19 de março, de 2009 | 00:00

Silveira quebra o silêncio

Deputado defende candidato fora da política “para acabar com a disputa de duas famílias”

Alex Ferreira


Alexandre Silveira evita confirmar candidatura e defende consenso em caso de nova eleição
IPATINGA – O deputado federal Alexandre Silveira (PPS) quebrou o silêncio em torno da instabilidade política de Ipatinga, iniciada em dezembro, quando o Tribunal Superior Eleitoral impediu a posse do prefeito eleito em 2008, Chico Ferramenta (PT), e mandou empossar o segundo colocado, Sebastião Quintão (PMDB), agora cassado pela Justiça Eleitoral. Por decisão da juíza Maria Aparecida de Oliveira Grossi Andrade, o prefeito de Ipatinga em exercício é o presidente da Câmara Municipal, vereador Robson Gomes (PPS), que é partidário do deputado Alexandre Silveira.Como um dos nomes cogitados numa possível nova eleição no município, o deputado diz resistir à pressão de seus eleitores e correligionários para se posicionar a respeito de uma possível candidatura. Entre outras coisas, o deputado reclama da “aspereza” como passou a ser tratado por parte do grupo político com o qual se envolveu nas eleições anteriores, quando seu partido se aliou ao PT, PCdoB, PR e PRB, sendo estes dois últimos também ligados ao deputado.Apesar de receber “ameaças” por sua inserção no quadro político municipal, no entanto, o deputado diz ser “destemido”. Em entrevista na sede do DIÁRIO DO AÇO, Alexandre Silveira defendeu uma proposta para encerrar a briga partidária em Ipatinga, com o lançamento de “um nome fora do ambiente político atual”.Qual tem sido seu papel nesse governo em exercício?É de apoio irrestrito ao meu correligionário, Robson Gomes, incumbido pela Justiça de uma tarefa árdua, que é dirigir os destinos dessa cidade durante algum tempo, que ninguém sabe se será por um mês ou um ano. Ele precisa de nossa dedicação e compreensão para que possa fazer isso da melhor forma possível. Sabemos o que ele encontrou e o tamanho da responsabilidade que pesa sobre seu ombro. Quis o destino que fosse o Robson, porque poderia ser outro vereador, mas ele é do meu partido, estava no gabinete e tenho responsabilidade sobre isso também.E caso venha a se confirmar uma nova eleição para prefeito?É preciso lembrar que isso só acontecerá se passar por mais dois graus de jurisdição. Até agora só passou pela primeira, na 131ª Zona Eleitoral. Faltam o TRE e o TSE. Mas falando sobre hipótese, minha ideia pessoal é chamar as forças políticas da cidade para uma compreensão: a cidade não admite ter uma nova disputa, no momento em que vive um retrocesso administrativo. Posso dizer que essa disputa que se dá na cidade fugiu do âmbito político para o campo pessoal, e isso é muito ruim para a vida pública.Como é isso?O que temos hoje são duas famílias se digladiando, a família Quintão e a família Ferramenta. Quem perde com isso é a sociedade. Por isso, eu só olharia esse processo com bons olhos se existisse em torno dele um consenso. E acho que esse acordo é possível se for indicado um nome fora da classe política. Estou aberto a discutir com as outras forças políticas o nome desse gestor, para terminar os três anos de mandato e restabelecer a ordem política e administrativa da cidade. Há grandes nomes fora desses que se colocam precipitadamente como candidatos.O senhor se dispõe a buscar esse consenso?As forças políticas precisam acabar com as disputas pessoais e substituir isso por um projeto para a cidade. Ipatinga está parada e quem coloca candidaturas agora age precipitadamente porque, na prática, ainda não há definição de nova eleição. O que Ipatinga vive não é motivo algum para comemorações e começo de campanha, a não ser para quem defenda projetos pessoais. O município é vítima da má gestão, da paralisação até de serviços essenciais e da queda na qualidade de vida.Mas o que o senhor entende que deveria prevalecer? O Chico assume, o Quintão volta ou nova eleição?Eu apoiei o Chico espontaneamente na eleição de 2008, sem nenhuma negociação. Apesar disso, todas as vezes em que conversamos, ele assegurou que seria natural o seu apoio na próxima campanha para deputado federal e até para a sucessão dentro de quatro anos. Ele tem falado para algumas pessoas que isso não é verdade, mas é sim. Todas as vezes em que conversei com ele, espontaneamente dele partiu essa posição. Por que decidiu por esse apoio?Fui para a campanha do Chico em 2008 por entender que a cidade vivia uma paralisia e por acreditar que ele poderia dar uma resposta. Agora, se me perguntar se eu conhecia a realidade jurídica do Chico Ferramenta, vou responder cabalmente que não. Ouvia falar sobre contas rejeitadas, pela imprensa, mas todas as vezes que conversava com o ex-prefeito ele me dava total tranquilidade com relação a esse tema. Ele garantia que as ações constitutivas andavam bem e, com os pareceres favoráveis dos Tribunais de Contas, podia ser candidato. Tanto não conhecia que eu indiquei a vereadora Lene, dentro do próprio PT, para ser candidata a vice. Se conhecesse a realidade, como conheci depois da eleição, recomendaria ao Chico que não se candidatasse.      Naquela época, por que não um nome do PPS, como o de Robson Gomes, para vice?Entendíamos que era o melhor nome do PPS para a Câmara, porque ele precisava resgatar o seu processo político na cidade. Mesmo porque, na eleição municipal anterior, ele se sacrificou numa coligação em que eu fui um dos responsáveis pela montagem. Entendi também, naquele momento, que a Lene era um nome que unia o PT, representava bem a mulher e sempre teve posições muito coerentes como oposição na cidade.  E o nome fora do quadro de disputa atual?Podem achar que é utopia, mas gostaria de ver uma pessoa como o médico Aloísio Benvindo administrando os destinos políticos da cidade. Mas Ipatinga tem vários outros nomes, em diversas áreas, capazes de assumir esse desafio.Mas o PT já anuncia um nome...Acho que só de o PT se reunir e garantir que vai partir para a disputa já descumpriu com a coerência. Claro que não é o partido instituído, mas algumas pessoas que tomaram essa decisão. Eles não ganharam a eleição anterior sozinhos. Levamos credibilidade para a campanha deles e, se agora falam em ter candidatura própria, fecham as portas para uma discussão conosco. Não temos candidatura própria no PPS. Aliás, é o partido que defende minha candidatura, mas hora alguma isso foi oficializado. Acho que se a disputa continuar sendo entre pessoas a cidade continuará paralisada e a sociedade pagará o preço pelos próximos três anos. Uma cidade do porte de Ipatinga não pode ficar nessa situação. Por isso, defendo o nome fora da política. Afinal, o senhor quer ser candidato?Não escondo o que eu sinto. Apesar da mobilização das pessoas defendendo a minha candidatura, eu insisto que todos aqueles que se apresentam como candidatos agem de forma precipitada, porque esse processo não está definido. O atravancamento está longe de terminar, e o melhor para a cidade hoje é que esse governo, do Robson, se estenda o máximo possível. Sem os compromissos políticos de outras candidaturas, acredito que o Robson poderá dar respostas pelo menos às necessidades imediatas da cidade. Não poderá planejar a longo prazo, porque é um governo provisório, mas poderá garantir limpeza urbana, saúde e educação.Alex Ferreira e Jakson Goulart
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