15 de abril, de 2009 | 00:00
Sonho e esperança
Programa da casa própria lota atendimento na CEF em Ipatinga
IPATINGA No primeiro dia após o anúncio do programa Minha Casa, Minha Vida”, que prevê a construção de 1 milhão de moradias subsidiadas pelo governo federal, inúmeras pessoas foram ontem ao setor de habitação da Caixa Econômica Federal (CEF), no centro de Ipatinga, em busca de informações. Por meio do programa, o governo promete facilitar o acesso ao financiamento residencial para famílias com rendas de três a dez salários mínimos.Mas quem procurou as agências da Caixa Econômica Federal recebeu um balde de água fria” em relação à euforia criada com o anúncio que desde ontem estimula o imaginário de quem sonha com a casa própria. O primeiro choque” é por parte das pessoas com renda até três salários mínimos e que podem comprometer prestações até 10% do valor, com o mínimo de R$ 50 por prestação.Para a menor faixa salarial, conforme o gerente-geral da agência Centro da CEF Ipatinga, Selim Antônio de Salles Oliveira, os financiamentos dependem de projetos especiais, montados em parceria entre construtoras, municípios, que deverão doar os terrenos, e entidades habitacionais, que farão o cadastro para sorteio de quem será beneficiado, pois já se sabe que a procura será muito maior que a demanda. Também nessa faixa de renda, o fim da cobrança de seguro por Morte e Invalidez Permanente (MIP) ou Danos do Imóvel (DFI) torna o valor das prestações 30% mais barato.NegociaçãoA outra situação é experimentada por famílias com renda mensal de três a dez salários mínimos, que, teoricamente, não precisarão esperar projetos com parceria de prefeituras. A negociação é feita diretamente com a Caixa. Os interessados devem procurar o imóvel, negociar o valor com o construtor, juntar documentos pessoais, comprovação de renda formal ou informal e levar o caso à CEF para a análise de risco de crédito.Por causa do aumento da demanda no setor de habitação, o gerente-geral da agência Centro da CEF confirma que haverá uma reestruturação do atendimento, com a contratação de mais funcionários. A CEF também já iniciou a divulgação das informações sobre os programas com todos os funcionários. Em todos os níveis, os servidores devem estar prontos para orientar o público”, afirmou.DecepçãoO policial militar Vitor Oliveira foi à CEF ontem à tarde em busca das informações do programa do governo, com o propósito de financiar uma casa para a sua mãe. Ele conta que já foi outras vezes em busca de financiamento da casa própria, mas nunca conseguiu fechar um contrato no modelo convencional por causa dos valores dos imóveis em Ipatinga, sempre acima de R$ 90 mil. Além disso, a exigência da entrada pesava no contrato”, explica Vitor Oliveira, que agora acredita na possibilidade de conseguir um financiamento facilitado.A secretária Patrícia Lima saiu decepcionada da CEF do centro de Ipatinga. No seu entendimento, há muita informação distorcida” sobre o programa habitacional. Patrícia lembra, inclusive, que faltam na região as grandes construtoras capazes de disponibilizar maiores quantidades de unidades prontas para o financiamento. Há uma diferença enorme entre o que a gente ouve e lê e a realidade dos programas. Mas o meu maior temor é que isso caia na burocracia e a gente continue sem casa”, teme.Apesar das dificuldades, Patrícia Lima diz manter a esperança de conseguir o financiamento para a faixa entre três e seis salários mínimos para poder sair do aluguel.Também na fila, a aposentada Conceição Roque do Nascimento, de 60 anos, está na esperança de conseguir o benefício do programa habitacional em nome de seu filho, que trabalha em Vitória (ES). Conceição conta que mora de favor atualmente e, desde sua chegada a Ipatinga, vinda de Joanésia, sempre pagou aluguel. Depois da aposentadoria o dinheiro não deu mais, e passei a morar de favor”, explica. Ontem, estimulada pela notícia que ouviu no rádio, foi à CEF em busca de informações sobre o Minha Casa, Minha Vida”. Mas também saiu frustrada da agência.PMI oferece áreas para combater desigualdadeO prefeito de Ipatinga em exercício, Robson Gomes, e o deputado federal Alexandre Silveira (PPS), que na última segunda-feira (13) participaram da recepção ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, em Ipatinga, elogiaram o programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida”, que prevê a construção de 1 milhão de casas no país, 85 mil das quais para Minas Gerais.A moradia é uma forma de diminuir a desigualdade. A casa própria é um sonho do brasileiro. Esta é uma oportunidade de as classes menos favorecidas realizarem seus sonhos”, afirmou o deputado, que, ao lado do prefeito em exercício, prometeu somar esforços para que o programa contemple também a cidade e o Vale do Aço. Com um governo participativo como temos em Ipatinga, abrem-se definitivamente as portas para que venham mais investimentos”, ressaltou o parlamentar.Robson Gomes informou ao ministro das Cidades que Ipatinga tem vários terrenos que podem ser utilizados para programas habitacionais. Queremos garantir que a ampla maioria da população, historicamente excluída, tenha seus direitos assegurados”, afirmou o prefeito. Não vamos medir esforços para que a população ipatinguense seja beneficiada com esse programa”, garantiu.A sinalização da PMI pode ser decisiva para que Ipatinga seja incluída no programa Minha Casa Minha Vida”. Conforme Márcio Fortes, os municípios têm um papel importante na doação de terrenos e no cadastro dos beneficiados”. Conforme a Associação Habitacional de Ipatinga (AHI), o município possui cerca de 10 mil famílias sem casa.Financiamentos na região aumentaram 95% em 2009 O Vale do Aço acompanhou o crescimento do volume de financiamentos habitacionais feitos pela Caixa Econômica Federal em todo o país, anunciado nesta semana. No Brasil, o balanço do primeiro trimestre apontou aumento de 119% dos financiamentos. Na região, o ano começou com aumento de 95% nas operações em relação ao mesmo período no ano passado.Nas agências da CEF de Ipatinga, o percentual ultrapassou o balanço nacional, com aumento de 120% de efetuações de contratos. O balanço regional abrange contratos feitos em Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo, totalizando R$ 13.307.819,22 neste trimestre, contra R$ 6.813.867,09 no ano passado.Quanto ao perfil dos clientes, conforme o gerente-geral da agência de Ipatinga, Selim Antônio de Salles Oliveira, a maioria dos financiamentos é feita para clientes com renda de quatro a seis salários mínimos. Esse público corresponde a 70% dos financiamentos”, informou o gerente.CriseNa análise de Selim, a arrancada nos financiamentos em 2009, mesmo em momento de crise, é reflexo da perspectiva de expansão industrial na região. Com os anúncios de investimentos no setor siderúrgico e da construção do aeroporto, a procura aumentou. Mesmo com o cenário de crise e perspectiva de desaceleração dos investimentos, o número de financiamentos continuou aumentando”, avaliou o gerente.Alex Ferreira
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