21 de abril, de 2009 | 00:00

Dez anos de abandono no assentamento do Limoeiro

Fotos: Bruno Jackson


O assentamento do Limoeiro possui centenas de barracos, vendidos informalmente
TIMÓTEO – O problema habitacional de Timóteo tem, no bairro Limoeiro, um outro exemplo de descaso. As condições a que estão submetidas cerca de 150 famílias na ocupação do Limoeiro, às margens do rio Piracicaba, são desumanas. Elas deveriam ter sido contempladas com as casas pré-moldadas construídas no alojamento do bairro Alegre, mas as próprias famílias se recusaram a habitar aquilo que apelidaram de “campo de concentração”.O assentamento do Limoeiro completou 10 anos no mês passado. Em 1999, mais de 180 famílias sem teto foram removidas para o local pelo ex-prefeito Geraldo Nascimento. Elas foram levadas para a área depois que invadiram uma propriedade privada no bairro Nova Esperança, em Timóteo. Na época, as famílias tinham o apoio do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM).Para assentar provisoriamente as famílias, o governo de Geraldo Nascimento - cassado no ano passado, no final de seu terceiro mandato à frente da Prefeitura de Timóteo - construiu barracos de lona e plástico na ocupação do Limoeiro.MortesNestes 10 anos, o assentamento foi palco de algumas tragédias. Em 2005, após uma forte chuva que atingiu a cidade, a área da ocupação foi parcialmente soterrada. Uma das casas mais atingidas foi a dos irmãos Warley, de 9 anos, e Felipe, de 10, que chegaram a ser levados para o hospital mas não resistiram.Um grupo de 25 famílias que perderam os barracos que habitavam na ocupação do Limoeiro foi levado para o Ginásio Poliesportivo Iorque José Martins, no centro de Timóteo, e lá permaneceu por 10 meses. Nesse meio tempo, o filho de um casal abrigado no ginásio morreu por causa das más condições de higiene no local.

Jackson teme pela saúde de seus filhos em meio à sujeira do assentamento
Comércio informal e precariedadeAo longo dos 10 anos do assentamento do bairro Limoeiro, poucas coisas mudaram. A começar pelo entra e sai de famílias. Dezenas das famílias que chegaram à ocupação, em 1999, já foram embora. Os que permanecem reclamam da falta de infraestrutura e de atenção às suas necessidades básicas.O comércio informal predomina no assentamento do Limoeiro. Mesmo sem qualquer título de propriedade, famílias venderam seus barracos à revelia. “Comprei o ‘direito’ aqui por R$ 100, nas mãos de um cara conhecido como ‘Cabeludo’. Depois, comprei as plantas e flores que tinham ao lado, por R$ 50”, conta Elza Miguel da Silva, que mora há apenas seis meses no assentamento.O metalúrgico Jackson Frederico do Carmo, 32, que mora na ocupação há seis anos com a família, adquiriu seu barraco por R$ 300. “Eu pagava aluguel no bairro Ana Moura. Não tive condições de continuar pagando e vim para cá”, justifica.Os novos assentados colocam em xeque a legitimidade de quem, inicialmente, teria direito às 112 casas pré-moldadas do alojamento do bairro Alegre. De qualquer forma, quem está instalado no assentamento vislumbra a chance de ganhar uma moradia melhor.“As nossas condições aqui são muito precárias. A gente não tem banheiro. Usamos fossa. Toda a área está cheia de caramujos, cobras e escorpiões”, reclama a doméstica Margarida Nascimento de Souza, 45, que vive no assentamento com três filhos e o marido.RiscosA exposição a doenças é constante no assentamento do bairro Limoeiro. É que afirma o metalúrgico Jackson Frederico do Carmo, casado e pai de três filhos, sendo uma recém-nascida que hoje completa 20 dias de vida. Uma das filhas de Jackson, de 9 anos, está com suspeita de leishmaniose.“Essa ocupação aqui oferece todo tipo de perigo à nossa saúde. É repleta de caramujos, tem sujeira pra todo lado e muitos focos de dengue. O caminhão de lixo da Prefeitura, que antes passava por aqui duas vezes por semana, nem vem mais ao local”, protesta Jackson Frederico.A Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Timóteo informou que, por enquanto, não há uma decisão sobre o que pode ser feito para minimizar a precariedade das famílias instaladas no assentamento enquanto não for erguido um novo alojamento no bairro Alegre para abrigá-las.Bruno Jackson
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