05 de maio, de 2009 | 00:00
Arcelor quer reduzir salários de todos os seus funcionários
Patrão quer socializar o prejuízo de maneira oportunista”, critica sindicalista
TIMÓTEO Os funcionários da ArcelorMittal Inox Brasil (antiga Acesita) se reunirão amanhã em assembleias, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Coronel Fabriciano e Timóteo (Metasita). Os encontros acontecerão às 7h30, 13h30, 15h30 e 17h30. Na pauta, a proposta da empresa de estender o Acordo Coletivo para redução da jornada e do salário para todos os funcionários da usina de Timóteo. Inicialmente, a redução atingiria apenas 1.733 trabalhadores da área operacional.Segundo o presidente do Metasita, Carlos Vasconcelos, após uma reunião com a empresa, na última semana, o sindicato recebeu um comunicado informando sobre a extensão do acordo. A empresa criou um fato novo que será levado às assembleias”, afirmou o sindicalista, que espera que pelo menos 2.200 funcionários, dos 2.797 da empresa, compareçam às reuniões.No boletim intitulado Sintonia”, distribuído para os funcionários no dia 24 de abril, a ArcelorMittal justificou a medida como forma de promover um entendimento entre as partes e atendendo manifestações dos próprios empregados”. O boletim esclarece ainda que a ampliação da proposta não vai deixar ninguém de fora. Supervisores, gerentes e diretores também terão os salários reduzidos.Banco de horasO acordo proposto pela empresa prevê menos três dias de trabalho por mês, o que equivale a uma redução média de 13,1% do salário nominal para todos os empregados. A empresa estipulou prazo de três meses para duração do acordo, a partir de abril, prorrogáveis por igual período, dependendo da conjuntura econômica.Além do corte dos salários, a siderúrgica de Timóteo quer a criação de um banco de horas. Isso significa que as horas folgadas antecipadamente pelos empregados, registradas no sistema como compensação de hora extra posterior”, serão apuradas e compensadas na proporção de uma hora trabalhada para cada hora de folga, no prazo de um ano.PrejuízoCarlos Vasconcelos disse que o prejuízo de US$ 1,1 bilhão do grupo ArcelorMittal no primeiro trimestre de 2009, anunciado na última semana, não pode ser pago pelos funcionários. A empresa ainda é lucrativa. No ano passado, a sua despesa com folha de pagamento caiu 3%. No primeiro trimestre teve, sim, prejuízos, mas há sinalização da retomada de produção de 60% até junho. Em certos setores, tem muita gente fazendo hora extra para dar conta da produção. Ao ter o lucro ameaçado, o patrão quer socializar o prejuízo de maneira oportunista”, criticou o presidente do Metasita.
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