11 de março, de 2009 | 00:00
Organização no terceiro setor
ONGs de Ipatinga buscam instância representativa
Wôlmer Ezequiel
Gil: “O Fórum será um local com acessórios técnicos e jurídicos para as entidades”
IPATINGA Reunião de dirigentes lança nesta quarta-feira, às 18h, no plenário da Câmara Municipal, o Fórum de Entidades de Ipatinga, com a discussão e votação do seu Regimento Interno. A proposta dos organizadores é criar um mecanismo em uma instância que represente as entidades do terceiro setor.As discussões para a criação do órgão começaram dentro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e, no dia 12 de fevereiro, ficou acertado que os trabalhos passariam a ser conduzidos, entre outros, por Gil Vicente, da Associação Beneficente Nova Vida; Geraldo Magela, do Educandário Família Nazaré; Mestre Margoso, do Quilombo do Queimado; e Sandra Arvelos, da CAF.Um dos articuladores do Fórum, Gil Ferreira explica que a representação das entidades deverá se fazer ouvir pelos poderes constituídos. Cita como exemplo o atual momento, em que várias creches estão paradas sem a renovação do convênio por causa de imposições questionáveis” do governo anterior.Se tivéssemos um Fórum já instituído e bem articulado, certamente não estaríamos passando por essas dificuldades. O Fórum será uma instância não só política, mas um local de apoio às entidades, com acessórios técnicos e jurídicos para esse tipo de impasse”, explica.DescréditoA mobilização das entidades do terceiro setor ocorre no momento em que as Organizações Não Governamentais (ONGs) sofrem uma série de questionamentos, com sucessivos escândalos de desvios de finalidade e de recursos. Sobre o tema, Gil Ferreira admite que muita coisa precisa mudar, a começar pela legislação brasileira, que facilita a criação das entidades.A saída, na opinião de Gil Ferreira, é a fiscalização pelos poderes constituídos, que devem combater as anomalias. Dirigentes de entidades que desviam recursos públicos e deixam pessoas sem atendimento devem ser tratados como casos de Ministério Público e de polícia”, afirma.O dirigente também admite que o histórico do mau uso de recursos pelas entidades é um desafio para quem trabalha sério, porque atinge justamente a credibilidade do movimento do terceiro setor. Mas denuncia que o inverso acontece. Segundo ele, há casos em que o poder público se utiliza das ONGs e não dá a elas a contrapartida necessária. Gil Ferreira diz entender que descaso ocorre porque muitos governantes têm uma ideia que as entidades dão uma simples assistência, quando na verdade o trabalho de uma entidade é muito mais comprometido.Público e privadoEm uma situação em que não se enquadram como públicas, muito menos como privadas, as associações se multiplicam a cada ano e, só em Ipatinga, calcula-se que elas passem de 164. São entidades que variam das atividades religiosas às ambientais, passando pelo atendimento de crianças até portadores de enfermidades e que viram na união de forças uma forma de verem atendidas suas necessidades.Apesar de todo o questionamento e a desconfiança em torno das entidades, Gil Ferreira garante que o terceiro setor faz um trabalho relevante. São as ONGs que cuidam, por exemplo, das creches, dos idosos, das pessoas com deficiência, entre tantas outras demandas. É um trabalho que o setor público não quer, por ser melindroso, e o setor privado nem chega perto, porque não é lucrativo. Então o terceiro setor é a saída que a própria sociedade criou”, insiste.Alex Ferreira
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor:
[email protected]