07 de maio, de 2009 | 00:00

Metalúrgicos dizem ‘não’ à ArcelorMittal

Sindicato insiste em novo PDV na siderúrgica de Timóteo

Polliane Torres


Cerca de 600 operários participaram das assembleias; a expectativa era de mais de 2 mil
TIMÓTEO – A proposta da ArcelorMittal Inox Brasil (antiga Acesita) de reduzir os salários e a jornada de trabalho de todos os empregados foi rejeitada em assembleias relizadas ontem pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Timóteo e Coronel Fabriciano (Metasita), em quatro turnos. Por volta das 20h foi divulgado o resultado da votação secreta: 95,5% dos 547 votos registrados foram contrários à proposta da empresa.Apenas cerca de 600 dos 2.200 trabalhadores convocados pelo Metasita participaram das assembleias de ontem. Os metalúrgicos querem que, em vez dos cortes, seja iniciado um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV), a exemplo do que foi feito no início do ano para o setor administrativo.A proposta de novo PDV, que foi negada pela empresa no último dia 24, será discutida novamente em uma audiência marcada para o próximo dia 14, às 13h30, na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Belo Horizonte.EconomiaO presidente do Metasita, Carlos Vasconcelos atribuiu o grande número de faltosos à audiência no TRT. “O número foi bem abaixo da expectativa, mas de certa forma já contávamos com isso, porque os trabalhadores esperam mesmo é pelo resultado da audiência”, justificou.A proposta inicial da ArcelorMittal era de um acordo coletivo especial para redução da jornada e do salário de 1.733 trabalhadores do setor operacional. Mas, no dia 24 de abril, a empresa publicou em um boletim interno que o acordo afetaria todos os 2.797 funcionários da siderúrgica de Timóteo.O Metasita, porém, insiste que a melhor alternativa no momento é um novo PDV. Segundo Carlos Vasconcelos, essa solução agradaria às duas partes. “A negativa dos trabalhadores vem fortalecer nossa luta para defender os seus direitos. Muitos têm interesse em se desligar da empresa, então, que se abra o PDV para uma economia permanente, e não transitória como a empresa quer”, afirmou o sindicalista.“Contramão”Vasconcelos alega que a redução de salários não trará tanta economia para a empresa. “Em 2007 e 2008 a Arcelor já havia reduzido despesa com folha de pagamento, o que gerou economia de apenas 3%. Já temos histórico de redução, agora querem promover outra. Não faz sentido”, argumentou o presidente do Metasita.A proposta da ArcelorMittal, conforme Vasconcelos, “não condiz com o momento atual da empresa”, que caminha para a retomada de 70% da capacidade de produção em relação a 2008, considerado o melhor ano da siderurgia. “Os trabalhadores já estão retomando a jornada, folgando de acordo com a sua escala. A carteira de inox aumentou. Entendemos que a proposta é inoportuna. Está fora de época, na contramão do que conjuntura nacional mostra”, questiona o sindicalista.RejeiçãoNo seu informativo interno, intitulado “Sintonia”, a empresa afirma que a proposta de cortes foi ampliada “com base no clamor dos próprios funcionários”. Porém, de acordo com Vasconcelos, “essa postura da empresa causou indignação entre os metalúrgicos”.“Isso fez aumentar o percentual de rejeição dos empregados. Os que não estavam sendo penalizados eram solidários aos outros. Agora o clima é de total rejeição. Percebemos nas portarias que os trabalhadores não aceitam discutir redução de salários, porque são testemunhas da retomada de produção. O clima é de total insatisfação”, criticou.Na opinião do presidente do Metasita, a proposta da empresa visa, na verdade, uma flexibilização dos diretos trabalhistas. “Não é simplesmente reduzir salário. A vida financeira do trabalhador fica comprometida. Percebemos uma flexibilização dos diretos trabalhistas, e a empresa usa esse momento de forma oportunista para impor ao trabalhador essa causa e fazer com que ele não discuta o que deve ser conquistado, e sim a retirada de seus diretos”, concluiu Vasconcelos.
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