06 de maio, de 2009 | 00:00

Governo quer auditoria no Siderúrgica

Estado e União podem assumir dívida de hospital fabricianense

Divulgação


Simões (E) e Pestana: responsabilidade assumida pelo governo
FABRICIANO – A situação do Hospital Siderúrgica, que já fechou sua maternidade para atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e ameaça fechar as portas devido às dificuldades financeiras, continua trazendo preocupações. O assunto vem sendo tratado com cautela e mobilizando não só autoridades da área de saúde como também políticos e a comunidade de Coronel Fabriciano, que seria a maior prejudicada caso o hospital suspenda definitivamente o atendimento.Antes de discutir qualquer ajuda financeira, como reivindicam os administradores do hospital fabricianense, será preciso fazer uma auditoria nas finanças do Siderúrgica. Essa decisão foi tomada na semana passada, após reunião entre representantes do próprio hospital, da Prefeitura Municipal, da Secretaria de Estado de Saúde e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.A decisão foi tomada em reunião na última quinta-feira (30), entre o secretário de Estado de Saúde, Marcus Pestana, e uma comissão formada pelas deputadas Rosângela Reis (PV) e Cecília Ferramenta (PT); os prefeitos Chico Simões (Fabriciano), Humberto Lopes (Belo Oriente) e Ademir Siman (Açucena); o secretário municipal de Saúde, Rubens Castro; e o chefe da GRS, Anchieta Poggiali. A auditoria será feita por uma comissão formada pelo secretário de Saúde, pelo chefe da GRS e por representantes do hospital e do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG).DívidaO Hospital Siderúrgica possui uma dívida acumulada de R$ 2 milhões e por isso ameaça a fechar as portas. Uma das propostas de socorro discutidas como o governo é que o Estado arque com 50% do valor e a União com a outra metade. Em breve, a comissão se reunirá com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para pedir ajuda ao governo federal.De acordo com o prefeito de Fabriciano, a reunião com Marcos Pestana foi positiva, principalmente para esclarecer como se dará o apoio do Estado. “Algumas coisas ficaram claras. Estamos imbuídos na permanência do Siderúrgica. O secretário quer esse levantamento para saber por que o hospital chegou a esse ponto. Foi um avanço, principalmente em relação à prestação de contas”, avaliou Chico Simões.SocorroDurante o encontro o secretário prometeu ajuda do governo, mas condicionou o socorro a uma proposta financeira emergencial para superar a crise pela qual o hospital passa. Esse plano deve ser apresentado até amanhã. Em contrapartida, Pestana exigiu que seja mantido o atendimento da maternidade pelo SUS, pelo menos até a próxima sexta-feira (8), para que haja tempo de buscar uma solução que não seja prejudicial à população do Vale do Aço.No último dia 28, a diretoria do Hospital Siderúrgica anunciou que paralisaria a maternidade a partir do dia 30, por tempo indeterminado. Mas o serviço será mantido nesta semana, conforme informou o advogado Maurissom Morais, da Associação Beneficente de Saúde São Sebastião, que administra o hospital. “Cumprindo o acordo feito na reunião, a maternidade funcionará normalmente até o dia 8, quando teremos um retorno do Estado. A reunião foi produtiva. Estamos convictos de que receberemos ajuda do Estado”, afirmou o advogado.Prefeitura vai suspender repasse de R$ 102 milA situação do Hospital Siderúrgica, que já não é boa, poderá piorar. O prefeito de Coronel Fabriciano, Chico Simões (PT), admite suspender o repasse mensal feito pelo município, superior a R$ 100 mil, que vinha ajudando a manter o hospital em funcionamento. Simões alega que o município não tem essa obrigação. “A Prefeitura atua na gestão plena do atendimento básico. Não recebemos aporte financeiro da União e do Estado para essas operações. A nossa ação começa no posto de saúde e termina na porta do hospital”, esclareceu.Chico Simões alega que o repasse de R$ 102 mil mensais ao Hospital Siderúrgica está “sacrificando” a aplicação de recursos públicos no atendimento básico de saúde. “Na reunião [com o secretário de Estado de Saúde] ficou muito claro que a Prefeitura não é parte desse problema”, observou o prefeito.“Não aguentamos mais esse peso sobre os nossos ombros. Esse recurso vai ser retirado. Estamos sacrificando nossa obrigação para cumprir uma obrigação que não é nossa”, completou Simões. Ele ressaltou, porém, que ainda não há data para a suspensão do repasse ao hospital. “Não vamos fazer nada de maneira afoita. Seremos parceiros irrestritos para defender a manutenção do hospital. Não vou ser irresponsável para complicar mais a situação. Nossa ação é não permitir que o hospital feche”, destacou.
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