17 de março, de 2009 | 00:00
PMI era um grande balcão de negócios, constata Robson
Prefeito interino revela irregularidades e acusa antecessor de fazer coisas que até Deus duvida”
Robson Gomes: apesar da interinidade, prefeito sonha com obras e avanços para melhorar a qualidade de vida
IPATINGA Governar uma cidade do porte de Ipatinga não é tarefa fácil, ainda mais numa conjuntura de crise econômica e política, onde existem mais incertezas que certezas. É um grande desafio”, como admite o prefeito em exercício, Robson Gomes, que de uma hora para outra se viu obrigado a deixar a cadeira de vereador e presidente da Câmara Municipal para assumir a chefia do Executivo até que a Justiça encerre de vez a polêmica sobre quem é o prefeito de Ipatinga.A interinidade aumenta as dificuldades, mas não tira o ânimo de Robson Gomes para fazer um governo que, pelo seu desejo, deverá ficar marcado como o que devolveu a participação popular, a alegria e a autoestima dos servidores e moradores”.Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO AÇO, o prefeito em exercício de Ipatinga faz uma avaliação das suas duas primeiras semanas de trabalho à frente da PMI e abre o jogo sobre as dificuldades que tem enfrentado, inclusive boicote de servidores ligados ao prefeito cassado. A cidade foi abandonada e a Prefeitura transformada em um grande balcão de negócios. Fizeram coisas que até Deus duvida.”Entrevista a Alex Ferreira e Jakson Goulart:Qual avaliação o senhor faz das suas duas primeiras semanas de governo?Foram duas semanas de intenso trabalho. Estamos formando uma equipe de transição com a preocupação de não criar nenhum trauma para a cidade e não paralisar nenhum serviço. Nosso secretariado ainda não está completo, mas os nomes são frutos de discussões com a frente de partidos que estiveram juntos na eleição de 2008. Entendemos que a composição do governo deve representar os segmentos e as forças que estiveram juntas, sem traumas, rancores ou perseguições.Qual a maior dificuldade para formação do seu secretariado? O que a gente vê, até agora, é um secretariado de chefes de gabinetes...São escolhas criteriosas. Temos procurado identificar, na estrutura da Prefeitura, funcionários de carreira que possam ocupar os postos de gestão. A ideia é aproveitar ao máximo os técnicos da PMI, valorizar os funcionários de carreira. Estamos priorizando setores essenciais, como a saúde, que já está com a equipe quase completa. Na área de serviços urbanos também precisamos dar respostas imediatas. A cidade estava abandonada, por isso não podemos ficar perdendo tempo.O fato de ser um governo provisório tem dificultado a formação da sua equipe?Com certeza. Temos técnicos que estão em outros setores e que não se arriscam a trabalhar na Prefeitura porque não sabem o que vai acontecer. Em várias áreas, algumas pessoas que procuramos preferiram não se arriscar nessa empreitada, nesse grande desafio que é devolver a cidade aos seus moradores. Acredito que nesta semana teremos condições de completar o quadro de secretários e de chefes de gabinete.Em duas semanas como prefeito, qual o problema mais grave da cidade que o sr. detectou? Do que o sr. já tomou conhecimento, até agora, há alguma coisa absurda?Assim que começamos o governo, pedimos que cada secretaria fizesse um diagnóstico do que encontramos. Estamos fechando o diagnóstico nesta semana. Mas posso dizer que encontramos coisas que até Deus duvida. É um grande descalabro, a Prefeitura tinha sido transformada num grande balcão de negócios. Nós estamos tendo cuidado, olhando com critério. Não queremos ser injustos com ninguém, mas precisamos, num prazo curto, mostrar para a sociedade o que acontecia na Prefeitura.Existem muitas irregularidades na Prefeitura?Muita, muita mesmo, de todo jeito.Que orientação o sr. deu à sua equipe de governo?Levantem com detalhes os problemas que existem. Pedimos também a suspensão de contratos duvidosos. Posso garantir que não vamos fintar ninguém, que nenhum prestador de serviços ficará no prejuízo. Mas vamos jogar duro com as irregularidades.Que nota o sr. daria ao governo Quintão, de 0 a 10?A Administração anterior não colocou os recursos gerados pelo município em benefício da população. Estava tudo parado, foi um grande retrocesso. Pagamos um preço muito alto por esses quatro anos e dois meses. A expectativa é que a gente possa colocar a cidade nos trilhos e a população voltar a sorrir.O sr. pensa em contratar uma auditoria? O sr. acha que dá tempo?Com certeza. Temos como objetivo fazer uma auditoria para traçar um perfil do que existe na Prefeitura. Até mesmo para que possamos dar respostas à sociedade. Tudo que estamos fazendo está sendo informado à Justiça e ao Ministério Público. Queremos ver os aspectos legais e os interesses públicos.O sr. tem pressa?Tenho, mas não quero resolver as coisas da noite para o dia. Temos a compreensão de que o que for produzido terá que ser com firmeza, sólido e com os pés no chão.Como o sr. encara a possibilidade de uma nova eleição? Essa é a melhor alternativa para a cidade? E de que lado o sr. estará numa eventual disputa?Essa é uma decisão que cabe à Justiça. Não entro no mérito. A nova eleição é uma possibilidade real. Penso que quanto maior for a nossa permanência, dentro dessa preocupação de produzir o melhor, vai dar oportunidade para quem vier depois dar prosseguimentos às ações. Queremos deixar uma situação diferente da que encontramos. Toda a Prefeitura estava parada, estava desorganizada. Estamos reconstruindo tudo. Queremos devolver à população um serviço público de qualidade. Sei que a responsabilidade é enorme. Mas estamos trabalhando com espírito e com energia positiva. Queremos continuar nessa perspectiva, sem perseguição, sem rancor, sem ódio. Isso não constrói nada, como não construiu nada nos últimos quatros anos e dois meses...Essa possibilidade passa pela posse de Chico Ferramenta, pelo retorno de Sebastião Quintão ou por uma nova eleição?No ano passado, fomos para uma eleição defendendo o nome do Chico sem nenhum condicionante. Ele tem experiência acumulada e tinha um programa de governo que, se colocado em prática, recuperaria a cidade. Infelizmente, por decisão judicial, ele foi impedido de assumir. Se a Justiça determinar nova eleição, esperamos que seja feita uma grande discussão na frente para tirar um nome de consenso que possa representar esse sentimento de resgate da cidade, da vontade de fazê-la voltar a crescer e recuperar sua posição de destaque no cenário nacional.Alguns setores defendem o nome do deputado Alexandre Silveira, seu colega de partido, como candidato. O sr. concorda ou acha que, por direito, o candidato deveria ser indicado pelo PT?Entendo essa opção como legítima. O deputado é uma grande liderança, tem trazido investimentos para a região e tem uma trajetória que o legitima. Nosso partido defende o nome do Alexandre como um nome credenciado para construirmos uma cidade como sempre defendemos: fraterna, feliz, solidária, onde a gente tenha prazer de viver. Se houver novas eleições, o nome do Alexandre tem o nosso apoio.Apesar da interinidade, o sr. tem algum grande projeto ou uma grande obra que gostaria de fazer?Resgatar a participação popular, esse é o meu sonho. Se fizermos isso, as outras obras vêm por acréscimo. Quem ouve a população tem probabilidade de errar menos. Podemos errar, mas com a participação popular teremos um governo progressista, com uma visão moderna.O sr. torce para que sua interinidade seja estendida ou para que termine mais cedo?Posso afirmar que, no período em que for necessária a nossa permanência, vamos fazer de tudo para honrar essa decisão judicial. Vamos agir com transparência e legalidade e colocar o interesse público acima de tudo. A cidade ficou parada durante quatro anos e dois meses. Todos os serviços foram comprometidos e falta qualidade e rapidez. Temos que deixar tudo em funcionamento e trabalhar para melhorar a qualidade de vida da nossa cidade.
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