08 de maio, de 2009 | 00:00
Família permanece em imóvel leiloado
Apesar da insistência de arrematantes, despejo de mecânico ainda não foi cumprido
IPATINGA A quinta-feira era a data crucial para a família do mecânico Airton José da Silva, 72 anos, que perdeu em uma ação trabalhista até a casa onde mora com a família, na rua Tupinambás, no bairro Iguaçu. No entanto, o despejo não ocorreu ontem, como esperado, embora a família tenha consciência de que possa ocorrer a qualquer momento.Condenado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em um processo que se arrastava desde 1998, Airton, que já teve uma das mais renomadas oficinas mecânicas de Ipatinga, perdeu com o processo todos os seus bens, por ele calculados em mais de R$ 1 milhão. Um dos imóveis é um ponto comercial já entregue aos arrematantes, na avenida Brasil, no bairro Iguaçu. Pelo galpão onde funcionava sua famosa oficina e mais uma casa nos fundos foram pagos R$ 60 mil no leilão público realizado por ordem do TRT, em 2004. O segundo imóvel, onde o mecânico e a família residem, também no Iguaçu, foi arrematado no mesmo leilão por R$ 80 mil, mas ainda não foi entregue aos arrematantes.Em valores atualizados, segundo consta do processo trabalhista que levou Airton à ruína, os imóveis de sua propriedade somariam hoje o valor de R$ 840 mil, enquanto a dívida trabalhista, até hoje não quitada com o autor da ação, é de R$ 61 mil, em valores atualizados.Com os prazos vencidos e uma ordem de despejo já decretada pela Justiça, o mecânico ainda conseguiu mais 30 dias para ficar na casa, até que arrume um lugar para ficar.Entenda o casoO autor da ação que levou o mecânico Airton à ruína, o lanterneiro José Amélio de Oliveira, trabalhou na famosa Mecânica do Airton”, inicialmente com serviço terceirizado. Depois, Amélio continuou a trabalhar para Airton com carteira assinada, mas pediu conta após sete meses de salários em atraso. Ele disse que não conseguiu receber a dívida e entrou com a ação trabalhista.Embora o processo tenha contribuído para levar o mecânico à ruína, Amélio não viu um centavo da indenização até hoje. Até ontem o lanterneiro não sabia explicar por que não recebeu os valores, embora o leilão dos bens penhorados do ex-patrão tenha ocorrido em 2004.Na primeira sentença contra Airton, no Fórum Trabalhista de Coronel Fabriciano, a indenização foi fixada em R$ 5 mil. Como alegou não ter dinheiro para pagar, o empregador teve ferramentas e maquinário penhorados, mas, segundo consta no processo, o valor arrecadado no leilão foi insuficiente para cobrir a indenização.Nos anos seguintes, com sucessivas perdas da defesa do empregador no processo, foram penhorados e leiloados bens imóveis, arrematados por um preço seis vezes abaixo do valor de mercado.O que já foi publicadoDescuido com ação trabalhista leva mecânico à ruína
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