20 de março, de 2009 | 00:00
Câmara discute retorno do passe de papel em Ipatinga
IPATINGA A bilhetagem eletrônica nos ônibus que fazem o transporte coletivo em Ipatinga, adotada desde setembro de 2008 em caráter experimental e desde o dia 24 janeiro em caráter definitivo, pode estar com os dias contados. Foi protocolado na tarde de ontem, na secretaria da Câmara de Ipatinga, o projeto 14/2009, que revoga a Lei 2.275/07, que autorizou a implantação do cartão eletrônico.O projeto não deve entrar na pauta de votação da reunião de hoje dos vereadores, marcada para as 14h, porque tem parecer apenas da Comissão de Legislação e Justiça. Oito vereadores assinaram o projeto de lei, o que indica que, quando for a plenário, ele fatalmente será aprovado. A Comissão de Urbanismo, Transporte e Meio Ambiente ainda não deu parecer.Caso a Lei 2.275 seja revogada, como deseja a maioria dos vereadores ipatinguenses, o passe de papel será adotado novamente. Pela proposta, a Autotrans, concessionária do transporte coletivo no município, teria prazo de 60 dias para se adequar.A bilhetagem eletrônica de Ipatinga foi implantada em Ipatinga com o aval do prefeito cassado Sebastião Quintão (PMDB). Em 2008, a bancada do governo na Câmara era maior, o que facilitou que o projeto fosse aprovado, mesmo a contragosto da oposição. Hoje, a ampla maioria na Câmara tem ciência de que a bilhetagem eletrônica é prejudicial à população de Ipatinga”, comenta o vereador Agnaldo Bicalho (PT).ImpactosDe acordo com Agnaldo Bicalho, no futuro a Câmara poderá discutir outra lei que autorize a implantação da bilhetagem eletrônica, mas sem prejuízos sociais”. No momento, o petista avalia que houve perdas para a população. Temos falado do impacto sobre as pessoas que comercializam passe na cidade. Nem a Prefeitura e nem a empresa (Autotrans) se preocuparam com essa questão social. Além disso, o vale-transporte sempre teve um valor social, era uma forma de agregar remuneração à pessoa que ia trabalhar de bicicleta, a pé ou pegava uma carona para sobrar dinheiro para comprar um leite, um açúcar, arroz ou até mesmo para pagar o lanche ou o almoço no trabalho”, argumenta.Vereador do PT quer passagem subsidiadaQuando a bilhetagem eletrônica foi adotada pelos ônibus de Ipatinga, a expectativa era de que fosse implantado o sistema de integração do transporte coletivo, de forma que o passageiro pudesse andar em mais de um ônibus, por diferentes itinerários, e pagar uma única passagem, o que não aconteceu. Atualmente, a tarifa de ônibus na cidade é de R$ 2,20. Para os usuários que fazem a recarga do cartão eletrônico da Autotrans (Auto Pass) a tarifa é de R$ 2,15.O vereador petista Agnaldo Bicalho não concorda com o valor da passagem. O passageiro anda pouco e paga muito. A Prefeitura poderia subsidiar a passagem. Isso aumentaria o número de passageiros nos ônibus, que hoje estão vazios”, defende.Bruno Jackson
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