 e 14% inferior ao do terceiro trimestre do ano passado. O CPV total por tonelada (relativo às usinas de Ipatinga e de Cubatão/SP), no quarto trimestre de 2008, foi de R$ 1.645, contra R$ 1.148 no último trimestre de 2007.Despesas operacionais totalizam R$ 1 bilhãoDe acordo com o balanço divulgado na quarta-feira, as despesas operacionais da Usiminas totalizaram exatamente R$ 1 bilhão em 2008, valor 136% superior ao de 2007. Essa evolução decorre, entre outros fatores, do aumento de R$ 14 milhões das despesas com vendas, em razão do maior volume de despesas de serviços de terceiros, e do aumento de R$ 38 milhões das despesas administrativas, em função de maiores gastos com serviços de terceiros.No entanto, as despesas com a remuneração dos administradores diminuíram de 0,6% para 0,5% da receita líquida, totalizando R$ 40,6 milhões em 2008, contra R$ 47,9 milhões em 2007, enquanto no consolidado as despesas foram de R$ 54 milhões, em comparação com R$ 76,6 milhões no ano anterior.Desvalorização e juros comem R$ 899 milhõesA desvalorização do real em relação ao dólar, que chegou a 32% no ano passado, e o aumento da taxa de juros de financiamentos fizeram um grande estrago nas finanças da Usiminas. A empresa, que em 2007 lucrou com a valorização do real de 17% em comparação com o dólar, sofreu com o efeito inverso.O resultado aparece no balanço consolidado divulgado na quarta-feira: o resultado financeiro líquido da Usiminas em 2008 foi uma despesa de R$ 1,2 bilhão, ante os R$ 6,2 milhões registrados em 2007. O crescimento da dívida da empresa e os efeitos cambiais comeram” a maior parte desses recursos: R$ 899 milhões. Além disso, os gastos com juros aumentaram R$ 139 milhões em 2008 e as despesas com contratos futuros custaram mais R$ 94 milhões.EndividamentoConforme o balanço, o endividamento total consolidado da Usiminas em 31 de dezembro de 2008 alcançou R$ 7,2 bilhões (US$ 3,1 bilhões), contra R$ 3 bilhões (US$ 1,7 bilhão) em 2007. A dívida líquida no final do exercício correspondia a R$ 3,2 bilhões, sendo composta por 36% de empréstimos/financiamentos em moeda brasileira e 64% em moeda estrangeira. Do total, 16% têm vencimento no curto prazo e 84% no longo prazo.
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