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05 de maio, de 2009 | 00:00

Juiz quer investimentos para ampliar acesso ao Judiciário

Nivaldo Resende


Os alunos da Faculdade de Direito de Ipatinga tiveram uma “aula” no Salão do Júri
IPATINGA - Como parte da grade curricular das aulas de Português, alunos do 1º e 2º períodos da Faculdade de Direito de Ipatinga (Fadipa) visitaram na tarde de ontem as instalações do Fórum da Comarca de Ipatinga, onde foram recebidos, no Salão do Júri Vito Gaggiato, pelo juiz da 2ª Vara de Família e Sucessões, Evaldo Elias Penna Gavazza.Numa conversa franca com os estudantes, Gavazza informou que o Fórum de Ipatinga tem 214 funcionários e adiantou que a Comarca, que no momento tem 10 juízes titulares e um cooperador, ganhará mais uma vara e um novo juiz no dia 21 de maio.Evaldo Gavazza alertou que a estrutura judiciária como um todo precisa de muitos e maiores investimentos. “Afinal, o Judiciário é o último refúgio do cidadão”, disse o juiz, criticando o bate-boca recentemente ocorrido entre dois magistrados no Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmando que “a Justiça tem o respeito do povo e funciona muito bem nas bases, mas está dissociada da realidade nas esferas superiores”.Excesso de trabalhoGavazza informou que cada juiz especial recebe em média 500 processos mensais para julgar, o que considera um exagero. “Todos nos acusam de termos dias excessivos de férias, mas, na prática, não temos férias, porque se as tirarmos na íntegra, ao retornar não daremos conta do nosso serviço”, explicou.Ao defender uma reforma constitucional no país, Gavazza afirma que a Constituição Brasileira é exagerada em algumas coisas e omissa em outras, ao contrário da Carta Magna dos EUA, que tem apenas sete artigos e funciona. “O juiz tem mesmo que decidir, para o bem e para o mal, de acordo com sua consciência. Afinal, Pilatos era um juiz e, ao transferir o poder de decisão para o povo, este decidiu-se por Barrabás em vez de Jesus”, comparou.EleiçõesSobre o processo eleitoral em Ipatinga, Gavazza afirmou que o Judiciário local agiu certo. “A vontade do povo expressa nas urnas tem que ser respeitada, mas apenas se for legitima. Caso contrário, a Justiça é que tem que agir, restaurando a legalidade do exercício do poder”, ponderou.Evaldo Gavazza também disse aos alunos da Fadipa que, de federativa, a República Brasileira só tem mesmo o nome. “É preciso acabar com o excesso de burocracia e os embaraços ao bom funcionamento da máquina pública, e podemos considerar que a Justiça tem quartos demais e salas de menos. Por isso eu os aconselho a estudarem muito, a lerem muito e decidirem, sempre que isso for necessário, de acordo com a sua consciência. Afinal, há venenos que matam o corpo, mas o veneno da injustiça mata é a alma do cidadão”, concluiu o magistrado.
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