26 de fevereiro, de 2009 | 00:00
Empresas investem em pequenas hidrelétricas no Vale do Aço
Alex Ferreira
Cocais Grande, em Antônio Dias, será a primeira PCH a entrar em operação no Vale do Aço
ANTONIO DIAS A água que desce em abundância das montanhas no entorno do Vale do Aço virou um filão” para a exploração do potencial gerador de energia elétrica. Com investimentos consideráveis, a região já tem uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) em funcionamento e outras duas em construção.A primeira a ficar pronta foi a PCH Cocais Grande, que entra em operação no mês que vem. As obras ficam prontas ainda em fevereiro. As pequenas centrais hidrelétricas são aproveitamentos de potencial gerador de energia com usinas hidrelétricas de potência superior a 1 MW e igual ou inferior a 30 MW, com área de reservatório de até 13 quilômetros quadrados.O investimento em pequenas hidrelétricas tem sido incentivado pelo governo federal, como forma de atender à demanda de consumo de energia no País. Conforme o Ministério das Minas e Energia, esse tipo de empreendimento mostra-se bastante competitivo em termos de custo, além de apresentar vantagens como reservatórios reduzidos e operação praticamente a fio dágua”.EmpregosPrimeiro empreendimento desse porte na região, a PCH Cocais Grande foi construída em tempo recorde de nove meses, segundo a assessoria de imprensa da ERSA, empresa especializada em geração de energia elétrica. Localizada em São Joaquim da Bucaina, distrito de Antônio Dias, a PCH Cocais Grande tem capacidade instalada para gerar 10 MW de energia.A ERSA informou ter investido aproximadamente R$ 52 milhões no projeto de Antônio Dias, e destinará sua produção para o sistema integrado nacional de energia elétrica. Na fase de obra, o empreendimento gerou 300 empregos diretos e 240 indiretos. Na fase de operação serão gerados apenas oito empregos diretos. A produção, de 10 MW de energia elétrica, é suficiente para abastecer 40 mil residências.FacilidadesEmpresas que desejarem investir em novas PCHs têm 100% de isenção de algumas tarifas do setor, como a de Uso do Bem Público (UBP), de Compensação Financeira pelo Uso dos Recursos Hídricos (CFURH) e encargo de Pesquisa e Desenvolvimento, além de 50% de isenção na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), desconto estendido também para os consumidores.As PCHs também são dispensadas de licitação para obtenção da concessão, bastando o empreendedor obter autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No caso dos três empreendimentos localizados no Vale do Aço, a ERSA tem como principal fonte de financiamento o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).Com tantos incentivos, já houve, há seis anos, a tentativa de se instalar uma PCH no Cachoeirão, em Coronel Fabriciano. Porém, o empreendimento da Centrais Elétricas da Mantiqueira (CEM) não foi adiante por causa de uma mobilização de ambientalistas, proprietários rurais e políticos, contrários ao empreendimento, que atingiria uma área de preservação ambiental do município.Mais duas usinas serão construídas em AçucenaAÇUCENA - Mais duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) estão sendo construídas atualmente no Vale do Aço. A primeira é a Corrente Grande”, com capacidade para 14 MW, entre os municípios de Açucena e Gonzaga. A estimativa é de investimentos de R$ 107 milhões. A segunda é a Barra da Paciência”, também entre Açucena e Gonzaga, com capacidade para 23 MW e custo estimado em R$ 84 milhões.Segundo a assessoria de imprensa da ERSA, a expectativa é que a PCH Corrente Grande comece a operar no primeiro semestre de 2010, mesma previsão para a PCH Barra da Paciência. Ambas as hidrelétricas terão sua produção destinada a um grande consumidor privado”, cujo nome a empresa preferiu não divulgar.Em Corrente Grande, a expectativa é que no pico das obras sejam gerados 550 empregos diretos e outros 360 indiretos. Já as obras em Barra da Paciência deverão gerar 720 empregos diretos e 495 empregos indiretos. Na fase de operação, no entanto, cada uma das hidrelétricas irá gerar somente entre 10 e 12 empregos diretos.ImpactosComo medidas de redução dos impactos ambientais das hidrelétricas, a empreendedora da obra se comprometeu com algumas condicionantes. Entre elas, o reflorestamento de toda a área no entorno dos reservatórios. Na obra da PCH Cocais Grande, em Coronel Fabriciano por exemplo, que entra em operação em março, a empresa tem priorizado a contratação de mão-de -obra local.Nas PCHs Barra da Paciência e de Corrente Grande a empresa terá que garantir ainda o tratamento de água e esgoto da população no trecho de vazão reduzida do rio Corrente.Alex Ferreira
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